quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O "Complexo do Nazareno e a bancarrota"

      Porque não há em Portugal um Comandante negro de submarino?, de outro navio de guerra?, de um navio mercante?
 
      Um deputado português negro, haverá?, não digo líder parlamentar!, um deputadozito de última fila, ao menos!
 
      Ministro negro também nunca houve, Secretário de Estado julgo que também não. E um directorzito?, chefe de gabinete, vá lá!
 
      Primeiro-Ministro, não!, Presidente da Assembleia da República também não e Presidente da República então ainda menos!
 
      Mas já não escandalizaria assim muito ver um Presidente de câmara negro, ou...,seja, um Presidente de Junta de Freguesia!
 
      Negros em Portugal, só no desporto! (com excepções)
 
      Mas nos Estados Unidos da América há negros em todo o lado; comandando submarinos, navios, porta-aviões, nos mais altos cargos das forças armadas e das administrações do Governo Federal e das dos Estados! políticos, advogados, académicos...sei lá...até há um Presidente da República Negro!
 
      Os EUA são uma nação com 231 anos - o Tratado de Paris que pôs fim à guerra com a Inglaterra e reconheceu os EUA foi em 1783. A epopeia marítima dos portugueses que entre outras coisas difundiu os valores iluministas, iniciou-se há cerca de 700 anos!
 
      Ocorreu-me tudo isto ao assistir pela enésima vez a um filme que relata o drama a bordo de um submarino nuclear americano cujo comando é confrontado com uma ordem de disparo dos seus misseis nucleares contra a URSS, cujas forças armadas tinham iniciado já a cronometragem decrescente para lançarem os seus contra os EUA.  Denzel Washington e Gene Hackman são os principais protagonistas e, a certa altura aquele lidera um motim assumindo o controlo da nave.
 
      Foi então que me lembrei de a velha metáfora dos pescadores nazarenos:
 
     Estavam dois pescadores no mar da Nazaré, em plena faina, ao alvor, quando se aperceberam da aproximação de uma lancha:
 
      - À Tóno que barque é aquele?, na é dos nosses!
      - Poi nã Zé!, e bai largar o tról!, filhe duma puta!, passa-me aí o reme!
 
Tóno, brandindo o remo no ar, ameaçador, exclama a plenos pulmões na direção do intruso:
 
      - À Ó!, fora daqui co mar é nosse!
 
      Desconfio que está aqui a explicação do caso e do crónico anacronismo de Portugal.

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