domingo, 26 de outubro de 2014

A origem da farsa do aquecimento global

A falsificação da história climática
a fim de "provar" o aquecimento global
      

por John L. Daly [*]

"Whan that Aprille with his shoures soote -
The droughte of March hath perced to the roote,
And bathed every veyne in swich licour
Of which vertu ungendred is the flour;"

- from The Canterbury Tales, by Geoffrey Chaucer, 1386

"Our years are turned upside down;
our summers are no summers;
our harvests are no harvests!"

- John King, an Elizabethan preacher,1595
Introdução

Em 1995, o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) editou, com grande publicidade, o seu relatório quinquenal sobre as alterações climáticas [10] . Nele aparecia esta afirmação hoje tristemente célebre: há "uma influência humana perceptível sobre o clima do planeta".

Figura 1. No seu relatório anterior de 1990 [33] o IPCC apresentava uma estimativa acerca do modo como o planeta havia evoluído não só durante os 95 anos anteriores como também durante os últimos mil anos. Assim, apresentava-se o gráfico (figura 1) das variações de temperatura desde o ano 900 dC.

Este gráfico assevera que as temperaturas durante o Óptimo Climático Medieval foram mais elevadas que as actuais (como sugere os "Contos de Canterbury" de Geoffrey Chaucer). Mostra também que fazia bastante mais frio durante a Pequena Era do Gelo (como sugere o rei John). Registos históricos provenientes de toda a Europa e da Gronelândia atestam a realidade destes dois acontecimentos e do seu impacto profundo na humanidade. A colonização da Gronelândia pelos vikings no início do milénio, por exemplo, só foi possível graças ao calor que se fazia sentir na época medieval. Durante a Pequena Era do Gelo, estas colónias da Gronelândia desapareceram. Na mesma época, o Tamisa gelou muitas vezes. Testemunham-no as múltiplas "feiras do gelo" que se realizavam sobre o rio gelado.

Os períodos do Óptimo Climático Medieval e da Pequena Era do Gelo dependem de certa maneira daquilo que se considera "quente" e "frio" em relação às temperaturas actuais. Os seguintes períodos dão-nos uma aproximação:
  • Óptimo Climático Medieval: 700-1300.
  • Período frio: ("mínimo de Sporer"): 1300-1500.
  • Curto aquecimento climático: 1500-1560.
  • Pequena Era do Gelo: ("mínimo de Maunder"): 1560-1830.
  • Curto período mais quente: 1830-1870.
  • Curto período frio: 1870-1910.
  • Período quente do século XX: 1910-2000.
Figura 2. A actividade variável do Sol é uma das causas mais prováveis dos dois principais acontecimentos climáticos mencionados atrás. Sobretudo relativamente à Pequena Era do Gelo. Com efeito, existem observações directas do número de manchas solares desde o ano 1600. Estas observações permitem-nos comparar as variações do Sol com o clima do planeta. A figura 2 mostra as variações da actividade solar no tempo. A radiação solar é maior durante o máximo de actividade solar. Os dois acontecimentos reproduzem-se com um ciclo de onze anos.

Quando se observa a variabilidade da actividade solar dos últimos quatro séculos, o mínimo de Maunder constitui a característica mais impressionante. Tratou-se de um período de 70 anos durante o qual não se verificou qualquer mancha solar. Um pouco como se o Sol tivesse "deixado de respirar". Todavia, mesmo antes de 1640, no início do mínimo de Maunder, o ciclo foi nitidamente fragmentado e irregular em relação aos ciclos regulares dos anos posteriores a 1710. Quando se compara este acontecimento solar extraordinário com os dados climáticos da figura 1, verifica-se que o mínimo de Maunder aparece exactamente ao mesmo tempo que as temperaturas mais baixas da Pequena Era do Gelo.

A conclusão é clara: as variações solares foram a causa da Pequena Era do Gelo e, com forte probabilidade, também do Óptimo Medieval. Utilizando o isótopo de carbono 14 como indicador da actividade solar antes de 1600, foi possível pôr em evidência um nível elevado de actividade solar durante o período medieval. Esse nível arrastou a elevação da temperatura. Também sobressaiu um período frio designado "mínimo de Sporer", durante o ano de 1350.

Esta análise histórica do clima contém duas dificuldades sérias para a teoria actual do aquecimento global:

1) Se o período Óptimo Medieval, sem contribuição de gases antropogénicos, foi mais quente do que o dos dias de hoje, qual o espanto por a época moderna ser igualmente quente?

2) Se as variações solares foram a causa simultânea do Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo, a mais forte actividade solar do século XX não explicará, pelo menos em parte, o pretenso calor anunciado?


Estas duas proposições abalam verdadeiramente a crença pública na visão catastrofista dos modeladores do clima. Novas descobertas da ciência solar fazem pensar que foi o Sol — e não os gases com efeito de estufa — que determinou as tendências do clima do século XX.

Figura 3. A ideia segundo a qual o Sol pode modificar o nosso clima foi reforçada por numerosas investigações recentes. Os seus resultados mostram que não são somente os aquecimentos e os arrefecimentos cíclicos do Sol (sob a forma de ciclos de onze anos) que modificam o clima. São também as variações do espectro solar dirigidas para uma radiação ultravioleta mais importante comparada com a do espectro visível ou infravermelho (figura 3) [14-8] .

O aumento desproporcionado da parcela ultravioleta do espectro de radiação solar, afectando a camada de ozono assim como outros componentes atmosféricos, poderia amplificar um aquecimento. Além disso, variações recentes da actividade magnética do Sol influenciam a radiação cósmica que atinge a Terra. Essa influência, por seu lado, modifica as baixas camadas nebulosas e, por consequência, as temperaturas [24] .

Por outras palavras, os especialistas do Sol identificaram actualmente três mecanismos distintos através dos quais a nossa estrela poderia aquecer ou arrefecer a Terra. Pensa-se agora que eles são os verdadeiros responsáveis do Óptimo Medieval, da Pequena era do Gelo e das tendências climáticas do século XX.

Estas novas descobertas solares foram ignoradas pelos teóricos do efeito de estufa. Foram mesmo consideradas por eles com hostilidade. Porque, nestas circunstâncias, os gases com efeito de estufa teriam desempenhado um papel insignificante no aquecimento do século XX.

Em 1999, um artigo publicado na Geophisical Research Letteres (GRL) [16] pretendeu alterar a visão normal da história do clima. Teve igualmente a pretensão de alterar a percepção correcta de a teoria do efeito de estufa abordar o funcionamento do clima. Este artigo começou por produzir um forte abalo nas bases científicas dos especialistas do Sol. O famoso "bastão de hockey" ("hockey stick") foi revelado pela primeira vez. Constituía, de facto, uma fraude científica como se veio a verificar…

O "hockey stick"

Foi como um golpe de estado científico para alterar o conjunto da história climática [16] . O Dr. Michael Mann, do departamento de geociências do Massachusetts Institute of Technology, era o principal autor do artigo da GRL.

Utilizou o cerne de crescimento das árvores (tree rings) – corte transversal das árvores – como base da evolução das temperaturas dos primeiros séculos do milénio passado. Misturou aquela evolução com a evolução das temperaturas dos séculos mais recentes determinada por outros meios (termómetros). Misturou árvores com termómetros. Deste modo, Mann redesenhou completamente a história do clima. Assim, fez desaparecer o Óptimo Climático Medieval e a Pequena Era do Gelo. Como se estes notáveis acontecimentos não tivessem sucedido. Um buraco na memória climática do tipo orwelliano [22] . A figura 4 mostra o clima do último milénio revisto e corrigido por Mann.
Figura 4.
Como se vê, o Óptimo Medieval e a Pequena Era do Gelo desapareceram do mapa por arte mágica. Foram substituídos por uma tendência quase linear de ligeiro arrefecimento até 1900.

