Desporto

sábado, 26 de setembro de 2026

Lufada de ar Pestilento

 

Lufada de ar Pestilento


Este Vilas Boas não tem o pedrigree de Pinto da Costa, porém, tal como este foi, VB, não passa de um testa de ferro de algo mais vasto e profundo; das elites locais, políticas e económicas. Consulte-se a composição dos órgãos sociais do FCP-SAD, para compreender melhor.


Por um lado, há um ressentimento histórico do Porto relativamente a Lisboa, que vem de muito longe! Desde o Marquês de Pombal, com o "massacre dos taberneiros", na sequência da criação da Zona Demarcada do Douro, passando pelas primeira e segunda guerras liberais, da guerra da Maria da Fonte/Patuleia, na qual o o Conde das Antas teve papel de algum relevo.


Por outro lado, o FCP tem dimensão política implícita! Essa foi a grande arte de PC! A elevada densidade demográfica da região, a lealdade incondicional dos adeptos ao clube e, claro, ao seu líder, permitiu-lhe, com o seu jogo de palavras associado ao espetro da rebelião, sempre em fundo, garantir a tolerância ativa dos principais partidos políticos.


Contudo, há uma questão primordial: o tema da regionalização, consignado constitucionalmente e desejado pelos grandes partidos, por razões complexas que podem ter contornos venais.


O FCP é o ponta de lança desse processo. A estratégia passa por agregar em torno do clube a população local - os restantes clubes históricos da cidade, Salgueiros, Boavista foram desaparecendo, ou perdendo relevância desportiva e social -, e, através da hiperbolização da guerra com o Benfica, definindo-o como paradigma do centralismo e reminiscência do Salazarismo - "em política, o que parece, é" - e afirmando o FCP como vítima da "longa noite fascista", provocar uma rotura social no país suporte da institucionalização da regionalização.


Se repararmos nas vicissitudes policiais e judiciais ao longo das décadas envolvendo assuntos espúrios relacionados com o FCP - foram muitas e muito graves -, vem à cabeça do cidadão comum a ideia de que, no Porto não se aplicam as leis do país! Que há uma conduta eminentemente leniente, por parte de membros das autoridades, com o propósito de "cavar" a fratura social e institucional.


Um dos maiores exemplos disso é o caso do Madureira! Cometeu, alegadamente, toda a espécie de atos intimidatórios; a árbitros e respetivas famílias, adversários e até a atletas do clube, e ninguém, ninguém, teve a coragem de o meter na cadeia! Quando tiveram que o fazer, o FCP-SAD constiuíu-se assistente na qualidade de lesado (salvo-o-erro)! A querer fazer tolos de todos nós!

Este é o campo de batalha que os dirigentes do Benfica, sócios e adeptos, devem entender e unindo-se, impedirem os enxovalhos ao seu clube reduzindo-o à insignificância. Quando a força social do Benfica tiver impacto eleitoral, tudo mudará.





Peniche 26 de Setembro de 2026

António Barreto



domingo, 20 de setembro de 2026

Capim em Chamas

 

Capim em chamas

de

Cyprian Ekwensi


Não é sobre guerra, como pensei; é sobre África. Descreve de forma simples e atrativa, o quotidiano de uma tribo nigeriana, os Fulani. Os Fulani são uma tribo nómada que vive da criação de gado, caprino e bovino e agricultura de subsistência. Alimentam-se à base de farinha de milho e leite, carne e peixe.


Tratar do gado, mantê-lo junto e seguro, conduzi-lo de pastagem em pastagem é a sua “ciência” mais valiosa. A distinção de alguém mede-se pelo número de cabeças de gado que possui. Queimar o capim é o método que usam para garantir o rejuvenescimento das pastagens. Os rios são as suas vias prediletas, onde o gado se dessedenta e os pastores fazem a sua higiene pessoal.


Vivem em cubatas, que levam consigo quando se deslocam. Os laços familiares são muito fortes, cabendo à mulher as tarefas domésticas e aos homens o pastoreio. Todos contribuem. O conhecimento transmite-se de pais para filhos e estes reverenciam-nos. Reverência que se mantém ao longo da vida, mesmo quando se emancipam, formam o seu próprio rebanho e partem para longe.


Tratam as doenças com mezinhas caseiras à base de plantas. O chefe, escolhido, da tribo, dirime os conflitos internos e defende-a de ameaças externas. Têm mitologia própria a que recorrem para entender certos fenómenos da vida pessoal e coletiva.


