domingo, 8 de setembro de 2013

GUERRA NA ESCOLA!


O ensino transformou-se, desde há muito, num campo de batalha ideológica por excelência. A sua massificação nas sociedades modernas, constitui, em muitos casos, um dos maiores paradoxos do mundo ocidental. A liberdade de expressão e igualdade de oportunidades exaustivamente apregoados pelos poderes dominantes, contrastam com a manipulação ideológica que, formal e informalmente, contaminam e descredibilizam os sistemas de ensino. Tal ocorre, em geral, no sistema de ensino público em Portugal, onde as escolas, sobretudo no secundário e superior, se transformaram numa espécie de madrassas socialistas, fábricas de "chouriços" - salvo seja e salvo exceções - onde, subliminarmente ou explicitamente, são induzidos os fundamentos daquela ideologia e desenvolvida a intolerância face à dissidência relativamente àquela corrente dominante.


Nada mais eficaz para difundir uma doutrina do que dispor de uma legião de professores pacientemente trabalhados desde a adolescência para esse fim nos estabelecimentos de ensino. Tudo, em simultâneo com o enunciado hipócrita da liberdade de expressão, da igualdade de oportunidades e do direito à indignação. Trata-se, afinal, de formatar as futuras clientelas partidárias através do "proletariado" do marxismo moderno: o funcionalismo público; neste caso, os corpos docentes dos estabelecimentos de ensino. É caso para dizer que, quem não tem gato caça com cão!
 
Vem toda esta resenha a propósito do tradicional conflito entre ensino público e ensino privado, agora reeditado, com os esquerdistas a defenderem aquele e os direitistas este. Alegam aqueles que o ensino público constitui a melhor forma de o Estado garantir o acesso de todos os cidadãos à educação, e estes, que este direito não deve colidir com o de livre escolha de cada um.


O modelo de exclusividade do ensino público está na origem da ineficiência histórica do nosso sistema de ensino atual - face aos nossos parceiros europeus, temos um dos maiores rácios professor/alunos, uma das maiores taxas de abandono escolar, um dos maiores custos globais face ao PIB e um dos maiores custos unitários (custo/aluno). Tal ocorre devido a falta de concorrência, traduzindo-se, tal como ocorre noutros sectores - no da saúde, por exemplo -, na distorção da missão da escola que, progressivamente, se foi deslocando do aluno para a super-estrutura. Acresce a constatação do encarecimento contínuo dos encargos diretos e indiretos da educação, nomeadamente da obrigatória, razão central do abandono escolar, constituindo em si mesmo o desmascaramento de um regime hipócrita, demagógico e discriminatório, que querem fazer passar por democrático.
 
Com este modelo ficam os pais e os alunos, reféns dos mandantes do regime - as oligarquias partidárias -, desobrigando-se de refletir, comparar, indagar, questionar e questionar-se acerca da educação que melhor serve as suas aspirações de vida e dos seus filhos. Caem pois por terra as recorrentes acusações aos pais do seu desinteresse pela educação dos seus descendentes!, pois se o sistema vigente lhes é imposto em toda a extensão!...Podemos, aliás, identificar, também aqui, tendências totalitárias que, pouco a pouco se vão disseminando em alguns regimes ocidentais, particularmente na UE, sempre sob o diáfano e largo chapéu "democrático".

Claro que o Estado deve assegurar a todos os cidadãos, TODOS SEM EXCEPÇÃO, acesso à educação, garantindo os padrões vigentes na comunidade internacional, garantindo em simultâneo o direito de cada família escolher o estabelecimento de ensino que mais lhe agrade. Tal deverá ocorrer em modelo misto, em livre concorrência, onde cada estabelecimento tenha que demonstrar continuamente as suas qualidades e capacidades. Deste modo, acabar-se-á com a manipulação do ensino, com as fábricas de "chouriços" de onde todos saem debitando igual e gasto paleio, com os refúgios de inaptos e incompetentes que se fazem passar por sábios, muitos deles sem nunca terem plantado uma flor ou, sequer, um repolho! Trata-se, afinal, do respeito pela soberania de cada um, num amplo quadro de valores comuns, numa sociedade plural, autenticamente democrática.

Evidentemente que, tal não agradaria aos partidários dos sistemas monolíticos ou seus derivados que assim perderiam a formação e controle das clientelas futuras. Mas não é disso que devem tratar as Democracias, pois não?

Sem comentários:

Enviar um comentário