domingo, 30 de julho de 2017

Preparação descuidada

 
 
   O Benfica tem uma imagem a defender em todo o lado onde vai disputar jogos, sejam eles oficiais, sejam de preparação. Ser goleado, mais uma vez, pelo Arsenal, num país onde o Benfica ainda é respeitado pelos feitos do passado, é irresponsável. Um vexame para os adeptos. A equipa do Benfica não estava preparada para participar neste torneio. Está mal! Ou preparam-se ou não participam. Não me venham dizer que não tem importância, que acontece, que estamos na fase de preparação, que vamos encontrar soluções. O Benfica tem de deixar de ser uma equipa simpática, que até pratica um futebol engraçado, para ser uma equipa temida pelos adversários de topo europeu. Tal como foi no passado.
 
   A equipa aguentou-se enquanto teve pernas - na primeira parte -, depois, foi o descalabro. Uma vergonha. Jogadores amontoados ou dispersos, perante um adversário que joga, permanentemente, em todo o campo, mantendo todo o tempo, e mesmo após as substituições, elevada intensidade. Parece-me claro que temos um problema no eixo da defesa, colmatado, parcialmente - enquanto funcionar a dupla Luisão-Jardel -, e no meio-campo onde Pizzi é "curto" e Filipe Augusto tarda em aparecer. A Baliza está bem entregue a Júlio César mas é necessária uma alternativa ao mesmo nível. Na direita Buta está a corresponder, mas não chega.
 
   Alienar três jogadores do mesmo setor de uma assentada é imprudente. A capacidade revelada no passado de substituir grandes jogadores por outros de igual ou melhor valia, não constitui garantia de sucesso futuro. Pelo contrário, aumenta a probabilidade de erro. Por outro lado, o Benfica continua refém da dívida, que compromete a evolução desportiva; as vendas que têm sido feitas só terão valido a pena se contribuírem para a melhoria da competitividade futura. Este é o momento de amortizar o passivo definindo uma regra de ouro; metade das mais-valias das vendas de jogadores deve ser utilizada na amortização do passivo. Governem-se com o resto. O negócio do Benfica são as vitórias nas grandes competições e não a construção de hotéis, escolas ou a ridícula venda de colchões.
   
   O Presidente já definiu o objetivo de voltar a ganhar. Chega de conversas sobre o hipotético penta.
 
   Quanto à BTV, hoje, mais parece um templo à Direção, tal a proeminência laudatória de todos os intervenientes. Não há lugar à dissidência nem à discussão. Sugiro aos participantes a tonsura clerical pera identificação universal.
 
   Noutro âmbito, tenha-se em conta que o FCP reconstruiu a sua influência na Liga e na FPF, ficando agora claro a razão da saída de Fernando Gomes da estrutura para a Liga, primeiro e FPF depois. A anulação da sentença condenatória de Pinto da Costa e do Porto, apesar de todas as evidências, era o primeiro grande objetivo. Limpo o cadastro, seguir-se-á a preparação da saída em grande, com vitória e homenagem. Pelo meio, o enxovalho sórdido do grande rival, com pífios castigos tardios aos autores do mesmo, que, sem qualquer constrangimento, nem fundamento, difamaram o Benfica. Depois do meio-fracasso dos vouchers, o meio-fracasso do correio eletrónico. O primeiro negado em todas as instâncias jurisdicionais desportivas, o segundo negado pela matéria de facto. Os factos desmentem os autores da difamação. Apesar disso, ficou o enxovalho, arrastando atrás de si, boa parte da comunicação social desportiva com sua corte de comentadores.  Em contraste, os Tribunais, com o contributo do Ministério Público, preparam-se para absolver, mais uma vez, Pinto da Costa e o Porto do caso da segurança ilegal, ficando a Justiça muito mal vista junto da opinião pública por ser óbvio o condicionamento das testemunhas de acusação que alteraram os seus depoimentos em tribunal, ficando a convicção de que terão sido subornados ou ameaçados. Isto não honra a justiça.
 
   Só para registo futuro; o Benfica não ganha quando o partido Socialista Governa.
 
Portanto; arregacem-se as mangas, fale-se pouco e trabalhe-se muito. 
 

terça-feira, 25 de julho de 2017

Polícias, salários e futebol

  
 
 
   Li há tempos que há quinze sindicatos na PSP. A comunicação social, todos os dias publica reivindicações dos mesmos sindicatos. Defendo que as questões corporativas destas instituições deveriam ser tratadas, preferencialmente, entre portas pelos mecanismos institucionais. Está em causa a confiança dos cidadãos nas instituições públicas, no Estado, em última análise, no regime. Todas as áreas da vida pública e privada são afetadas. Tem faltado prudência e sentido de Estado.
 
   Ora, maioritariamente, tais reivindicações, têm a ver com matéria retributiva; salários, subsídios, carreiras...e...os incompreensíveis gratificados. Estes, consistem numa retribuição particular pela prestação de serviços de segurança em eventos de natureza exclusivamente privada. Antes de mais considero que nenhuma força de segurança pública deveria fornecer serviços de segurança privada. A promiscuidade é má conselheira e indesejável. Para isso há entidades privadas licenciadas para o efeito. O que me parece é que, esta figura dos gratificados, não é mais do que um expediente para aliviar os cofres públicos da pressão salarial da classe. Uma habilidade à portuguesa.
 
   Consta que os agentes da PSP, ou os da Polícia de Intervenção, decidiram boicotar os jogos de futebol exigindo retribuição a título de serviço gratificado por considerarem tratar-se de eventos de natureza privada. Como é possível permitir-se tal insanidade? Os clubes de futebol são, quase todos, detentores do estatuto de utilidade pública. Tal não constitui tratamento de favor. Na verdade, são os clubes que facultam a prática do desporto, à generalidade da população, substituindo-se ao Estado, que se demite desta sua obrigação, limitando-se a distribuir uns pífios subsídios a algumas federações. Mas são os clubes que têm formado os campeões que difundem e consolidam o prestígio do país em algumas modalidades, desde logo, precisamente, a do futebol, seja ao nível de seleções - entre as melhores do mundo -, mas também do hóquei em patins e do futsal - campeões europeus em clubes -, recentemente no triatlo misto - campeões europeus -, mas também no atletismo - triplo salto (1º lugar olímpico), maratona, 100 metros, 11500 m, 0000 m, lançamento do peso - no judo - títulos europeus e um 3º lugar olímpico -, canoagem - com títulos europeus em várias disciplinas -, etc . etc.
 
   Acresce que os clubes de futebol profissional já contratualizam segurança privada para os jogos nos seus estádios e além do mais pagam avultadíssimos impostos pelo exercício da sua atividade, em todas as operações que lhe são inerentes. São eles que fornecem os atletas às seleções nacionais das quais os senhores agentes, certamente se orgulham.
 
   Se a moda pega, tal como consta que acontece em alguns países do terceiro mundo, ainda exigirão taxas de gratificados aos transeuntes por serviço de segurança privada. Já falta pouco.
 
Peniche, 25/07/2017