segunda-feira, 4 de março de 2013

A ressurreição de Jesus por Joseph Ratzinger

 
 
Bento XVI (hoje Papa Emérito)
 
Capítulo IX: A Ressurreição de Jesus da Morte

"A fé cristã fica de pé ou cai com a verdade do testemunho segundo o qual Cristo ressuscitou dos mortos."

"Somente se Jesus ressuscitou é que aconteceu algo de verdadeiramente novo, que muda o mundo e a situação do homem . Então Ele, Jesus, torna-Se o critério em que nos podemos fiar; porque então, Deus manifestou-Se verdadeiramente."
 
"Que Jesus tenha existido só no passado, ou, pelo contrário, exista também no presente depende da ressurreição."
 
"A ressurreição de Jesus foi a evasão para um género de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para alem disso  - uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem....Na ressurreição de Jesus foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo género de futuro para os homens. Portanto com razão ligou Paulo inseparavelmente entre si a ressurreição dos cristãos e a ressurreição de Jesus - se os mortos não ressuscitam tambem Cristo não ressuscitou. A ressurreição de Cristo é um acontecimento universal, ou não existe, diz-nos São Paulo."

"Óbviamente que a nova leitura da escritura só podia começar depois da ressurreição porque só em virtude dela é que Jesus foi acreditado como enviado de Deus. Então, devia-se identificar ambos os acontecimentos - cruz e ressurreição - na Escritura, compreendê-los de modo novo e, assim, chegar à fé em Jesus como filho de Deus."

"Isto pressupõe ainda que a ressurreição tenha sido, para os discípulos, tão real como a cruz; pressupõe que eles tenham sido conquistados simplesmente pela realidade, que, depois de toda a hesitação e a maravilha inicial, já não tenham podido opor-se à realidade: É verdadeiramente Ele."

"Naturalmente que não pode haver contradição com aquilo que constitui um claro dado científico. É certo que, nos testemunhos sobre a ressurreição, se fala de algo que não ocorre no mundo da nossa experiência. Fala-se de algo novo, algo que, até então era único: fala-se de uma nova dimensão da realidade que se manifesta. A fé na ressurreição não contesta a realidade existente, mas diz-nos que há uma dimensão ulterior, para além das que conhecemos até agpra. Porventura estará isto em contraste com a ciência? Só poderá verdadeiramente existir aquilo que sempre existiu? Não poderá haver uma realidade inesperada, inimaginável, uma realidade nova? Se Deus existe, não poderá Ele criar também uma dimensão nova da realidade humana? Da realidade em geral? No fundo, não viverá a criação na expectativa dessa última e mais elevada "mutação", desse salto qualitativo definitivo? Não aguardará porventura a união do finito com o infinito, a unificação entre o homem e Deus, a superação da morte?"

"E para as poucas testemunhas - precisamente porque elas próprias não conseguiam capacitar-se disso -, foi um acontecimento tão revolucionário e real, tão poderoso ao manifestar-se-lhes que toda a dúvida se desvaneceu , e elas, com uma coragem absolutamente nova, apresentaram-se diante do mundo para testemunhar que Cristo verdadeiramente ressuscitou."

(Continua, com os testemunhos dos Apóstolos)

Sem comentários:

Enviar um comentário