domingo, 23 de dezembro de 2012

O “Estádio Nacional”

 


Uma notícia publicada no CM em 16.12.2012 assinada por J.A.R. (COMLUSA), atribui ao ex-empregado de Joaquim Oliveira, ex-Administrador da SAD do Porto, ex-Presidente da Liga e atual Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Sr Fernando Gomes (FG), declarações onde afirma a sua convicção do apuramento da Seleção para o próximo mundial, ainda que com dificuldade, e defende o termo da realização da final da Taça de Portugal no Estádio Nacional “devido à falta de condições de segurança e comodidade.”
 Sendo relativa a importância da comodidade nos estádios, a sua segurança é matéria da maior relevância justificando-se que ambos suscitem a atenção do Presidente da FPF com vista à identificação de todos os constrangimentos inerentes e sua resolução. A insistência na contestação que se tem verificado por parte do lóbi portista à realização da final da Taça de Portugal no Estádio Nacional e as ligações de FG ao mesmo, levam-me a concluir que o argumento não passa, afinal, de um mero pretexto.
No plano meramente desportivo o lóbi “liderado” pelo Sr Pinto considera uma desvantagem para os seus a disputa da final da Taça num estádio localizado mais perto dos mais prováveis adversários, nomeadamente, pela presumível maior afluência de adeptos destes.
Mas, estou certo, que o maior obstáculo é de outra natureza:
 O objeto de culto que domina este trabalho, um Estádio integrado num complexo desportivo, pertence ao domínio dos ícones que, desde o séc. XX, têm congregado as maiores e as mais heterogéneas multidões; o desporto, com predominância para o futebol, é, para além da religião, aquele que constitui um dos objetos da cultura popular contemporânea mais estudados pelas ciências sociais. (...) O futebol surge como suporte de investimentos simbólicos que se inserem numa construção, mais global, das identidades coletivas. Os clubes e respetivas equipas, constroem imagens estereotipadas das comunidades, simbolizando, desse modo, as formas específicas da existência social. Além de elementos de identificação emblemática, os clubes são também veículos de negociação com o exterior (a sua existência depende do confronto com outras equipas), colocando, por via da representatividade, a comunidade em confronto com outras comunidades. Por esse motivo, revelam-se elementos fundamentais para a construção/ reconstrução das identidades coletivas.” 

Na dissertação de André Cruz “O Estádio Nacional e os novos paradigmas de culto” donde retirei os estratos acima, levanta-se a ponta do véu; o futebol foi capturado pelo já referido lóbi - que passarei a designar de “cruzados” em contraponto à ostensiva e pejorativa denominação de “mouros” com que os “azuis” classificam todos os portugueses a sul do mondego -, usando-o na desconstrução de elementos estruturantes da Identidade Nacional presentes no desporto, tentando a todo o custo construir, em simultâneo, uma identidade regional centrada, abusivamente, nos plastificados êxitos desportivos do seu clube, semeando ódio e ressentimento entre os portugueses, pela via do desporto. 

Foi esta, quanto a mim, a verdadeira razão da “guerra” que o sr Costa desencadeou contra o ex-Selecionador Nacional, o competente e digno Filipe Scolari, que, contra sua vontade, uniu todos os portugueses em torno da Seleção Nacional e do símbolo máximo da Nação Portuguesa: a Bandeira Nacional! Ao Sr Costa, aos seus correligionários e a muitos regionalistas, tal como aos traidores, não convêm os elementos agregadores dos Portugueses. Tal é o caso do Estádio Nacional! 

A Taça de Portugal comummente designada por “Festa do Futebol”, efetivamente, aproxima e solidariza os portugueses através dos respetivos clubes, abolindo quase completamente as fronteiras entre escalões, levando os “grandes ” aos locais mais remotos, com seus “mágicos” da bola, e dando aos “pequenos” a possibilidade de os baterem, até ao desfecho final, onde, perante os mais altos dignitários da Nação, poderão com brio e honra, disputar o troféu. Esta competição é pois um tributo à Nação e o Estádio Nacional é símbolo do sentimento Patriótico. São estes os verdadeiros motivos do Sr Fernando Gomes enquanto “cruzado”. 

