quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Partido do Norte

Não sei se Portugal precisa de um partido do Norte. Mas não reconheço a Pinto da Costa qualquer espécie de idoneidade para o reivindicar, arvorando-se em alegado defensor dos portugueses do Norte. O protagonismo que tem tido nas últimas décadas nas manobras de bastidores do futebol nacional, retiram-lhe qualquer réstia de autoridade para se queixar do centralismo lisboeta. Não tem credibilidade porque utilizou as prerrogativas democráticas para centralizar no Porto o poder efetivo do futebol nacional, revelando total desprezo pelos adversários, sujeitando-os à sua ilimitada e doentia ambição. No entanto, esta faceta política, constitui um dos pilares centrais da sua estratégia, que tem dado bons frutos ao Futebol Clube do Porto. Esta autoproclamada representatividade do Norte, serve os interesses de vários alegados notáveis do Porto e outros defensores da regionalização, muitos dos quais parecem não hesitar em subordinar as leis da República aos interesses da alegada região Norte e do seu espúrio clube representante. Assim, a principal vantagem do FCP face aos adversários é de natureza política uma vez que, alem do controle efetivo das instituições desportivas de que é beneficiário líquido, goza de uma certa passividade, a meu ver, covardemente cúmplice, das instituições que têm a incumbência de combater a corrupção desportiva. Na verdade, sabem, que o fim da corrupção no futebol traduzir-se-á numa perda desportiva do FCP que será utilizada como instrumento político de afrontamento do Governo e restantes órgãos de soberania, com consequências eventualmente imprevisíveis ao nível da agitação social. Parece pois que, a continuada falta de verdade desportiva no futebol nacional, e não só, é entendida plos principais agentes políticos e económicos como útil e necessária à estabilidade da Pátria. E é assim que muita gente parece pretender construir o progresso. E é também assim que muita outra gente descrê desta nossa terceira República.

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