sábado, 16 de fevereiro de 2013

Esperneando na própria teia

Acabou-se o ciclo da "fina ironia". As graçolas idiotas que os profissionais da bajulação, temendo perder as lentilhas diárias, designavam por "fina ironia", deixaram agora de ter graça, pelo excesso de ridículo de que se revestem.
Tendo declarado recentemente que "só os burros criticam os árbitros" a figura sinistra do futebol, veio agora a terreiro criticar João Ferreira, árbitro do último Benfica-Porto, considerando-se com este gesto, implícitamente, burro!
É a opinião que tenho há muito. Só um burro é incapaz de entender que, para as pessoas normais, a efetiva motivação das vitórias é ganhar o respeito dos outros, principalmente dos adversários. De nada servem quando suscitam o desprezo geral. São como a água salobra; não matam a sede e pesam na consciência. 
E porque critica o Sr Pinto o João Ferreira? Porque a sua agremiação político-desportiva não foi capaz de ganhar ao Benfica, o qual se superiorizou grande parte do jogo e esteve à beira da vitória, com dois tentos em que esfrangalhou toda a defesa contrária. Vai daí, como tantas e tantas vezes tem acontecido, não só no futebol, considera o bacano, que o juiz da partida deveria ter fragilizado o adversário, retirando-lhe dois elementos, porque a sua equipa tem de ganhar! Ora esta não é uma atitude digna de quem aspira a ser campeão.
Em total descontrolo, insinuando  parcialidade premeditada  de João Ferreira, Pinto invocou a escuta - única - em que Filipe Vieira, respondendo às sugestões de Pinto de Sousa, de árbitros para o jogo da final da Taça de Portugal, revela confiança em Ferreira, depois de manifestar a sua revolta pela hostilidade que os árbitros em geral tinham tido para com o seu clube. Pinto sabe bem que era prática corrente nestas finais o árbitro ser nomeado com a concordância prévia dos dois finalistas. E muito bem. 
Mas com que lata vem este bacano invocar escutas inócuas de outros, quando ele próprio é figura central de dezenas delas que mostram inequívocamente a sua influência miserável sobre elementos das entidades organizadoras e árbitros em proveito do seu pseudo-clube? Escutas estas que em qualquer país decente lhe teriam valido pena de prisão, só evitada pela inoportuna revisão dos códigos civil e penal proporcionada pela estúpida cumplicidade partidária. 
Como é possível que nenhum portista ilustre denuncie a afaste este alegado sociopata da Presidência dum clube outrora honrado? Será que as vitórias valem a desonra? Como é possível que tal comportamento não suscite censura maciça da generalidade dos comentadores desportivos e jornalistas em geral? Como é possível a passividade e até cobertura ativa dos organizadores e supervisores do futebol? Como é possível que a tutela se conforme com estas práticas recusando-se a perceber quão perniciosas são para o país?  
É possível, pela cobardia, pelo oportunismo, pelo ressentimento. É possível, pela falta de sentido de Estado, pela falta de respeito pela Nação, pela contaminação dos poderes de facto das adminisrrações pública e local e dos poderes policial e judicial. É possível, num país exíguo, onde a justiça é uma utupia mas, por isso mesmo, onde a revolta é possivel.
AB
      

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