Para noivar, um rapaz tem que se submeter ao sharro, cerimónia realizada ante a tribo, ao som de música e com as candidatas preparadas, em que aquele tinha direito a escolher noiva desde que suportasse, sem queixas, as chicotadas do rival.


Uma rapariga só estava, formalmente, comprometida, quando entrasse na cubata do rapaz. Até lá era livre. Por sua vez, uma escrava, geralmente prisioneira de uma tribo rival, deixava de o ser no momento em que dava à luz. O pai do noivo negoceia com o pai da noiva o “preço” desta em cabeças de gado.


À semelhança das sociedades atuais, as populações rurais desconfiam das gentes que viviam nas cidades. Tinham um certo desprezo pelo seu modo de vida. Contudo, há grande hospitalidade entre as tribos dispersas pelo território.


Frases curtas, impecavelmente pontuadas, com os diálogos muito bem sinalizados, por vezes algo ingénuos. Para mim, uma bela lição de sintaxe e humanidade.


Transcrevo um trecho que me cativou:


“Jalla sentou-se. Com os joelhos afastados e as mãos apoiadas no cajado. Passeou os olhos pela pastagem. Era estranha a maneira como esta grande extensão de mato se comportava:nos dias de feira, os caminhos estariam cheios, mas, em dias como este,o Sol batia no capim, nos espinheiros e nas gardénias, e nem uma alma perturbava a quietude os caminhos escaldantes”




Peniche, 20 de Setembro de 2026

António Barreto


domingo, 9 de agosto de 2026

Notas sobre Humberto Delgado

 

Humberto Delgado


Humberto Delgado, Henrique Galvão e alguns republicanos - Cunha Leal, José Relvas, Mendes Cabeçadas, Sinel de Cordes, João Belo, Vicente de Freitas e outros -, apoiaram o golpe militar de 1926 e, alguns deles, Salazar. O estado caótico do país conduziu ao golpe militar liderado pelo general Gomes da Costa, um veterano de guerra.


Delgado, por incumbência de Salazar, que queria carreiras aéreas com as províncias ultramarinas, foi o fundador da aviação civil em Portugal.


O contacto que teve com altas patentes americanas no âmbito da NATO, mudou a sua visão do mundo. A fraude nas eleições de 1958, de que fora candidato, com o apoio das oposições, determinou-o a derrubar o regime


Era corajoso, arquitetou o assalto ao quartel de Beja - no qual interveio Varela Gomes, o homem da 5ª Divisão que, em 75, inviabilizou a manifestação do 28 de Setembro convocada por Spínola, em pleno PREC, contra Vasco Lourenço, que ele próprio, ingenuamente, nomeara Primeiro-Ministro, e os comunistas que dominavam o país com o apoio do MFA e dos partidos tidos por moderados.


Apesar de procurado pela PIDE entrou em Portugal disposto a participar no fracassado assalto ao quartel de Beja. Quando chegou tudo tinha terminado. A PIDE patrulhava a zona, mas Delgado conseguiu escapar.


A “Revolta da Sé” – conspiração realizada em 1959 na Sé Patriarcal de Lisboa -, na qual participaram Manuel Serra, Henrique Galvão – que viria a fazer dele o líder político do sequestro do Santa Maria -, Jaime Cortesão, António Sérgio, Ferreira de Castro, entre outros, resultou da mobilização que a sua candidatura provocou entre os opositores de Salazar, decididos a derrubar o regime.


Com o apoio da comunidade lusa no Brasil - grande parte apoiava Salazar -, fundou um núcleo de cariz político e um campo de treino de operacionais com os quais pretendia derrubar Salazar.


Passada a euforia mediática do sequestro, com os recursos e os apoios, no Brasil, a escassearem, desentendeu-se com Galvão, e foi juntar-se ao grupo de Argel - Mário Soares, Álvaro Cunhal, Piteira Santos, Manuel Alegre, Emídio Guerreiro e outros.


Sob proteção de Ben Bella, o presidente Argelino que fora cabo do exército francês e dava guarida e apoio logístico aos opositores de Salazar –, o General fundou a FPLN – Frente Patriótica de Libertação de Nacional – com o propósito de congregar, sob sua tutela, todos os oposicionistas, articulando ações de natureza insurrecional contra o regime.


Considerando-se legitimado a liderar a Frente Patriótica, não aceitou subjugar-se aos soviéticos, que pretendiam liderar a oposição através do PCP.


