terça-feira, 19 de março de 2013

Godinho Lopes protege Pereira Cristóvão!

Para o cidadão comum, a Justiça, hoje, é um pântano malcheiroso, irregenerável que, em última análise, põe em causa a viabilidade do regime dito democrático. Desde os primórdios deste processo, que, as suas espectativas a ele relativas, são, óbviamente nulas.

Tal convicção acentuou-se quando, salvo erro, a conselho de Rogério Alves, Cristóvão retirou o seu pedido de demissão. Claro! A demissão e inerente aceitação por parte do SCP corresponderia a uma confissão de ilicitude a que convinha pôr termo.

A, agora anunciada, ausência de rescisão do SCP com a entidade prestadora de serviços de, supõe-se, espionagem, demonstrando o desinteresse dos atuais dirigentes do SCP em clarificar o assunto perante a opinião pública e contribuir   para a aplicação da Justiça, legitima o comum cidadão a concluir da existência de cumplicidades inconfessáveis.

A minha convicção é que, a dupla Godinho Lopes/Pereira Cristóvão, planearam implementar uma estrura periférica à direção leonina, com a finalidade de condicionar os agentes desportivos relevantes, de forma a garantir o sucesso desportivo da equipa de futebol sénior, que permitiria alavancar os valor dos ativos, tão necessários ao desendividamento da SAD.

Rogério Alves, Advogado prestigiado e respeitado, tem o dever deontológico de defender na Justiça, qualquer arguido, independentemente da sua convicção. Sabemos isso. Respeitamos o direito de cada um à defesa da, nem sempre competente, Justiça. Mas...porque se meteu nisto? Fica-lhe mal! Não condiz com o prestígio que granjeou junto da população, que aprendeu a respeitá-lo e o vê como um agente na luta pelo bem comum. Este processo cheira mal e não fica bem a Rogério Alves envolver-se nele, a não ser para contribuir para o seu esclarecimento cabal. Estão em causa o SCP e a Justiça, além dos arguidos e outros envolvidos.

A corrupção no futebol tem vindo a alastrar de forma avassaladora, constituindo hoje, uma economia com um PIB superior a 50 mil milhões de dólares em todo o mundo (ver A Máfia do futebol, por Declan Hill). Algo a que ninguém parece ter interesse efetivo em fazer frente, fora umas declarações e iniciativas sem consistência, tipo "tapa-olhos".

O citado autor, tal como outros, explica os métodos mais correntes e sofisticados de condicionamento dos resultados dos jogos; aliciando, ameaçando ou condicionando as carreiras dos atletas, árbitros, dirigentes, juízes, políticos, ou seus familiares. De tal forma que, o adepto experiente, consegue, muitas das vezes, identificar o resultado destes processos no decurso dos jogos!

Recordo a obra de ficção de Marinho Neves "Golpe de Estádio" causa de várias selváticas agressões de que foi vítima - sem que se conheça identificação e punição dos agressores -, que refere a dado passo (pág. 44 e 45):

"- Balboa, hoje tens de ir a Setúbal entregar uma prenda ao filho do árbitro Carlos Fortes, que faz anos. - Pediu, certo dia, Seminário.

   Tony Balboa, sempre pronto para estas ações, lá rumou até Setubal com um fio de ouro e uma medalha gravada com o nome do filho do árbitro.

   ...Cenas como esta sucederam-se e, todos aceitavam com agrado tamanha amabilidade. Era um gesto bonito e que ninguém podia condenar.

   ...Foram dezenas e dezenas de missões como esta que deram entrada a Tony Balboa na intimidade dos árbitros. Depois de um gesto daqueles, era normal que convidassem Balboa para um brinde ou mesmo para ficar um pouco na festa familiar. Nasceram amizades e compadrios. Convites para encontros mais para o Norte e de preferência no seu bar de alternos , com mulheres e copos disponíveis.

Adelaide tinha tomado conta do negócio e a sua experiência de mulher da vida muito batida ajudava a controlar e a organizar uma cenas de sexo com as miúdas escolhidas pelos árbitros que visitavam Balboa no seu estabelecimento.

Cartola desconfiava da situação e andava assustado com o negócio, mas a doença tomou conta dele e perdeu força, muito embora comandasse todas as operações e estabelecesse estratégias a partir do seu leito, com a cumplicidade do seu fiel adjunto António."

Para o adepto atento do futebol não é difícil identificar as personagens da ficção de Neves, nem o clube a que se refere, nem outros elementos voluntários ou não, desse processo.

É aqui que se coloca outra questão relevante: condenando inequívocamente quaisquer tipo de ilícitos, dentro ou fora do futebol, se há um clube a disputar todas as provas que os usa, sem que quem de direito lhe ponha termo, ficam todos os restantes concorrentes legitimados ao exercício das mesmas práticas por  direito de igualdade de oportunidades e de legítima defesa.

Aqui chegados, constatamos, pelo exemplo do desprezado futebol, a razão primordial da crise que vivemos; ausência de Lei! E sem lei não há Democracia! Ausência de Democracia  é Totalitarismo.

Foi para isto que fizeram o 25 de Abril? Para sermos gozados por Cartolas, Balboas e Seminários?

É tempo de pôr termo a isto!

Por:Eduardo Dâmaso/ Octávio Lopes (in CM de 16 de Março de 2013)

O presidente demissionário do Sporting, Godinho Lopes, protegeu o seu antigo ‘vice' Paulo Pereira Cristóvão ao não dar instruções para que o clube rescindisse o contrato de prestação de serviços com a empresa Businlog, a que estava ligado o ex--inspetor da PJ.

No requerimento de abertura de instrução que apresentou no processo em que é acusado dos crimes de branqueamento, burla qualificada e peculato, Rogério Alves, advogado de Cristóvão, é claro: o clube nunca rescindiu o contrato ou esboçou a mínima contestação aos valores pagos, logo não há prejuízo.

"O Ministério Público decidiu sindicar e pôr em causa os contratos, quando as próprias partes nunca o fizeram", escreve Rogério Alves, sublinhando a inexistência de um dos elementos essenciais ao crime de burla, ou seja, não há  era o Ministério Público que se deveria intrometer em qualquer incumprimento contratual entre relações contratuais particulares".

Na prática, o advogado alega que Paulo Pereira Cristóvão deve beneficiar da ausência de queixa por parte do Sporting que, de resto, não só não se queixou como não rescindiu os contratos assinados com a Businlog pelos então elementos do conselho diretivo verde-e-branco, Carlos Barbosa e Nobre Guedes.

Sobre a questão dos árbitros, Cristóvão alega não ter cometido qualquer crime, apesar de a lista dos juízes da Liga, que foi colocada na internet, ter sido apreendida nas buscas ao seu lugar de trabalho, no Estádio José de Alvalade. No requerimento de abertura de instrução, Cristóvão remete a prática do crime para o casal de funcionários do Fisco apontados pela investigação da Polícia Judiciária como fontes do ex-‘vice' leonino para obter elementos pessoais dos árbitros.

O casal de funcionários, um dos quais reformado, chegou a cumprir medidas de coação noutro inquérito.

Vítor Viegas, sócio de Paulo Pereira Cristóvão nas empresas, descartou--se da questão dos árbitros de futebol, dizendo que a sua parte do trabalho passava apenas por "controlar" os jogadores e dirigentes sportinguistas, de quem tinha moradas e matrículas. E chegou mesmo a atribuir o desaire desportivo da equipa principal ao facto de o seu trabalho ter terminado.

António Barreto

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