domingo, 5 de julho de 2015

Há um país!

      Confesso que não dei muita importância à decisão de trasladação de Eusébio para o panteão nacional, cheguei até a pensar que estaria melhor numa capela a erguer no Estádio da Luz, próximo do seu Benfica e dos benfiquistas. Até hoje!, ao ver, na BTV, a solenidade da cerimónia...emocionei-me e ocorreu-me de imediato o sentimento de que, afinal, ainda há um país!, um país de afetos, um país de causas, um país com capacidade para se unir desde que valha a pena!, um país submerso nas águas do oportunismo, da prepotência e da desumanidade, seja dos poderes formais, nacionais e europeus, seja  dos poderes de facto, partidários, económicos, corporativos, etc. Foi, e é, esta, a grande força de Eusébio da Silva Ferreira, o seu último golo;  a sua memória mostra-nos que ainda podemos ter esperança enquanto Nação. Obrigado Eusébio.
 
   Iniciaram-se os trabalhos no Seixal, é reconfortante saber que parece estar tudo em ordem, apesar de subsistirem algumas indefinições quanto a entradas e saídas de jogadores. No animado jogo de iniciação, Guedes foi o primeiro a "molhar e sopa" e Nelson Oliveira marcou dois ou três. Constatando a imponência da figura de Rui Vitória, trajado a preceito, enquanto observava o jogo, ocorreu-me de imediato que, desta vez, ninguém vai ousar prometer um "punhetazo" ao Treinador do Benfica.
 
   A Liga foi a reboque do SCP e do FCP na questão dos árbitros, aprovando o sorteio, faltando agora a ratificação por parte da FPF. Apesar de não me chocar o método - julgo mesmo que é benéfico para o Benfica, tendo em conta alguns casos da época transata -, tal revela um ainda elevado nível de desconfiança nos órgãos das instituições desportivas e como é longo e árduo o caminho que ainda falta percorrer até restituir ao futebol, a credibilidade de que necessita.
 
   Operação Phoenix, é o nome da acção policial contra um grupo de segurança muito especial, com ligações ao FCP, na qual foram detidos vários elementos e apreendida documentação diversa, tendo sido constituído arguido Antero Henrique, Vice-Presidente portista. Aleluia!, há muito que todos sabemos - salvo seja -, que é neste tipo de estruturas que reside a louvada eficácia da, hipocritamente designada, "exemplar estrutura". De facto, quem é o "doido", árbitro, jogador próprio ou alheio, dirigente, agente, que ousa opor-se aos interesses do FCP, consciente da capacidade operacional destas estruturas paralelas? Parece que, finalmente, algo está a mudar.
 
   Para mal dos nossos pecados, quando uma sensação de alívio se vislumbra perante a eminência do fim do tenebroso ciclo de futebol nacional iniciado à cerca de trinta anos, graças à proximidade do final de carreira de Pinto da Costa, eis que,  em desespero de causa, surge Bruno de Carvalho, imitando-lhe o estilo, que não a substância, prometendo um novo ciclo de conflitos e crispação, para gáudio dos seus correligionários e dos meios de comunicação social que deles se alimentam, prontos a esquecer as mais grosseira prepotência e de falta de ética. De facto, se é verdade que, no SCP há capital de origem obscura, de que se fala, Bruno de Carvalho, tal como a UEFA e a FIFA, perdeu toda a autoridade moral que reivindicou quando se insurgiu contra os fundos de investimento.
Afinal, capital bom é o nosso, seja qual for a origem, o dos outros, é sempre mau! Valha-o Deus.
 
   Terminou a travessia do enorme deserto para Octávio , ao ser convidado para a estrutura do seu SCP. Fez mal em aceitar. Revela incoerência. De facto insurgiu-se contra Pinto da Costa por deslealdade e, implicitamente, sancionou a maldade que Bruno de Carvalho fez a um colega, Marco Silva, que a não merecia. Destruiu o capital de simpatia que tinha granjeado com a sua frontalidade. Uma pena.
 
   Boa sorte Benfica!
  

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