quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Um Pai às direitas

Também eu considerei Baltazar um oportunista, atribuindo o seu súbito interesse por Esmeralda, fruto de uma relação ocasional, ao “cheiro a dinheiro” que emanava do casal Gomes, pais adoptivos de facto da criança!

Afinal enganei-me; o coração de Baltazar encheu-se de amor logo que confirmou ser Esmeralda sua filha. E não foi de meias medidas; assumiu por inteiro a paternidade, enfrentando todos os que lhe apareceram pela frente; casal Gomes, Tribunais, meios de comunicação e público em geral, bem como todos os encargos e incómodos consequentes - que não devem ser poucos -. De facto, neste tipo de situações, o mais corrente é ver o progenitor fugir às responsabilidades, deixando a mãe com o filho, de pai desconhecido, nos braços. Baltazar não! Tiro-lhe o boné!

Na hierarquia social dos amores, o de Mãe ocupa o primeiro lugar; pois então não é do seu ventre que nasce e se renova continuamente, a esperança da Humanidade? E não é ela que mais ama, ampara e ensina? Porém, Baltazar pôs os pontos nos is; elevou o amor de Pai ao mesmo nível, numa época em que, o aborto legal, ilegal e o infanticídio surgem cada vez com mais frequência, enquanto o “progresso” se vai instalando nas sociedades e a Mulher prosseguindo na sua caminhada pela libertação social total, a qual, porém, só alcançará quando abdicar da sua condição maior; a de Mãe.

A Mãe de Esmeralda, sem meios para cuidar da menina procurou entregá-la para adopção a quem os tivesse; e o casal Gomes parece ter meios económicos e aptidão afectiva! Tiro-lhe o Boné; afinal demonstrou a todos, com singeleza e amor, que há alternativas ao aborto.

O casal Gomes, reagindo tenazmente à antevisão da uma eventual amputação afectiva, julgando defender os interesses da menina, não abdica da sua condição de Pais afectivos, sustentada pelos cuidados e carinho de vários anos, tenta fazer valer os seus pretendidos direitos sobre a menina. Na verdade, também eles dão uma demonstração comovente de amor, Amor Maior - como canta a nossa Amália -; pois não é que, em vez de recorrerem à modernas técnicas de procriação - inseminação artificial, in vitro, barriga de aluguer - perceberam que eram capazes de Amar outro ser que não do seu sangue? Que não da sua carne? Ele há Amor Maior? Eu acho que não!

Só não perceberam que, Pai, há só um e é o Baltazar. Verificada sua a idoneidade e sinceridade por quem de Direito, devem deixar partir a menina pois em nada afectará a sua relação afectiva com ela, sendo que, Baltazar, já declarou publicamente que nunca oporá quaisquer obstáculos a essa relação. E como podia? Afinal ficará uma grande família, onde todos ganharão, em particular, Esmeralda.

Passadas todas estas atribulações, Esmeralda, há-de, um dia, orgulhar-se carinhosamente de todos e ser feliz...se Deus quiser!

Quanto ao nosso sistema judicial, mais uma vez se cobriu de ridículo pela demora e pelos constantes avanços e recuos. Do mal o menos, se, finalmente, decidir em benefício da menina, não deixando de ter em conta a sua vontade e os pareceres de Pedo-psiquiatras idóneos.

Gostaria que os nossos governantes, e a população em geral, percebessem bem o significado de tudo o que está a acontecer e daí tirassem as devidas lições, fazendo-os reflectir nos seus projectos sócio-políticos, deixando para trás as disputas de poder. Evitaríamos muitas “dolorosas cabeçadas”, como a legalização, de facto, do aborto generalizado e a patetice da manipulação genética. Afinal há por esse Mundo muitas crianças a necessitar de carinho e muitos adultos disponíveis para os acolher e amar.

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