A partir daí, ao realizar o seu golpe de magia, Mann enxertou, bruscamente, no cerne das árvores, os dados das temperaturas de superfície do século XX. Segue-se a curva vermelha entre 1900 e 1998 que se vê na figura 4. Esta subida em rampa é, em grande parte, o resultado do efeito das ilhas de aquecimento urbano. A rampa foi enxertada nos cernes "arrefecidos" desde o ano 1000 até 1900. O efeito visual foi espectacular. Descreveu um século XX em plena ascensão climática vertiginosa. Esta linha vermelha prolonga-se até 1998 ("o ano mais quente do milénio", segundo Mann), ano aquecido pelo importante El Niño. Nota-se que os dados de superfície estão em total contradição com os recolhidos pelos satélites [20] . Se tivessem sido utilizados estes últimos para representar os últimos vinte anos, o século XX teria aparecido menos significativo em relação aos séculos precedentes.

Do ponto de vista da ciência e da estatística, o procedimento de Mann é mais do que imperfeito: não é seriamente aceitável que duas séries de dados representando variáveis tão diferentes quanto as temperaturas extraídas dos cernes das árvores possam ser simplesmente confundidas numa única série com temperaturas avaliadas com termómetros.

Em qualquer ramo da ciência, quando se declara uma revisão tão drástica de uma teoria anteriormente aceite pela comunidade científica, assiste-se inicialmente a um vivo debate e a um cepticismo por parte dos cientistas envolvidos. A nova teoria sofre o fogo cruzado da crítica e é examinada à lupa. Só se a nova ideia consegue sobreviver a este processo é que se torna largamente aceite pela comunidade científica e pelo grande público.

Ora, este procedimento normal nunca aconteceu com o "hockey stick". O golpe foi total, rápido e sem efusão de sangue. Com efeito, o artigo de Mann foi aclamado por um coro de aprovação acrítica por parte da indústria da teoria do efeito de estufa. No espaço de apenas doze meses a teoria ficou estabelecida como uma nova ortodoxia.

O coroamento final da nova teoria veio com a sua difusão pelo IPCC no relatório preliminar intitulado Third Assessment Report (TAR 2000) [11] . Rejeitando o seu próprio ponto de vista expresso no relatório de 1995 (vd. figura 1), o IPCC apresentou o "hockey stick" como a nova ortodoxia, sem desculpas ou explicações para esta reviravolta brutal. O IPCC não foi mesmo capaz de explicar cientificamente a sua nova linha.

Nos meses seguintes à publicação do documento do IPCC, o muito esperado documento preliminar da US National Assessment-Overview colocou o "hockey stick" à cabeça dos numerosos gráficos e tabelas do seu relatório. Sublinhou assim a importância crucial desta curva. Não se trata de uma teoria esotérica a propósito do passado longínquo, marginal para este debate, mas antes de um fundamento crucial sobre o qual foi montado uma nova ofensiva publicitária a favor do aquecimento global.

O " hockey stick " levanta duas questões:

1. Porquê a comunidade científica do clima deixou de efectuar a revisão crítica da validade da nova teoria, ao ponto de adoptá-la sem questionamento e na sua totalidade?

2. Haverá algo nela de verdadeiro? Ou será um meio de se desfazer dos embaraçosos Óptimo Medieval e Pequena Era do Gelo, e consequentemente evitar o problema do papel do Sol na história climática?

As origens do "hockey stick"

O cerne das árvores constitui o indicador principal do "hockey stick". Em particular, para o início do segundo milénio. Os cernes formam-se somente durante o período de crescimento e não durante todo o ano. Assim, dizem pouco sobre o clima ou mesmo nada sobre o clima anual. Por exemplo, em 2000, houve no nordeste dos Estados Unidos um Inverno quente e uma Primavera precoce. Seguiram-se um Verão e um Outono inabitualmente frescos. Como os dois acontecimentos se anularam em grande parte, o ano acabou por ser, para as estatísticas, um bom ano médio. Mas os cernes registaram apenas o Verão frio e deram deste modo uma informação completamente falsa sobre a temperatura média anual. Os cernes não registam mesmo as temperaturas nocturnas porque a fotossíntese produz-se apenas durante o dia. Entretanto, as temperaturas invernais e nocturnas são componentes essenciais acerca da noção da "temperatura média anual".

Tudo o que um cerne nos pode dizer é se as condições micro ambientais combinadas durante o período de crescimento foram favoráveis ao crescimento da árvore ou não. Com efeito, os cernes são influenciados por numerosos factores além da temperatura, tais como as precipitações, a exposição ao Sol, a nebulosidade, os insectos parasitas, a promiscuidade, os fogos florestais, os nutrientes, o gelo e a neve. Deste modo, os cernes não constituem um bom indicador das temperaturas diárias para além de alguns meses do período de crescimento. Existem melhores indicadores proxies, de longe superiores, como os isótopos contidos nos corais, no gelo, nos minerais e nos sedimentos marinhos.

As árvores apenas se desenvolvem em terra pelo que nada podem informar sobre o clima marítimo. Ora, 71 % do planeta é revestido pelos oceanos, mares e lagos. Conhece-se que os oceanos são dos principais factores determinantes das condições climáticas do planeta.

Noutros termos, não é simplesmente possível descrever a história do clima sem considerar as temperaturas dos Invernos, dos meses adjacentes e das noites. Assim como a da superfície dos oceanos.

Os cernes, mesmo que cuidadosamente medidos e examinados, não podem fornecer qualquer informação sobre aqueles parâmetros chave. Fornecem pois registos proxies a utilizar com precaução mesmo quanto a temperaturas diárias terrestres do Verão.

Um último ponto fraco aparece quando se calibra os cernes de crescimento com as temperaturas. Qual temperatura é exactamente representada pela medida da largura ou da densidade de um cerne? Pode-se somente determiná-la ao calibrar os cernes recentes com as temperaturas reconhecidas para a época. Ora, isto é problemático porque quando se fala de "temperaturas conhecidas", pode tratar-se de uma série de temperaturas fortemente contaminadas pelas ilhas de calor urbano ou de outros erros locais. Se as temperaturas padronizadas são falsas, toda a reconstrução das temperaturas através dos cernes para um passado longínquo fica comprometida. A "dendrocronologia" – estudo dos cernes das árvores – é um dos numerosos sub-ramos das ciências do efeito de estufa. Este sub-ramo particular prosperou e conseguiu ser aceite por uma grande parte da comunidade científica do clima apesar de debilidades dos registos proxies.

No que respeita à Europa e à Gronelândia, o IPCC e o US National Assessment não põem em causa a existência do Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo pois eles estão demasiado bem registados em outros indicadores proxies e testemunhos históricos. Todavia, estes acontecimentos são agora apresentados como puramente regionais circunscritos à Europa e à Gronelândia e totalmente ausentes noutras partes do mundo.

Em geral, os fabricantes do efeito de estufa antropogénico não têm em conta as provas históricas. Pretendem dizer que se tratam apenas de "anedotas". Contudo, afastar provas tangíveis em favor de indicadores proxies contestáveis como os cernes das árvores é sugerir que não se pode confiar na objectividade de historiadores profissionais.

