domingo, 6 de abril de 2014

Jogar por fora

O jogo da  1ª mão dos quartos de final da Liga Europa entre o Benfica e o AZ Alkmar, não tendo sido brilhante, foi reconfortante, não apenas pelo resultado mas por, mais uma vez, revelar grande concentração e frieza competitiva por parte dos encarnados. O jogo pareceu-me pouco fluido, com défice de ligação entre setores e demasiada cerimónia na concretização. Esteve muito bem Artur com algumas grandes defesas e esteve bem Sálvio num remate revelador da sua categoria. Notou-se subida de forma de Cardozo do qual se espera um bom final de época e deu-se minutos e visibilidade aos Andrés, que não comprometeram. Uma vitória tranquila, salvo o susto de Amorim, a deixar boas perspectivas para o jogo de 2ª mão. Segue-se nova "final" desta vez com o incómodo Rio Ave, perante o qual todos os cuidados são poucos; é uma equipa tradicionalmente compacta, lutadora com bom jogo de contra-ataque, mas que importa vencer.
 
A turbulência que se tem verificado na Liga, mais não é do que a reação do "sistema" à ameaça de perda de influência relacionada com o monopólio dos direitos desportivos, que tem garantido o financiamento dos clubes insurgentes, a supremacia desportiva do Porto, e bem recheados, os cofres da Sportinvest & Cª. É mais uma vez evidente a importância do controlo, ainda que indireto, dos organismos desportivos pelo Porto, para a sustentabilidade do seu projeto desportivo. Parece não lhes bastar as sistemáticas, ainda que ridículas e desavergonhadas, decisões favoráveis em todos os processos em que têm estado envolvidos os seus interesses, pela FPF. De Louvar a coragem de Mário Figueiredo e agora João Tocha, Director de Comunicação  da LPFP, em fazer prevalecer a legalidade, perante os que se julgam no direito de todos subjugar aos seus interesses. Digam o que disserem, o que está em jogo é a manutenção do poder do Porto para o qual é imperioso o sucesso financeiro do seu acionista de referência Joaquim Oliveira. Meia-dúzia do calibre de Mário Figueiredo, punham o futebol nos eixos.
 
O Braga, que persegue o acesso à Liga Europa, ganhou, já na ponta final do jogo ao condenado Olhanense, com dois tentos obtidos de grande penalidade, a punir falta cometida pelo mesmo jogador. Cheira mal!, e lembrei-me logo de o "A Máfia do futebol", em particular do envolvimento de jogadores no arranjo de jogos. Palpita-me que este Jander  vai longe.
 
No nacional de juniores, o Benfica venceu o V. de Guimarães, continuando na frente juntamente com o Braga que, por sus vez, foi empatar ao Sporting. Já o Porto ganhou ao simpático Leixões mercê de uma grande penalidade vergonhosamente descoberta pelo árbitro da partida que parece ter confundido a cabeça do defesa leixonense, com a mão! Erradicar os vícios do sistema vai ser tarefa demorada!
 
Bem os Bês ao bater fora o Oliveirense por 2-1, graças sobretudo a Lolo e a Bruno Varela, seguindo no topo da tabela. Imparáveis os pupilos de Lisboa ao bater, inapelavelmente, a briosa equipa da Ovarense. Muito bem o hóquei ao bater o Sporting por expressivos 8-2, mantendo-se na senda do 1º lugar. Decepção do vóleibol ao perder por 4-3 com a sempre difícil equipa Fonte Bastardo, sem, no entanto perder a liderança da prova. Concentração e determinação é o que se pede ao andebol para conquistar a vitória no próximo jogo e assim ascender ao grupo dos 2ºs a apenas 1 ponto do 1º.
 
Parabéns ao nosso Simões pelo seu livro, cujas deliciosas peripécias anseio ler e a quem desejo as maiores felicidades.
 
Mohammed Hanzab Presidente do International Centre of Sports Security, deu uma elucidativa entrevista ao Record onde expressa a sua preocupação pelo fenómeno do arranjo de jogos que vai proliferando no futebol mundial, incluindo o europeu - Itália, Turquia, Áustria, Estónia e Inglaterra - e o empenho da organização que dirige na sua prevenção, seja através da mobilização geral dos governos e das organizações desportivas seja pelo recurso a programas informáticos de deteção prévia e sinalização automática de casos de alto risco de manipulação de resultados. Surpreendentemente, Mohammed refere a ausência de sinais suspeitos em Portugal, elogiando, em geral o nosso futebol, em especial Cristiano Ronaldo e Mourinho. O fenómeno parece imparável e capaz de destruir o negócio, com consequências imprevisíveis, que vão muito além das financeiras. Afinal, é ainda o futebol onde muitos cidadãos desiludidos, expurgam as suas mágoas de uma sociedade cada vez mais injusta e prepotente.
 
Com o Benfica caminhando a passos firmes para o seu 33º título de campeão nacional, a desesperada imprensa afeta aos seus rivais, insiste diariamente na publicação de artigos vários, seja de opinião, seja de revelações de fontes clube, tendentes a suscitar instabilidade no universo benfiquista,quer entre adeptos e equipa, seja entre equipa e Técnicos. Um dos exemplos reside num trabalho de João Querido Manha publicado ontem no sport do CM, onde a dada altura, num exercício de maledicência gratuita, refere ser o Benfica o clube que mais finais perdeu. De facto, poderia ter dito que se trata do clube que mais finais disputou - ou perto disso -, o que, convenhamos, tem um significado contrário ao que pretende difundir. E não lhe fica bem!, O mesmo jornal, em artigo de hoje de 1ª página, refere haver um acordo de cavalheiros entre Jesus e Vieira no sentido de proporcionar a saída daquele em caso de proposta favorável, estando em curso a avaliação pelo seu agente, Jorge Mendes, de várias delas. Ainda esta semana, igualmente em 1ª página, o mesmo tabloide, associava Jorge Jesus ao escândalo BPP, através de uma notícia que, parecendo verdadeira, induzia o leitor a, maliciosamente, associar o popular Treinador ao odioso público sobre aquela entidade bancária. Afinal, os resultados de exploração do fundo onde JJ tinha investido umas centenas de milhares de euros - julgo que à volta de 700 mil -, permitem à respectiva entidade gestora  reembolsá-lo, em cerca de 60 mil euros!, é vergonhoso!
 
E assim vai a "praia".

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