Desporto

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Benfica – Entre a submissão e a Revolta

 

Benfica – Entre a submissão e a  Revolta



Com o mundial de seleções a decorrer e o assunto Mourinho resolvido, o Benfica fechou a pasta treinador com a contratação de Marco Silva. Dele espero um bom trabalho; é competente, corajoso e sente o clube.


O sinal para a nova época já foi dado com a aplicação de um castigo de 45 dias ao Presidente do Benfica e a nomeação de Gustavo Correia - o árbitro que afastou o Benfica da Liga dos Campeões , para um jogo de preparação da Seleção Nacional para o Mundial.


Trata-se de uma mensagem de Proença ao clube encarnado mostrando-lhe quem manda. Proença que, enquanto árbitro, cumpriu com desvelo, os preceitos requeridos para ascender na carreira impedindo o Benfica de ganhar dois ou três campeonatos.


Quando se iniciou a época finda, sabia que o Porto ia ser campeão. Estava - está - falido. É preciso salvá-lo e só a participação na Liga dos Campeões o permite. O forte investimento em jogadores no início da época consolidou a ideia.


Com o Sporting financeiramente desafogado graças à participação na Liga dos Campeões e uma segunda no papo, devido às escandalosas facilidades nos respetivos campeonatos, era preciso salvar o clube nortenho.


Sem pudor, o Benfica tem sido sacrificado ao ser impedido de ganhar. O desinvestimento, necessário ao equilíbrio financeiro, degradará a competitividade das suas equipas, em especial a do futebol sénior.


Tudo se desenrola num contexto de centralização dos direitos desportivos e de redistribuição da correspondente receita, que se espera maximizada, aumentando a atratividade dos campeonatos pela maior competitividade induzida.


Ora a viabilidade económica do futebol profissional exige a alteração dos respetivos modelos competitivos. Nunca será viável sem espetadores nas bancadas, com estádios disfuncionais, com equipas jogando em trinta metros praticando anti-jogo e critérios de arbitragem discricionários.


A centralização que ocorreu nos tempos de Valentim Loureiro e da Olivedesportos, foi uma trágica experiência da qual só beneficiou o Futebol Clube do Porto - que lhe proporcionou a sua época dourada -, e alguns clubes satélites, tendo sido o Sport Lisboa e Benfica o clube mais penalizado. Foi o tempo do caso Apito Dourado cujas condenações judiciais e desportivas, para mal do desporto nacional, pouparam os principais fautores das más práticas comprovadas.


Por outro lado, a história recente revela que os atuais dirigentes da Federação, Liga, e respetivos órgãos não são confiáveis para liderar tal processo. O desempenho da arbitragem, disciplina e justiça, que parecem ter eleito o Benfica como alvo a abater, corroborado por declarações, acintosas para o clube, por parte de alguns dirigentes, como Pedro Proença, demonstra-o à saciedade.


De tudo isto resulta que o Benfica está entre a espada e a parede: Calando-se espezinham-no em termos desportivos! Falando, chovem-lhe castigos e multas e despoletam-se processos, no ministério público, ao clube e seus dirigentes, suscitados por qualquer denúncia “anónima” prontamente acolhida por zelosos agentes da autoridade judicial. Processos estes dissuasores de qualquer reação do clube, mesmo que legítima. Tudo isso, claro, em nome da valorização do futebol português.


A grandiosidade do Benfica, a sua história, suscita ressentimentos no mundo do futebol, em especial nos rivais, e é desconfortável a alguns setores políticos, como o do governo que publicou a lei da centralização.


Não interessam os factos, interessa o que se faz parecerem, e o Benfica ainda é visto por alguma gente, gente ressentida, como um dos últimos, senão o último, bastião do Salazarismo. É daí que resulta o aparente consenso, não explícito, intra e extra futebol, visando o enfraquecimento do clube. Um nivelamento por baixo como consequência da alegada democratização do futebol requerida por um regime que se afunda em equívocos e demagogia.


Institucionalmente, em Portugal, o Benfica vale zero! É sucessivamente enxovalhado em várias instâncias, desportivas e não desportivas. E isso é intolerável, uma ingratidão!


Resta-lhe a força dos adeptos. Deve falar-lhes, dentro das prerrogativas que lhe são conferidas pela lei, no sentido de avaliação dos partidos dos governos que, por ação ou omissão, prejudiquem o desporto nacional e o clube. O Benfica tem direito de ser tratado como qualquer outro clube, de não ser ostracizado por ser grandioso, de não ser bode expiatório de portadores de rancores políticos.


Com toda a legitimidade decorrente da sua história e da sua atual dinâmica desportiva, o clube deve elaborar um plano diretor para o desporto nacional, e apresentá-lo à Liga de clubes e aos partidos com representação parlamentar, recolhendo contributos variados, após discussão e aprovação em Assembleia Geral.


O Benfica tem que continuar a resistir, indomável.




Peniche, 30 de Junho de 2026

António Barreto