A objectividade vem do modo como se trata a prova e não da natureza da prova propriamente dita. Os historiadores podem também ser objectivos como qualquer cientista. A maior parte deles considera verdadeiramente o seu trabalho como uma ciência. Como notou um cientista finlandês a propósito de um acontecimento militar, que se desenrolou no passado longínquo da Finlândia, " se o gelo "anedótico" é bastante espesso para conter um exército completo podemos deduzir como conclusão objectiva que repousa num facto histórico documentado que o gelo era espesso e duradouro".

Deduções semelhantes podem ser feitas algures no Mundo. Por exemplo, se populações inteiras passaram fome por causa da seca, podemos deduzir uma redução das precipitações. Neste caso não são necessários indicadores proxies que até nos poderiam induzir em erro. Quando sabemos que uma população foi devastada por grandes inundações pode-se deduzir um acréscimo das precipitações. Que os polinésios tenham sido capazes de povoar ilhas do Pacífico graças à navegação, permite também tirar conclusões climáticas.

Se os partidários do efeito de estufa antropogénico não têm coragem de considerar o Óptimo Medieval e a Pequena era do Gelo como inexistentes na Europa é porque as provas históricas são muito pesadas. Uma tal afirmação quanto à Europa teria sido acolhida com escárnio. Se bem que os especialistas do efeito de estufa antropogénico considerem os indicadores proxies como mais objectivos que as "anedotas" históricas, este ponto de vista é partilhado somente pelos seus pares. O resto da comunidade académica, os governos e a opinião pública (a comunidade mais importante) concedem mais crédito à prova histórica obtida por uma investigação séria.

Se o IPCC fosse sincero relativamente às informações completas sobre o clima do último milénio, isso implicaria que os historiadores trabalhassem os dados que determinariam os climas anteriores tais como foram observados e vividos pelas sociedades humanas. O que assusta certos partidários do aquecimento global é que os historiadores encontrem o Óptimo Medieval e a Pequena Era em todo o planeta e que os governos e a opinião pública prefiram os testemunhos históricos aos cernes das árvores.

Na formulação inicial de Mann, o "hockey stick" aplicava-se apenas ao hemisfério Norte. Todavia, a US National Assessment reproduziu o gráfico de Mann com um novo título que sugere que se pode aplicar à escala mundial e não somente hemisférica [19] . A figura 5 mostra a versão de Mann revista e corrigida.
Figura 5.
Aparte a "mundialização" subtil do título do gráfico, esta versão omite as largas margens de erro incluídas no gráfico inicial de Mann ( figura 4, a amarelo). Estas margens de erro eram a única indicação de Mann de que a sua hipótese podia estar errada. Mann reconhecia assim que os dados anteriores a 1400 eram incertos. A ideia segundo a qual a temperatura mundial de há mil anos podia ser calculada com uma precisão de 0,1 ºF na base de um número limitado de cernes simplesmente não é crível, por qualquer critério razoável.

O US National Assessment não teve em consideração qualquer destas questões e utilizou todo o seu peso para sustentar uma nova teoria com a afirmação seguinte: "Novos trabalhos mostram que as temperaturas dos decénios recentes são superiores às de outras épocas, pelo menos para os últimos milhares de anos" NACC Overview, p.11).

Mann havia tirado uma conclusão semelhante no resumo do seu artigo inicial: "Os nossos resultados sugerem que o fim do século XX constitui uma anomalia no contexto pelo menos do último milénio. Os anos 90 e 1998 foram o decénio e o ano mais quentes, com níveis de confiança moderadamente elevados".

Esta afirmação era dramática e inflexível. Apenas admitia uma alusão às incertezas próprias ao conjunto da sua análise. Não houve vozes discordantes se exceptuarmos as dos cientistas já catalogados como sendo de todo cépticos quanto ao aquecimento global. A última afirmação segundo o qual "1998 foi o ano mais quente do milénio" era exactamente aquela que os proponentes das alterações climáticas desejavam ouvir. Serviria para repetir nas próximas conferências do Protocolo de Quioto.

O "hockey stick": verdadeiro ou falso?

Para refutar o "hockey stick" basta simplesmente demonstrar de modo conclusivo a existência do óptimo Climático Medieval e/ou da Pequena Era do Gelo.

Para tal pode-se recorrer a provas históricas e/ou indicadores proxies provenientes do mundo inteiro. Segundo o princípio da "refutação" da ciência, uma prova física substancial que contradiz uma teoria é suficiente para "refutar" essa teoria. Deste modo, apresentam-se seguidamente várias provas físicas convincentes que demonstram a existência do Óptimo Climático Medieval e a Pequena era do Gelo. Estes acontecimentos não foram apenas realidades climáticas. Eles verificaram-se globalmente em todo o planeta.

Figura 6. Prova nº 1: Mar dos Sargaços

L. Keigwin [12] realizou a datação pelo radiocarbono de organismos marinhos dos sedimentos dos fundos do Mar dos Sargaços (uma área popularmente conhecida pelo nome de "Triângulo das Bermudas"). Demonstrou que as temperaturas da superfície do mar eram há quatrocentos anos cerca de 2 ºF mais baixas do que hoje (Pequena Era do Gelo). E que as temperaturas da superfície do mar eram cerca de 2 ºF mais elevadas há mil anos do que hoje (Óptimo Medieval). Os dados mostraram também que durante o período de há 500 anos aC (que se designa por Óptimo Climático Holoceno), as temperaturas eram 4 ºF superiores. Tudo isso sem gases com efeito de estufa antropogénico (figura 6). Esta área do Mar dos Sargaços situa-se bem longe da Europa-Gronelândia.

Prova nº 2: Mar das Antilhas

As medidas dos isótopos de oxigénio nos esqueletos de corais efectuadas em Porto Rico por Winter et al. [32] permitiram comparar as relações isotópicas actuais com as do passado longínquo. A calibração dos isótopos dos corais como indicador proxy das temperaturas da superfície do mar foi feita através dos registos das temperaturas actuais dessa superfície na região de Porto Rico no período de 1983-1989. Deste modo, os investigadores puderam analisar os corais para temperaturas das fases conhecidas da Pequena Era do Gelo: 1700-1710, 1780-1785 e 1810-1815. Eles descobriram que, durante a Pequena Era do Gelo, a temperatura da superfície do Mar das Antilhas era de 2 ºC a 3 ºC inferior às de hoje. Era uma redução verdadeiramente considerável para se imaginar que se tratou de um fenómeno apenas local.

Figura 7. Prova nº 3: Mauritânia

A partir de uma perfuração ao largo do Cabo Branco (Mauritânia), os investigadores de Menocanal et al. [6] recuperaram sedimentos dos fundos oceânicos. A partir deles, examinaram numerosas amostras minerais e biológicas. De acordo com o Abstract (resumo) do artigo,
"Dados biológicos das variações das temperaturas da superfície do mar ao largo do ocidente da África informam-nos acerca de uma série de bruscos arrefecimentos, à escala do milénio, que marcaram o período quente do Holoceno. Estes acontecimentos provêem de maneira evidente de uma advecção (transporte na horizontal) importante em direcção ao Sul de temperaturas mais frescas, ou de águas subpolares neste local subtropical, ou de importantes "upwellings" locais. O mais recente destes acontecimentos foi a Pequena Era do Gelo, entre 1300 e 1850 dC, quando as temperaturas da superfície do mar subtropicais baixaram 3 ºC a 4 ºC."
Obteve-se assim um perfil das temperaturas oceânicas durante 2500 anos muito semelhante ao do Mar dos Sargaços. A figura 7 mostra claramente a existência do Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo. De facto, de Menocanal et al. identificaram dois períodos de clima mais frio coincidindo com dois períodos frios similares revelados no Mar dos Sargaços.