A sua determinação em provocar ações insurrecionais no país contendia com a via encetada pelo PCP, empenhado no endoutrinamento das populações preparando-as para um futuro golpe militar, como veio a acontecer em 74.


Irredutível, o “General Sem Medo” abandonou a FPLN e fundou a FLP - Frente de Libertação de Portugal, com alguns dissidentes, mas de âmbito mais restrito, consumando a divisão dos oposicionistas.


Apoiou os grupos de guerrilheiros inimigos das forças armadas portuguesas, diplomaticamente, e fornecendo-lhes armamento soviético, via Checoslováquia.


Delgado nutria um profundo desprezo pelos combatentes portugueses, o nosso “zé soldado” que, com o futuro adiado, passava tormentos nas matas de África em nome de Portugal. Por isso o considero traidor.


Com o apoio, de jure, de Ben Bella – que lhe disponibilizara instalações e uma estação de rádio, de que se apropriaria Manuel Alegre após a sua morte -, e lhe prometera ajuda financeira, armamento e apoio aéreo, dum grupo de ex-militares espanhóis - cerca de 40 mil, exilados em Paris e empenhados no derrube de Franco -, e outros operacionais sob seu controlo, planeou invadir Portugal pelo Algarve – à semelhança do que fizera o Duque de Alba no século XVI – convencido que tal bastaria para um levantamento insurrecional geral no meio militar.


Apesar da falta de comprovação documental acredito ter sido esta a gota de água que terá levado Salazar a decidir neutralizar Humberto Delgado.


A PIDE, porém, graças aos agentes que infiltrara entre os conspiradores, - Ernesto Lopes Ramos, subinspetor, infiltrado como Dr Castro e Sousa, e o funcionário do consulado em Itália, Mário de Carvalho - conhecia todos os seus movimentos, do grupo de Argel e do grupo de Paris.

Segundo Cerqueira, Humberto Delgado acreditou em quem mais confiava, Mário de Carvalho, e deslocou-se a Villanueva del Fresno, onde se encontraria com um grupo de conspiradores portugueses, oriundos do meio militar, prontos a lançar uma rebelião contra o regime.


Henrique Cerqueira, avisou-o do perigo, mas o General, arriscou, não queria faltar ao compromisso com Mário de Carvalho. Este, que ficara de o acompanhar, acabou por sair de cena, desconhecendo-se o seu paradeiro. Quem insistiu em o acompanhar foi Arajaryr Moreira a sua secretária brasileira.


Os "conspiradores" aguardados foram, afinal, Casimiro Monteiro, Rosa Casaco, Agostinho Tienza e Ernesto Lopes Ramos, o infiltrado Dr Castro e Sousa. Assassinaram-no a 13 de Fevereiro de 1965 no lugar de Los Almerines, próximo de Villenueva del Fresno.


Casimiro matou Delgado, Arajaryr foi morta por Agostinho. Silva Pais, diretor da PIDE foi o mentor da “Operação Outono”. Delgado levara a sua pistola de defesa pessoal e não se submeteu. Consta que Salazar teria dado ordens para o não matarem.


Delgado, lutava por uma democracia em Portugal mas nunca foi socialista. Inebriado pela campanha eleitoral, via-se com o dever histórico de derrubar a ditadura. Egocêntrico, determinado, autoritário e ingénuo, subestimou Cunhal e os soviéticos. Julgava-se uma espécie de super-homem e comportava-se como tal. O fascínio, a urgência da luta, tornaram-no imprudente, aventureiro. E isso foi-lhe fatal.


Henrique Cerqueira, no seu livro “Acuso”, culpa os conspiradores, em particular Mário Soares e Álvaro Cunhal, pelo assassinato do General. Segundo ele, saberiam da emboscada e nada fizeram para o impedir, insinuando que teriam interesse na sua morte.


Que saiba, nada foi comprovado, porém, é certo que os planos do General colidiam com os do PCP, que atribuía ao General a causa do recrudescimento da repressão da PIDE contra os seus militantes.


Delgado aproximara-se dos soviéticos, por pragmatismo, e afastou-se deles por convicção e medo; convenceu-se de que tencionavam matá-lo.


Apoquentado com um problema de saúde abdominal, Cunhal consegui-lhe internamento num conceituado hospital da Checoslováquia. A cirurgia correu mal e quiseram levá-lo para Moscovo. Delgado temeu pela vida e recusou o convite.


