domingo, 28 de setembro de 2014

Causas

A adesão de vários jovens europeus, incluindo portugueses, ao Estado Islâmico, tem sido difundida na comunicação social, mas nem por isso debatida, excepção feita ao "O Diabo"  de 23 de Setembro  no qual, o Cardeal Patriarca de Lisboa Dom Manuel Clemente, refere, numa peça da pág. 10, que, "A adolescência e a juventude são idades muito propícias a não aderir a nada ou a aderir totalmente a alguma coisa. São idades de definição, de sentido de vida. Se na nossa sociedade, agora falando na Europa não damos aos adolescentes e aos jovens mais do que coisas de consumo imediato, é natural que alguns deles procurem de outra maneira escoamento para essa disponibilidade para o todo, para o grande rasgo."
      Dom Manuel Clemente, com a autoridade da sua imensa sabedoria e do seu cargo eclesiástico, com sentido de oportunidade e sem mastigar palavras e conceitos, identifica um dos grandes equívocos desta Europa elitista, burocrática e centralista; que o objetivo último das sociedades humanas reside no bem estar proporcionado pelo induzido consumo acéfalo e compulsivo. Não!, o homem, precisa de causas comuns enobrecedoras, que na Europa parecem ausentes.
      Recordo as cínicas e humilhantes declarações do Presidente da Comissão Europeia ao anunciar a "generosa" dádiva comunitária a Portugal de 26 MME no âmbito do novo QREN, quando temos visto o nosso aparelho produtivo a ser desmantelado pelas sucessivas directivas comunitárias. Negligentemente, imoralmente, os partidocratas, alienados dos seus eleitores, sob os mais variados pretextos pretensamente altruístas ou de competitividade, condicionam cada vez mais o acesso às profissões e à actividade empresarial, que assim reservam às afortunadas clientelas, condenando milhares de pessoas incluindo milhares de jovens à marginalidade e indigência.
      Não admira pois, que os inimigos do ocidente procurem capitalizar esta insatisfação ou, revolta, nem que muitos adiram às suas bárbaras causas, na expectativa de integrarem uma comunidade onde sejam bem-vindos, rejeitando a mesma cultura que os excluiu.
      Recordo as palavras de uma jovem portuguesa aderente do EI, ao referir, de metralhadora na mão, sentir-se tratada como uma princesa. É assim; para muitos, antes príncipe ou princesa por um dia, apesar da morte certa, que capacho toda a vida!
      Bom seria que a Europa voltasse a ser um lugar de esperança para todos em vez de fonte de exclusão e marginalidade.

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