Tanto o Óptimo Medieval como a Pequena Era do Gelo estão bem representados em toda a Bacia do Atlântico Norte desde os trópicos até à América, à Europa e às regiões polares (Gronelândia). Isto representa uma enorme parte do hemisfério Norte e é quase impossível que o clima, algures neste hemisfério, tenha podido anular o efeito destes acontecimentos numa qualquer média hemisférica.

Prova nº 4: Quénia

No Quénia, Verschuren et al. [29] extraíram sedimentos do fundo do lago Naivasha (a norte de Nairobi). Os autores afirmam no Abstract:
"Os nossos dados indicam que, no milénio passado, a África equatorial de leste alternou as condições climáticas contrastadas: um clima bastante mais seco que o actual durante o Óptimo Climático Medieval (1000-1270 dC) e um clima relativamente húmido durante a Pequena Era do Gelo (1270-1850 dC) interrompida por três episódios secos prolongados".
Os investigadores determinaram as medidas do nível histórico do lago e da sua salinidade a partir dos indicadores proxies nos sedimentos lacustres (figura 8). Podemos ver o pico da pequena Era do Gelo (final do século XVII, meados do XVIII). Estes resultados confirmam os dados do Mar dos Sargaços e do Cabo Branco. Durante o Óptimo Medieval, do ano 1000 até 1200, o lago conheceu claramente um período de seca prolongada. Hoje, o nível do lago está aproximadamente a meio dos dois extremos. Esta conclusão é importante porque sugere o mesmo para o clima actual.
Figura 8.
Prova nº 5: Glaciar de Quelccaya (Peru)

Os cilindros de gelo retirados deste glaciar, de alta altitude, continham isótopos de oxigénio 16 que são um bom indicador das temperaturas existentes da época em que se formou [23] . A Pequena Era do Gelo destaca-se nitidamente. Já o Óptimo Medieval é menos pronunciado do que noutros locais. Mas mesmo assim, esta indicação mostra claramente que o século XX não que foi mais quente do que anteriormente à Pequena Era do Gelo. Com efeito, certos picos de temperaturas medievais são mais elevados do que as temperaturas recentes (figura 9).
Figura 9.
Como o Peru está situado no hemisfério Sul, temos aqui uma prova directa de que estes fenómenos climáticos notáveis do milénio anterior não se circunscreveram ao hemisfério Norte.

Prova nº 6: Formosa e China

Na Formosa, Kuo-Yen Wei et al. estudaram sedimentos lacustres similares aos do Quénia. Revelaram-se novamente as marcas do Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo [13] . Segundo o resumo do artigo,
"A alternância das camadas claras e escuras dos sedimentos provenientes de diversos lagos montanhosos faz aparecer em grande escala ciclos de humidade e de seca nos últimos dois mil e quatrocentos anos (Chen et al., 1993; Lou et al., no prelo). A periodicidade de 450 anos assim detectada é semelhante à da oscilação solar: o Óptimo Climático Medieval (1000-1300 dC) e a Pequena Era do Gelo (1300-1850 dC) foram detectados (Lou et al., no prelo). Estes dois acontecimentos também foram identificados pelos dados da polinização da Cadeia Central (Liew et al., 1995)."
Os investigadores referiram-se ao estudo dos dados anuais e sazonais dos cernes das árvores:
"O estudo dos cernes de pinheiros da Formosa permitiu-nos reconstruir as temperaturas históricas estivais e invernais da região montanhosa durante os últimos trezentos anos. Foi demonstrado que o clima frio prevaleceu durante a Pequena Era do Gelo (Tsou et Liu, 1995)."
Enfim, na sinopse dos numerosos indicadores proxies estudados na Formosa e arredores:
"Durante os últimos dois mil anos, o clima tornou-se mais quente e mais húmido no Óptimo Climático Medieval (1000-1300 dC). Os dados dos cernes confirmam também a influência da Pequena Era do Gelo (1300-1850 dC) nas montanhas chinesas da Formosa. As flutuações da humidade nos últimos dois mil e quatrocentos anos, derivadas dos sedimentos lacustres, fazem-nos pensar que os períodos secos e frios reconhecidos coincidem com as maiores calamidades da história chinesa".
O veredicto da Formosa é concludente. A partir de uma variedade de indicadores proxies, encontram-se acontecimentos idênticos. O mesmo acontece a oeste da cintura do Pacífico.

Os investigadores chineses da Formosa estabeleceram um laço entre os principais "acontecimentos das calamidades" da China continental e os acontecimentos climáticos. Estes acontecimentos foram igualmente influenciados pelo clima, segundo Hong et al. [9] . O estudo dos isótopos de oxigénio de uma turfeira do nordeste da China, perto da fronteira norte-coreana, revelou um histórico de temperaturas de seis mil anos. Este foi comparado com indicadores proxies solares do carbono 14, a fim de estabelecer uma relação entre a evolução das temperaturas e as variações solares.

Os investigadores estimaram que as temperaturas eram cerca de 2 ºF mais elevadas do que hoje entre os anos 1100 e 1200. Este período corresponde ao Óptimo Medieval e confirma existência de vestígios de espécies vegetais que não existem normalmente no sul da China. Eles também revelaram temperaturas muito frias entre aproximadamente 1550 e 1750 que corresponde à Pequena Era do Gelo que se encontra por todo o lado.

Enfim, os investigadores também estabeleceram um laço entre as variações climáticas e a actividade solar visto que existe uma correlação entre o carbono 14 (Sol) e o oxigénio 18 (temperaturas). Por outras palavras, o Sol foi a causa das variações climáticas na China.

Prova nº 7: Japão

Com a prova evidente do Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo na Formosa e na China continental, a detecção dos mesmos acontecimentos no Japão forneceu uma validação útil. Ironicamente, o sítio onde se encontra a maior parte dos testemunhos históricos ou indicadores proxies é nem mais nem menos do que Quioto! A antiga capital do Japão. Citemos alguns trechos dos trabalhos de Tagami [26].
"Acerca do Óptimo Climático Medieval. Houve, sem qualquer dúvida, nos tempos históricos, um clima quente no Japão. Um certo número de trabalhos, como por exemplo o estudo das variações das datas de florescimento das cerejeiras de Quioto, situa aquele clima quente no início do milénio. Todavia, estes dados não nos informam claramente acerca do início e do fim desse clima nem sobre a sua ligação com o clima de outras regiões. Graças aos estudos acima referidos, o Óptimo Climático Medieval do Japão foi reconstituído e o seu contexto foi comparado ao de outras regiões".

"Tratamento das bases de dados e análise. Este estudo utiliza principalmente documentos históricos com dados classificados em duas categorias: o clima sazonal do século VII e o clima diário do século X. Os dados deste último compreendem as intempéries, estados do tempo inabituais, datas de florescimento das cerejeiras, datas de congelamento dos lagos, etc. As intempéries consistem nas secas, chuvas prolongadas, tempestades de neve, Invernos clementes, etc. Estes últimos dados são descritos nos diários dos nobres de Quioto. Permitiram reconstituir o Óptimo Climático Medieval da seguinte maneira: primeiro, foram estabelecidos gráficos do clima sazonal, depois examinaram-se as condições climáticas de cada estação […]"

"Algumas notas sobre o Óptimo Climático Medieval. Os resultados mostram algumas características do Óptimo Medieval. Todavia, embora a tendência do aquecimento tivesse continuado até ao século VIII, o arrefecimento apareceu durante um curto período no final do século IX. Depois um aquecimento estendeu-se do século X até à primeira metade do século XV. A partir deste momento, apareceu um arrefecimento e, mais considerável ainda, a partir do século XVII. Assim, entre a primeira época fria e a últimas, as condições climáticas quentes são evidentes desde o século X até ao século XIV".
As conclusões deste estudo sublinham a importância de não se restringir a um ponto de vista exclusivamente centrado na Europa, privando-se desta maneira de trabalhos válidos realizados nos países não ocidentais. Apesar do estilo aproximado, donde a necessidade de citar in extenso, a conclusão dos investigadores japoneses é clara e sem ambiguidade: houve seguramente um Óptimo Medieval e uma Pequena Era do Gelo que se desenrolaram ao mesmo tempo que noutras partes do Mundo.