Surgiu então a oportunidade de se tratar em Itália, que viria a ocorrer com sucesso. Nesse contexto conheceu Mário de Carvalho, que o acompanhou, estabelecendo-se uma relação de forte cumplicidade conspirativa, que viria a ser fatal ao General.


Subsistem dúvidas sobre quem teria convencido o General a deslocar-se a Villanueva Del Fresno. Uns dizem ter sido Ernesto Ramos Lopes, o subinspetor infiltrado no grupo de Paris, mas Henrique Cerqueira afiança que foi Mário de Carvalho.


Mário Soares, segundo alguns, apropriou-se do legado político de Delgado ao propor-se, espontaneamente, para advogado da família, nos processos que se seguiram, em Espanha e em Portugal.


Esta é a razão pela qual o PS se considera o herdeiro político de Delgado, pretendendo, implicitamente, reivindicá-lo ao rebatizar o aeroporto da Portela com o seu nome, estabelecendo o contraponto ao aeroporto Sá Carneiro.


Considero inadequada a alteração. Apesar de Humberto Delgado ter sido o fundador da aviação civil em Portugal – era Oficial da Força Aérea -, e de ter dado a vida pela democracia, não lhe perdoo a traição aos combatentes portugueses e a Portugal.


                                       Vasilij Kandinskij - Park of St. Cloud - Entrance, 1906.

Peniche, 9 de agosto de 2026

António Barreto


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Benfica – Entre a submissão e a Revolta

 

Benfica – Entre a submissão e a  Revolta



Com o mundial de seleções a decorrer e o assunto Mourinho resolvido, o Benfica fechou a pasta treinador com a contratação de Marco Silva. Dele espero um bom trabalho; é competente, corajoso e sente o clube.


O sinal para a nova época já foi dado com a aplicação de um castigo de 45 dias ao Presidente do Benfica e a nomeação de Gustavo Correia - o árbitro que afastou o Benfica da Liga dos Campeões , para um jogo de preparação da Seleção Nacional para o Mundial.


Trata-se de uma mensagem de Proença ao clube encarnado mostrando-lhe quem manda. Proença que, enquanto árbitro, cumpriu com desvelo, os preceitos requeridos para ascender na carreira impedindo o Benfica de ganhar dois ou três campeonatos.


Quando se iniciou a época finda, sabia que o Porto ia ser campeão. Estava - está - falido. É preciso salvá-lo e só a participação na Liga dos Campeões o permite. O forte investimento em jogadores no início da época consolidou a ideia.


Com o Sporting financeiramente desafogado graças à participação na Liga dos Campeões e uma segunda no papo, devido às escandalosas facilidades nos respetivos campeonatos, era preciso salvar o clube nortenho.


Sem pudor, o Benfica tem sido sacrificado ao ser impedido de ganhar. O desinvestimento, necessário ao equilíbrio financeiro, degradará a competitividade das suas equipas, em especial a do futebol sénior.


Tudo se desenrola num contexto de centralização dos direitos desportivos e de redistribuição da correspondente receita, que se espera maximizada, aumentando a atratividade dos campeonatos pela maior competitividade induzida.


Ora a viabilidade económica do futebol profissional exige a alteração dos respetivos modelos competitivos. Nunca será viável sem espetadores nas bancadas, com estádios disfuncionais, com equipas jogando em trinta metros praticando anti-jogo e critérios de arbitragem discricionários.


A centralização que ocorreu nos tempos de Valentim Loureiro e da Olivedesportos, foi uma trágica experiência da qual só beneficiou o Futebol Clube do Porto - que lhe proporcionou a sua época dourada -, e alguns clubes satélites, tendo sido o Sport Lisboa e Benfica o clube mais penalizado. Foi o tempo do caso Apito Dourado cujas condenações judiciais e desportivas, para mal do desporto nacional, pouparam os principais fautores das más práticas comprovadas.


Por outro lado, a história recente revela que os atuais dirigentes da Federação, Liga, e respetivos órgãos não são confiáveis para liderar tal processo. O desempenho da arbitragem, disciplina e justiça, que parecem ter eleito o Benfica como alvo a abater, corroborado por declarações, acintosas para o clube, por parte de alguns dirigentes, como Pedro Proença, demonstra-o à saciedade.


De tudo isto resulta que o Benfica está entre a espada e a parede: Calando-se espezinham-no em termos desportivos! Falando, chovem-lhe castigos e multas e despoletam-se processos, no ministério público, ao clube e seus dirigentes, suscitados por qualquer denúncia “anónima” prontamente acolhida por zelosos agentes da autoridade judicial. Processos estes dissuasores de qualquer reação do clube, mesmo que legítima. Tudo isso, claro, em nome da valorização do futebol português.