Enquanto Administrador da SAD do Porto, Presidente da LPFP e Presidente da FPF, que fez FG pela salvaguarda da segurança e comodidade no futebol?

·         Que fez FG para evitar as agressões de que os adversários do seu clube são vítimas, nas imediações do estádio, no interior do mesmo ou no terreno de jogo, quando lá se deslocam?

·         Que fez FG para garantir a punição dos bandidos que semeiam o terror entre todos os que, correligionários ou não, desagradam ao putativo “gerente de caixa”?

·         Que fez FG para garantir a punição dos que se deslocam aos estádios adversários para os incendiar e agredir os respetivos adeptos?

·         Que fez FG para dissuadir os mentores do chauvinismo no futebol que não hesitam em ameaçar explicitamente os dirigentes que teimam em defender a universalidade dos regulamentos desportivos?

·         Que fez FG para impedir que os árbitros que mais erram em favor do seu clube sejam os que mais facilmente sobem na carreira?

·         Que fez FG para providenciar a melhoria das condições de segurança e comodidade no Estádio Nacional?

·         Que interesses defende FG enquanto Presidente da FPF? 

Cidadão e benfiquista, acuso-o de consentir a compulsiva e discricionária punição dos Dirigentes e Atletas do meu clube pelos órgãos das instituições a que preside ou presidiu, quase todos conotados com o seu clube; de consentir no financiamento da LPFP com a aplicação de sucessivas multas ao Benfica por razões claramente discriminatórias face aos restantes adversários; de defraudar as espetativas dos Dirigentes adversários do seu clube ao convencê-los do seu empenho na luta pela regeneração do futebol; de omissão do seu dever de denunciar e combater o chauvinismo no futebol. 

Da Wikipédia: 

“Inaugurado a 10 de Junho de 1944, o Estádio Nacional foi uma criação do Estado Novo, que procurava com este novo recinto não só a promoção da prática do desporto, mas também a criação de um espaço para manifestações públicas inspiradas nos princípios políticos vigentes.

Para que o projeto do ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, fosse uma realidade, foram consultados diversos arquitetos, entre os quais, Francisco Caldeira Cabral, Konrad Wiesner, Jorge Segurado e Miguel Jacobetty Rosa. A este último é apontada a “paternidade” do projeto do Estádio de Honra.
Influenciado por obras como o Estádio Olímpico de Berlim, a edificação do Estádio Nacional levou cinco anos a ser concluída - desde a planificação (1939) até à sua construção -, sendo, mais tarde, inserido no Complexo Desportivo do Jamor, uma ilha verde no seio da Área Metropolitana de Lisboa.

Em 1967, o Estádio Nacional foi escolhido como anfitrião para a prestigiada final da Taça dos Campeões Europeus. O jogo foi disputado entre o Celtic Football Club e Inter Milão. Os escoceses venceram por 2-1 e levaram para casa a primeira Taça conquistada por um clube não latino.
Este complexo serve de Estádio oficial para a Seleção Portuguesa de Futebol mas, devido à sua degradação, os jogos oficiais da seleção não são realizados nele.
O Estádio Nacional recebe todos os anos a final da Taça de Portugal, que se diz ser o ex-libris do futebol português.
No Estádio Nacional, a simplicidade do detalhe arquitetónico contrasta com uma conceção global inspirada numa monumentalidade que exalta o nacionalismo próprio do período histórico em que foi concebido.
Embora estejam afastadas do espírito dirigista que animou as celebrações do nazismo, parece de todo o interesse referir o movimento que, no Euro 2004, originou a proliferação de símbolos patrióticos, com a utilização exaustiva de bandeiras nacionais.
Claro que o Estádio Nacional, mais tarde ou mais cedo será demolido, pela simples razão de se tratar de uma obra simbólica do Estado Novo, intolerável aos falsos profetas da Liberdade e da Democracia, que, hipocritamente, invocarão razões de segurança e comodidade para apaziguar as dormentes consciências, depois de, pacientemente, o deixarem apodrecer. 

Como diz a canção; a mim não me enganas tu, a mim não me enganas tu, a panela ao lume e o arroz está cru…
 


http://www.youtube.com/watch?v=wjQsUWVM9kI&feature=player_detailpage


AB 

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