Um artigo de J. Magnuson et al. sobre as datas do congelamento e descongelamento dos lagos e cursos de água no Mundo inteiro [15] confirma a existência da Pequena Era do Gelo no Japão. Com efeito, estudando os dados para o lago Suwa observa-se que as primeiras datas de congelação indicam um clima frio e as últimas um clima mais quente (menos frio). Neste estudo, o lago Suwa detém o maior registo de datas de congelamento com dados que remontam até 1443 dC. Isto é, para um período três vezes mais longo que qualquer outra massa de água no estudo.

Segundo Magnuson et al., observa-se também o impacto da Pequena Era de Gelo:
"De 1443 a 1700, o lago Suwa esteve coberto de gelo durante 240 em 243 Invernos (99 %). Mas de 1700 a 1985, apenas 261 em 291 Invernos (90 %).
O período dos "99%" encaixa bem na Pequena Era de Gelo.

Prova nº 8: Tasmânia

A Tasmânia é uma ilha situada a 300 km ao sul da Austrália. Tem uma área igual à da Irlanda. Nesta prova, não só encontraremos a confirmação do Óptimo Medieval como obteremos igualmente uma sinopse das origens e dos defeitos intrínsecos ao próprio "hockey stick".

Ed Cook, um eminente investigador de cernes de árvores, visitou várias vezes a Tasmânia durante os últimos dez anos. Recolheu amostras de uma espécie única de uma árvore de madeira tenra, o "pinho de Huon" (Lagarostrobos Franklinii). Alguns deles com uma vida de mais de mil anos. Devido ao afastamento da Tasmânia em relação ao continente australiano os papers de Cook não foram sujeitos a qualquer crítica que deveriam ter recebido. Com efeito, existiam pequenas imperfeições tanto no tratamento dos dados locais como nas conclusões.

Para calibrar os cernes com as temperaturas, Cook e a sua equipa utilizaram as temperaturas urbanas de superfície reveladas na parte oriental e seca da ilha. Compararam-nas com os cernes recolhidos na parte oeste e húmida, se bem que existissem temperaturas rurais de superfície a oeste (do lado de recolha dos cernes) a partir das quais podiam estabelecer uma comparação mais correcta. Nos seus trabalhos precedentes, o efeito fertilizante do CO 2 não havia sido considerado pelo que invalidaram as suas conclusões desses decénios.

Em 1992, sete anos antes do aparecimento do artigo de Mann, Ed Cook foi o co-autor de um artigo da revista The Holocene [3] . Apresentou aí uma série cronológica de cernes de pinhos de Huon com idades de até 900 anos dC. A figura 10 representa o gráfico desta série.
Figura 10.
Olhando para esta curva, verifica-se que houve fortes crescimentos entre 940 e 1000 e entre 1110 e 1200, durante o Óptimo Climático Medieval. Cook reconheceu este facto no seu artigo.

Estes dados fazem com que a Pequena Era do Gelo pareça fraca. Cook atribuiu esse facto à influência do oceano sobre uma tão pequena ilha.

A evolução do crescimento dos pinhos de Huon não pode ser atribuída somente ao clima. Deve inevitavelmente resultar do efeito fertilizante do CO 2 , fenómeno este que Cook não teve em conta. Todavia, descobriu-se depois que este fenómeno acelerava o crescimento das plantas em qualquer parte do Mundo, exactamente como haviam previsto os biólogos de vegetais. Quando se desqualifica o crescimento que se produziu no fim do século XX, já que este factor não foi tomado em consideração, verifica-se claramente que o clima da Tasmânia era mais quente na época medieval do que nos dias de hoje.

Cook traçou uma curva a traço mais cheio para servir de curva "zero" que considerou em grande parte como sendo de origem não climática. Com efeito, impôs a sua própria visão subjectiva do que significam os dados. Se, por outro lado, a "tendência geral do crescimento" (como ele disse) é climática à partida, então todos os registos indicariam uma marca (imprint) ainda mais forte do Óptimo Medieval.

Neste mesmo artigo, Cook utilizou esta curva como base para reconstituir as temperaturas das estações de crescimento na Tasmânia. Produziu um gráfico rectificado por um "filtro de banda estreita" ('low-pass filter') de 25 anos. A semelhança deste gráfico com o "hockey stick" de Mann é notável. A figura 11 mostra este processo estatístico.
Figura 11.
É importante a explicação de Cook quanto ao modo como ele converteu o gráfico das larguras dos cernes (figura 10) em gráfico das temperaturas (figura 11). Com isso, fez quase desaparecer o Óptimo Medieval. Calibrou o resultado dos cernes em temperaturas de superfície ao considerar valores de três estações meteorológicas da Tasmânia: Hobart, a capital (130 000 habitantes), Launceston (70 000 habitantes) e Low Head Lighthouse, sobre a costa Norte. Hobart é uma ilha de calor urbano (devido à densidade populacional) [21] . Launceston é afectada pelo mesmo motivo. Low Head é caracterizada por uma anomalia diária [4] . Nos últimos decénios, verificou-se uma elevação da temperatura diária devida ao crescimento da vegetação que se encontra próxima dos instrumentos de medida que provocou um microclima. A partir destes dados problemáticos, Cook desenvolveu a sua própria reconstrução.

Figura 12. A própria geografia da ilha falseou os seus trabalhos. A Tasmânia possui duas regiões climáticas distintas: um clima fresco e húmido a oeste e um clima mais quente e seco a leste. O contraste entre estes dois climas é nítido para quem visita a ilha (figura 12).

Os pinhos de Huon estão no oeste, perto do monte Read, numa região muito pluviosa. As três séries de dados de calibração da temperatura pertencem ao leste mais quente e mais seco. Se bem que o tratamento estatístico utilizado por Cook tenha sido elegante e esotérico, os dados problemáticos das temperaturas de superfície invalidaram todo o trabalho de reconstituição.

Tudo isto serve para verificar que esta falha fundamental também afecta os resultados do " hockey stick ". De facto, este repousa principalmente nos cernes das árvores, em particular para a primeira metade do milénio. Os cernes são calibrados com temperaturas de superfície do hemisfério Norte. Eles próprios estiveram fortemente contaminados pelas ilhas de calor urbano e por outras anomalias locais. Um outro defeito de tais tentativas de calibração aparece com o efeito fertilizante do CO 2 que melhora o crescimento dos cernes e introduz também um erro estrutural cada vez maior na calibração.