A grandiosidade do Benfica, a sua história, suscita ressentimentos no mundo do futebol, em especial nos rivais, e é desconfortável a alguns setores políticos, como o do governo que publicou a lei da centralização.


Não interessam os factos, interessa o que se faz parecerem, e o Benfica ainda é visto por alguma gente, gente ressentida, como um dos últimos, senão o último, bastião do Salazarismo. É daí que resulta o aparente consenso, não explícito, intra e extra futebol, visando o enfraquecimento do clube. Um nivelamento por baixo como consequência da alegada democratização do futebol requerida por um regime que se afunda em equívocos e demagogia.


Institucionalmente, em Portugal, o Benfica vale zero! É sucessivamente enxovalhado em várias instâncias, desportivas e não desportivas. E isso é intolerável, uma ingratidão!


Resta-lhe a força dos adeptos. Deve falar-lhes, dentro das prerrogativas que lhe são conferidas pela lei, no sentido de avaliação dos partidos dos governos que, por ação ou omissão, prejudiquem o desporto nacional e o clube. O Benfica tem direito de ser tratado como qualquer outro clube, de não ser ostracizado por ser grandioso, de não ser bode expiatório de portadores de rancores políticos.


Com toda a legitimidade decorrente da sua história e da sua atual dinâmica desportiva, o clube deve elaborar um plano diretor para o desporto nacional, e apresentá-lo à Liga de clubes e aos partidos com representação parlamentar, recolhendo contributos variados, após discussão e aprovação em Assembleia Geral.


O Benfica tem que continuar a resistir, indomável.




Peniche, 30 de Junho de 2026

António Barreto


sábado, 27 de junho de 2026

O Declínio da Europa

 

O Declínio da Europa


A Europa perdeu a vantagem tecnológica decorrente da Revolução Industrial e procura, desesperadamente, criar um novo ciclo com a "crise" climática. Não vai funcionar! Foi a expansão do comércio internacional, subsequente à descoberta de novas rotas marítimas - de que Portugal foi pioneiro -, que deu origem à primeira Revolução Industrial.


O mercado, a expansão da procura, foi a sua causa. Agora pretende-se forçar um novo ciclo por via administrativa, impondo critérios ao mercado. Não funcionará!


Mas não é tudo; com a caducidade dos atos coloniais, os países europeus perderam a exclusividade do acesso às matérias primas e aos mercados das respetivas colónias bem como do correspondente transporte.


Por outro lado, a competitividade chinesa decorre dos reduzidos custos do trabalho - em regime de semi-escravatura, num contexto de capitalismo de Estado - enquanto na Europa, os custos do trabalho são altos e compulsivamente crescentes.


O Estado Social Europeu, desenvolvido no pós-guerra graças às elevadas taxas de crescimento económico nos trinta anos seguintes, são incompatíveis com as taxas de crescimento atuais.


A exclusividade do conhecimento, que gerou a economia de alto valor acrescentado, inexiste!


Entretanto, o novo ciclo da Revolução Industrial, virá, sem sombra de dúvida, da IA! E que revolução vai ser!


Finalmente, a superioridade normativa europeia, gerada nos séculos XVIII e XIX, fator importante do neocolonialismo subsequente à descolonização, está esbater-se. Enquanto as universidades europeias transformadas em centros de doutrinação ideológica, estão em declínio, os países emergentes, China, Índia, etc., criaram as suas próprias fontes de conhecimento, reduzindo a sua dependência nesta matéria.

Conclusão: De uma forma ou de outra os europeus estão condenados ao empobrecimento; ou reduzem-se os custos do trabalho, ou "descobrem-se" novos fatores indutores de ganhos de produtividade, ou o declínio da quota no mercado internacional continuará a aumentar.


A via, que tem sido seguida, da expansão do mercado interno pela imposição do consumo, é limitada e indutora de tensões sociais.


É neste contexto que surge a questão da imigração; um dos propósitos desta avalanche de imigrantes é, precisamente, o da redução dos custos do trabalho pelo aumento da oferta, apostando na economia de baixo valor acrescentado.


Um delírio gerado pelo desespero.


A UE tem que mudar de rumo, reduzindo tecnocracia e liberalizando a economia.





Peniche, 27 de Junho de 2026

António Barreto