quinta-feira, 19 de março de 2015

Homenagem à Catalunha

      Tantas são as referências idóneas à obra de George Orwell que a sua leitura se me tornou necessária. Depois de "Recordando da Guerra Espanhola" e de "A Quinta dos Animais" seguiu-se o "Homenagem à Catalunha" cuja leitura concluí há pouco, estando em agenda, para já, o Mil Novecentos e Oitenta e Quatro.
 
      Orwell, um idealista que servira nas forças policiais inglesas na Índia, comprometendo-se com os seus ideais de esquerda, combateu como voluntário ao lado dos republicanos na Guerra Civil Espanhola sob a bandeira do POUM; um pequeno partido de inspiração trotskista sedeado em Barcelona, cujas milícias combatiam os fascistas de Franco juntamente com as dos anarquistas do CNT, as das Brigadas Internacionais e o exercito regular dos socialistas do PCOUS.
 
      Uma escrita simples, metódica e honesta, na qual, apoiado no testemunho direto, Orwell descreve a rotina da guerra de trincheiras, onde foi gravemente ferido, e analisa as causas do aniquilamento dos membros, militantes e simpatizantes dos anarquistas e dos trotskistas pelos socialistas, cuja popularidade, em grande parte, lhes advinha do apoio militar que recebiam da União Soviética de Estaline.
 
      Em 1937, em Espanha, os comunistas não toleravam o poder popular preconizado pelo CNT e pelo POUM, cuja doutrina, parcialmente comum, assentava nos princípios da liberdade e da igualdade, não hesitando em recorrer à mentira e à calúnia para exterminar barbaramente os dissidentes. Tal como hoje acontece, por exemplo, em Portugal, os comunistas acreditavam que era possível derrubar o regime capitalista no âmbito da democracia parlamentar, através da, então como hoje, designada "Frente Popular", constituída pelos também designados "Idiotas Úteis"; cidadãos da esfera pública controlados pelos sindicatos com influência na máquina estatal e as principais infraestruturas do país (Homenagem à Catalunha).
 
      Em "A Quinta dos Animais", Orwell, recorrendo a uma pitoresca fábula, evidencia o esvaziamento do discurso da igualdade e o refinamento do processo de manipulação da comunidade, pretendendo caracterizar as sociedades  socialistas, sendo certo que o modelo é também respaldado nas modernas sociedades democráticas.
 
      Venha o 1984.     

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