Prova nº 9: África do Sul

Num artigo recente do South African Journal of Science [27] , Tyson et al. desenvolveram uma base de dados histórica a partir de isótopos de oxigénio 18 (um indicador proxy de temperaturas), de isótopos de carbono 14 (um indicador proxy da actividade solar) e de dados de densidade de coloração obtidos a partir de uma estalagmite. Esta, cuja datação é bem estabelecida, situa-se numa gruta do vale de Makapansgat. Os autores explicaram:
"O clima do interior da África do Sul era aproximadamente 1 ºC mais fresco durante a Pequena Era do Gelo e mais quente 2 ºC durante os extremos do Óptimo Climático Medieval. O tempo foi variável durante todo o milénio. Consideravelmente mais durante o aquecimento dos séculos X ao XIII. Acontecimentos extremos revelados por estes dados apresentam relações distintas e com semelhanças aos de outras partes do Mundo, nos hemisférios Norte e Sul ao mesmo tempo".
Tyson et al. situaram o Óptimo Medieval entre pouco antes do ano 1000 e 1300. As temperaturas médias eram de 6 ºF a 7 ºF mais elevadas do que hoje. Estes autores situaram a Pequena Era do Gelo entre 1300 e 1800 com temperaturas médias de 2 ºF mais baixas que actualmente.

Os autores atribuíram causas a estes dois acontecimentos:
"As temperaturas mais baixas registadas na África do Sul durante a Pequena Era do Gelo coincidem com os mínimos de Maunder e de Sporer relativamente às radiações solares. O aquecimento medieval coincide com os máximos isotópicos do berílio 10 e do carbono 14 cosmogónicos das radiações solares registados nos cernes de outras partes do Mundo durante o Óptimo Medieval".
Este estudo sul-africano reafirma a influência das variações solares sobre o clima da Terra. Todas as variações climáticas que estes autores constataram correspondiam a variações contínuas do Sol.

Prova nº 10: Idaho, EUA

Num estudo sobre os cernes, F. Biondi et al. [1] utilizaram um registo de dados de 858 anos de um indicador proxy para as temperaturas de Verão do centro-este de Idaho. Como se mencionou anteriormente, os cernes não constituem uma medida fiável das temperaturas anuais. O estudo de Mann não salientou este facto como devia ter feito. Biondi encontrou períodos de "arrefecimento extremo" por altura de 1300, 1340, 1460 e depois de 1600. Isso confirma as conclusões de outros trabalhos da provas precedentes. Estes detectaram pequenas eras de gelo: uma menor durante o mínimo solar de Sporer e uma segunda (a principal) durante o mínimo de Maunder (século XVII).

Os autores afirmam também: "Nem os dados dos instrumentos, nem os dos indicadores proxies dos vales do nordeste de Idaho mostram um aquecimento inabitual durante o século XX". Esta afirmação põe em causa a "ponta" do "hockey stick" que apresenta o século XX, ao mesmo tempo, sem precedentes e o de aquecimento mais rápido. Nomeadamente, a afirmação dos investigadores é confirmada pelos dados das temperaturas rurais de longo prazo provenientes de Ashton, no este de Idaho (figura 13). Em cem anos, verificaram-se poucas variações da temperatura confirmando as afirmações de Biondi.
Figura 13.
Prova nº 11: Argentina

Certos trabalhos (Villalba, 1994 [30] ; Cioccale, 1999 [2] ) confirmam a existência do Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo na Argentina.

Nas regiões centrais da Argentina, houve um clima quente após 600 dC até perto de 1320. Tal clima permitiu às populações estabelecerem-se e cultivarem nas mais elevadas altitudes, durante o Óptimo Medieval. Depois de 1320, notam-se duas "manifestações repentinas" de frio. Durante a segunda (a principal Pequena Era do Gelo), os glaciares do Sul dos Andes começaram a avançar de tal modo que os habitantes tiveram de fugir das altitudes elevadas. Segundo Cioccale, "As duas manifestações repentinas de frio podem estar respectivamente ligadas aos mínimos de Sporer e de Maunder". O Sol foi então, uma vez mais, responsável por estes acontecimentos bruscos.

A Argentina completa um círculo descrito em pleno hemisfério Sul, até à Tasmânia depois de passar pela África do Sul. Por consequência, os nossos dois acontecimentos climáticos realizaram uma volta pelas latitudes médias do hemisfério Sul, depois da sua presença manifesta no hemisfério Norte.

Prova nº 12: Califórnia, EUA

Nos trabalhos de 1993 [25] , cernes de coníferas subalpinas do sul da Serra Nevada (Estados Unidos) foram utilizados para reconstituir as temperaturas e as precipitações depois de 800 dC. A reconstituição das temperaturas estivais mostrou um período, pouco depois de 1100 a 1375, correspondente ao Óptimo Medieval, com valores ultrapassando os do fim do século XX. Houve também um período de temperaturas baixas de 1450 a 1850, na altura da Pequena Era do Gelo.

Prova nº 13: Ilhas do Índico oeste

Dullo et al. [7] estudaram os esqueletos de corais de recifes da Reunião (ilhas Mascarenhas), de Mayotte (arquipélago das Comores) e de Madagáscar. Os dados isotópicos de oxigénio foram calibrados com os dados locais de instrumentos de medida a fim de estabelecer um indicador proxy das temperaturas históricas marítimas de superfície. O registo de dados mais longo de Madagáscar, que remonta a 1640, revelou claramente o impacto da Pequena Era do Gelo. Revelou também a marca do indicador meteorológico conhecido por ENSO (El Niño Southern Oscilation) com um ciclo de três a cinco anos, tal como nos dias de hoje.

Prova nº 14: Nível dos oceanos

As previsões actuais de elevação do nível dos oceanos são estabelecidas a partir da hipótese de que o século XX conheceu um aquecimento de 0,7 ºC e de um aquecimento suplementar futuro previsto pelos modelos. Na base desta afirmação, o IPCC estimou que o nível do mar já subiu 10 cm a 25 cm no decurso destes cem últimos anos. Esta estimativa repousa em grande parte em cálculos de modelos. Porém, o aquecimento do século XX foi menor devido a erros de cálculo dos modelos e de dados obtidos por estações meteorológicas pouco fiáveis (urbanização, etc). Como tal, o nível do mar no século XX não sofreu, de facto, qualquer subida significativa [5] .

Todavia, é razoável admitir que um aquecimento significativo provocaria a elevação do nível dos oceanos e que um arrefecimento, pelo contrário, provocaria um rebaixamento. Tanto num caso como noutro, devido à expansão e à contracção da massa da água oceânica. Embora com reservas, aquele raciocínio segue a par das variações dos mantos de gelo das regiões polares que afectam igualmente o nível dos oceanos.

Dito isto, o nível dos oceanos oferece um indicador proxy que permite determinar a existência do Óptimo Medieval. Um aquecimento global desta amplitude deveria ter causado uma elevação do nível dos oceanos. Do mesmo modo, a Pequena Era do Gelo deveria ter provocado uma baixa do nível.

Um estudo do nível dos mares realizado por van de Plassche e van der Borg (Universidade Livre de Amesterdão e Universidade de Utrecht [28] ) definiu uma curva média dos pauis (marsh) do Hammock River em Clinton (Connecticut, EUA). A elevação dos pauis foi calculada a partir de análises de foraminíferos de um cilindro de turfa com 1,8 m de comprimento.

As variações do nível do mar foram validadas segundo outras tendências semelhantes, dos últimos 1400 anos, do nível de marinhas de sal situadas a 17 km mais a oeste. Os investigadores concluíram:
"Na base da curva média do nível de água em Clinton. O nível real do mar oscilou de centímetros a decímetros numa escala de tempo secular dos mil e quatrocentos últimos anos e era 25 cm mais elevado cerca do ano de 1050 (Óptimo Medieval) do que à volta de 1650".
A ideia segundo a qual o nível do mar era constante antes do século XX provou-se que era falsa.

Esta diferença de 25 cm do nível do mar entre o período do Óptimo Medieval e o da Pequena Era do Gelo confirma, mais uma vez, a existência dos dois acontecimentos.

Noutros trabalhos acerca do nível do mar [31] , Wang Wen e Xie Zhiren da Universidade de Nanquim, China, analisaram mais de duas mil testemunhas de maremotos que marcaram os dois mil últimos anos da China. Os períodos das dinastias Tang 8618) e Song (960-1279) partilham os picos de maremotos, enquanto os séculos seguintes conhecerem menos acontecimentos deste género. A resposta dos chineses foi de construir diques apenas depois destes períodos de catástrofes. Os investigadores concluíram:
"Uma análise profunda mostra que os picos de temperatura ligados às flutuações climáticas tiveram lugar durante o Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo coincidem com os picos dos maremotos, estes últimos seguidos por uma mais intensa construção de diques. A investigação revela a relação entre clima, nível do mar, maremotos e construção de diques. Por outras palavras, os períodos quentes coincidem com um mar relativamente alto, picos de maremotos seguidos por períodos de intensas construções de diques".
Quando a ciência se perde no caminho…

É agora evidente que a história climática do hemisfério Norte e do conjunto do globo não se assemelha nada ao que é descrito pelo "hockey stick" de Mann. É inconcebível que dois dos maiores acontecimentos climáticos do último milénio – o Óptimo Climático Medieval e a Pequena Era do Gelo – possam ser observados com as mesmas referências cronológicas em tantos sítios diferentes e com uma tal variedade de indicadores proxies por todo o mundo e que tenham sido omissos nos trabalhos de Mann. Uma explicação possível desta diferença reside no facto de que os cernes são inadequados para indicadores proxies de temperatura, o que os especialistas da dendrologia estão pouco dispostos a admitir.

Deve-se colocar as seguintes questões:   Porquê aqueles que se reclamam das referências científicas nos seus domínios apegam-se de maneira tão tenaz a uma descrição do clima histórico que é manifestamente falsa? Porquê apareceram tão poucas contestações à teoria de Mann no seio dos seus pares? Porquê houve uma recusa colectiva do papel do Sol quando as provas publicadas pelos especialistas e examinadas pelos seus pares demonstram uma relação evidente entre variações solares e variações climáticas?

Um folheto intitulado Ser cientista: uma atitude responsável perante a investigação [18] , publicado, em 1995, pela Academia Nacional das Ciências, dos Estados Unidos da América, fornece-nos um conjunto de critérios bem esquematizados a fim de balizar a conduta dos cientistas. Com efeito, estes navegam através de escolhas difíceis e devem eles próprios comportar-se de modo ético.
"A falibilidade dos métodos recorda-nos, e isso é precioso, a importância do cepticismo em matéria de ciência. Os conhecimentos e os métodos científicos, velhos e novos, devem ser continuamente observados tendo em consideração os eventuais erros. Um tal cepticismo pode-se encontrar em conflito com outros pontos importantes da ciência como a necessidade de criatividade e de convicção na defesa de um ponto de vista dado. Todavia, o cepticismo organizado e preciso, tanto como uma abertura a novas ideias, são essenciais para prevenir a intrusão de dogmas ou de partis pris colectivos nos resultados científicos".
Aqui, o cepticismo é erigido em virtude, o que contrasta com o tratamento hostil reservado aos cépticos nas ciências do clima. Entretanto, a defesa contra os dogmas e os partis pris, citados atrás, aplicam-se directamente aos especialistas das alterações climáticas que têm numerosas vezes feito prova de um partis pris no seu trabalho, o que contaminou o processo do exame critico pelos seus pares.

Uma fraqueza corrente dos cientistas, em particular daqueles comprometidos na investigação com impacto público, é o de rejeitar toda a intrusão de alguém na conduta do seu trabalho. O processo de exame da comunidade científica fornece uma barreira eficaz ao exame do público: há uma tendência para considerar o público como pessoas atrasadas que precisam ser ensinadas e não como instruídas. A arrogância intelectual que daí resulta faz dos cientistas uma espécie de clérigos medievais, guardiões de um segredo e de um saber exclusivo, fora do alcance dos olhos indiscretos do público. Uma tal atitude, corrente em cientistas mal formados, é imperdoável dado que a maior parte da investigação é financiada pelos dinheiros públicos. Isto, todavia, não impede esses cientistas de adoptar uma visão possessiva dos seus resultados. O folheto da Academia das Ciências coloca-se na defesa:
"Preenchendo estas responsabilidades, os cientistas devem ocupar tempo a comunicar os conhecimentos à sociedade, de modo que o público possa avaliar as investigações com conhecimento de causa. Por vezes, os investigadores reservam-se eles próprios esse direito, considerando os não-especialistas como não qualificados para estabelecer tais julgamentos. Nomeadamente, a ciência não oferece se não uma janela acerca da experiência humana. Enquanto defendem a honra da sua profissão, os cientistas devem procurar evitar colocar num pedestal o saber científico obtido com meios públicos".
Isto é uma crítica directa ao "cientismo", uma crença mantida por muitos cientistas de que o conhecimento não adquirido por cientistas profissionais é conhecimento sem valor. O cientismo é uma afronta às pessoas livres quando nega o direito do público de julgar o trabalho da ciência, mesmo quando este trabalho é financiado pelo dinheiro dos contribuintes. É uma fórmula que mantem os cientistas acima da crítica e irresponsabiliza-os perante toda a gente excepto os seus pares. É uma visão anti-democrática do mundo que é claramente contrariada pela Academia Nacional das Ciências.

Entretanto, nas ciências do clima, verificam-se numerosos exemplos de críticas e de preocupações da parte do público que são afastadas através de estatísticas injustificadas e de falsos recursos à autoridade académica.

Quem é Michael Mann?

No momento da publicação do seu artigo do "hockey stick", Michael Mann era professor auxiliar da universidade de Massachusetts, no departamento de geociências. Doutorou-se em 1998 e foi promovido um ano mais tarde, aos 34 anos, a assistente da Universidade da Virgínia, no departamento de ciências ambientais.

Coordenou o capítulo Variações e Alterações Climáticas do relatório do IPCC designado por TAR - Third Assessment Report, 2000. É também um dos autores de vários capítulos daquele relatório, cujo resumo técnico, fazendo eco do artigo de Mann, afirma: "Os anos 90 constituíram provavelmente o decénio mais quente do milénio e 1998 foi provavelmente o ano mais quente".

Mann faz também parte do comité editorial do Journal of Climate e foi o redactor de uma edição fora de série deste periódico. Desempenha também o papel de perito das revistas Nature, Science, Climatic Change, Geophysical Research Letters, Journal of Climate, JGR-Oceans, JGR-Atmospheres, Paleo oceanography, EOS, International Journal of Climatology. Estende a sua acção de perito aos programas de estudo NSF, NOAA e DOE (no sistema de exame pelos pares, com o poder, como árbitro anónimo, de rejeitar os artigos que ele julgar não responderem aos critérios científicos).

Foi nomeado "conselheiro científico" do governo americano (White House OSTP) para as questões das alterações climáticas. O inventário da "visibilidade pública e mediática" de Mann é a seguinte: "CBS, NBC, ABC, CNN, CNN headline news, BBC, NPR, PBS (Nova/Frontline), WCBS, Time, Newsweek, Life, US News & World report, Economist, Scientific American, Science News, Rolling Stone, Popular Science, USA Today, New York Times, New York Times (Science Times), Washington Post, Boston Globe, Irish times, AP, UPI, Reuters e numerosos outros media escritos e televisões" [17] .

A carreira de Mann levanta um grande problema nas ciências climáticas modernas, a saber: a "mediatização" dos cientistas, que lhes permite serem imediatamente promovidos a posições de influência. Um tal sistema conduz a ciência ao nível de Hollywood.

Conclusão

As Provas apresentadas são esmagadoras. O Óptimo Medieval e a Pequena Era do Gelo aparecem claramente nos quatro cantos do Mundo, graças a uma variedade de indicadores proxies: marcadores mais representativos das temperaturas do que os cernes inadequados de Michael Mann.

O que é inquietante no "hockey stick", não é a apresentação que Mann fez à partida. Como para todo o artigo, ele teria caído no esquecimento se tivessem sido desde logo apontados os erros. Pelo contrário, os artesãos do efeito de estufa deram uma aprovação unânime, uma falta total de avaliação crítica da teoria expendida, uma aceitação cega de provas tão pouco sólidas. Havia uma razão e uma só: eles abarcaram uma teoria que dizia exactamente o que eles desejavam ouvir.

Os investigadores do "hockey stick" deveriam recordar-se do "1984" de George Orwell, um drama negro de ficção científica em que um regime totalitário utiliza "falhas de memória" para reinventar a história passada [22] . Nesta era de comunicações instantâneas, não há "falha de memória" suficientemente grande para reverter a verdade histórica do Óptimo Medieval e da Pequena Era do Gelo.
Referências

[1] Biondi F. et al., "July Temperature During the Second Millennium Reconstructed from Idaho Tree Rings", Geophysical Research Letters, v.26, no.10, p.1445, 1998
[2] Cioccale M., "Climatic Fluctuations in the Central Region of Argentina in the last 1000 Years", Quaternary International 62, p.35-37, 1999 (as reported by the Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change - http://www.co2science.org/ )
[3] Cook et al., "Climatic Change over the Last Millennium in Tasmania Reconstructed from Tree-Rings", The Holocene, 2.3 pp.205-217, 1992
[4] Daly J., "The Surface Record: Global Mean Temperature and How it is Determined at Surface Level" April 2000, http://www.greeningearthsociety.org/Articles/2000/surface1.htm
[5] Daly J., "Testing the Waters: A Report on Sea Levels", June 2000 http://www.greeningearthsociety.org/Articles/2000/sea.htm
[6] deMenocal P. et al. "Coherent High- and Low-Latitude Climate Variability During the Holocene Warm Period", Science, v.288, p.2198-2202, Jun 23 2000
[7] Dullo, W. et al., "Stable Isotope Record from Holocene Reef Corals, Western Indian Ocean", Journal of Conference Abstracts v.4 no.1, Symposium B02, http://www.campublic.co.uk/science/publications/JConfAbs/4/164.html
[8] Fligge & Solanki, "The Solar Spectral Irradiance since 1700", Geophysical Research Letters, v.27, No.14, p.2157, July 15 2000
[9] Hong Y. et al., "Response of Climate to Solar Forcing Recorded in a 6000-year delta18O Time-Series of Chines Peat Cellulose", The Holocene, v.10, p.1-7, 2000
[10] Houghton, J. et al. "Climate Change 1995: The Science of Climate Change", Cambridge Univ. Press, UK, 1995
[11] IPCC, Third Assessment Report (draft), January 2000
[12] Keigwin L.D., "The Little Ice Age and Medieval Warm Period in the Sargasso Sea", Science, v.274 pp.1504-1508, 1996
[13] Kuo-Yen Wei et al, "Documenting Past Environmental Changes in Taiwan and Adjacent Areas", Department of Geology, National Taiwan University, 1996. http://www.gcc.ntu.edu.tw/gcc/research/igbp/1996_igbp/sec3-4/3-4.html
[14] Lean J., "Evolution of the Sun's Spectral Irradiance Since the Maunder Minimum", Geophysical Research Letters, v.27, no.16, p.2425, August 15 2000
[15] Magnuson J. et al., "Historical Trends in Lake and River Ice Cover in the Northern Hemisphere", Science, v.289, p.1743, 8 Sept 2000
[16] Mann M.E. et al, "Northern Hemisphere Temperatures During the Past Millennium: Inferences, Uncertainties, and Limitations", AGU GRL, v.3.1, 1999
[17] Mann M.E., Personal Website - http://www.people.virginia.edu/~mem6u
[18] National Academy of Science, "On being a Scientist: Responsible Conduct in Research" , National Academy Press, 1995
[19] National Assessment Synthesis Team (NAST), "Climate Change Impacts on the United States: The Potential Consequences of Climate Variability and Change" - Overview document, USGCRP, June 2000
[20] National Research Council, "Reconciling Observations of Global Temperature Change", National Academy Press, 2000
[21] Nunez, M., "The Urban Heat Island: Some Aspects of the Phenomenon in Hobart", University of Tasmania, ISBN 0-85901-121-6, 1979
[22] Orwell, George, "Nineteen Eighty-Four", Penguin Books, London.
[23] Peru ice core http://academic.emporia.edu/aberjame/ice/lec19/fig19d.htm
[24] Svensmark H., "Influence of Cosmic Rays on Earth's Climate", Physical Review Letters, v.81, no.22, p.5027, 30 Nov 1998
[25] ---, "A 1000-year Record of Temperature and Precipitation in the Sierra Nevada", Quaternary Research, v.39, p.249-255, 1993.
[26] Tagami, Y. Reconstruction of Climate in the Medieval Warm Period http://edcgeo.edu.toyama-u.ac.jp/Geohome/IntN/Abs.htm
[27] Tyson, P.D. et al., "The Little Ice Age and Medieval Warming in South Africa". South African Journal of Science, v96. p.121-126, 2000
[28] van de Plassche & van der Borg, "Sea level-climate correlation during the past 1400 yr", Free University Amsterdam & Utrecht University, http://www.fys.ruu.nl/
[29] Verschuren D., "Rainfall and Drought in Equatorial East Africa during the past 1,100 Years", Nature v.403(6768) pp.410-414, 27 Jan 2000
[30] Villalba, R., "Tree-ring and Glacial Evidence for the Medieval Warm Epoch and the Little Ice Age in Southern South America". Climate Change, 26: 183-197, 1994
[31] Wang Wen & Xie Zhiren, "Historical Sea Level Fluctuations in China: Tidal Disaster Intensity and Sea Level Change", Nanjing University, http://www.chinainfo.gov.cn/periodical/hhdxxb/hhdx99/hhdx9905/990509.htm
[32] Winter et al. "Caribbean Sea Surface Temperatures: Two-to-Three Degrees Cooler than Present During the Little Ice Age", Geophysical Research Letters, v.27, 20, p.3365, Oct 15 2000
[33] J T Houghton, G J Jenkins, J J Ephraums, Eds,, "Climate Change; The IPCC Scientific Assessment". 1990 . Cambridge University Press, p.202

John L. Daly.[*] John L. Daly (1943-2004), cientista de origem britânica, é autor de The Greenhouse Trap (Bantam Books, 1989), e também de artigos e documentos no New Zealand Science Monthly, New Woman, Forest Industries Journal , Norwegian Oil Review, no "Climate Change" (Univ. of Western Sydney) e para o ANZAAS Congress em 1990. Contribuiu para a Industry Commission e a 1996 National Greenhouse Response Strategy Review.


Para uma crítica à metodologia de Mann consultar:
  • Ross McKitrick http://www.climatechangeissues.com/files/PDF/conf05mckitrick.pdf
  • Steven McIntire et Ross McKitrich http://www.uoguelph.ca/~rmckitri/research/trc.html

    O original encontra-se em http://www.john-daly.com/hockey/hockey.htm


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


  • 01/Jun/06

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