15/02/2026 – 18h 45´
O tempo amainou. Sem sol, mas sem vento nem chuva nem frio. O mar está calmo. Estava-se bem na papoa. Li um pouco - A Vitória Traída, segunda leitura - e passei pelas brasas. A Maria jogou solitário.
Pouco a pouco, o caudal dos rios vai normalizando. A reconstrução vai ser demorada e dispendiosa. Segundo consta - foi denunciado pela Joana Amaral Dias -, OGE contempla uma verba de 15 MME para despesas não identificadas. Um saco azul. Certo é que o Governo já meteu entraves às ajudas; pedidos pela net e exclusão de quem tenha dívidas ao Estado. Parece que o PM ainda não percebeu que os recursos administrados pelo Governo são do povo a quem foram extorquidos com os mais variados pretextos.
Uma velhinha, duma aldeia rural, não conteve as lágrimas quando a repórter lhe disse que tinha que pedir ajuda pela net, algo que ela parecia desconhecer! Cinquenta e um anos depois há zonas do país onde o tempo parece ter parado. Inquietante é a aparente indiferença dos governos e classe política em geral. O país esvai-se nas guerras partidárias.
Coimbra, Montemos-o-Velho, ambas as margens do Mondego, foram excecionalmente afetadas pelas cheias. A barragem, cuja construção fora cancelada pela geringonça em 2015, salvo-o-erro, poderia ter mitigado a amplitude das cheias e os correspondentes danos. O principal responsável, a título de recompensa, passeia-se em Bruxelas no seu inútil poleiro dourado.
Marcelo esteve em Coimbra. Com a situação mais desanuviada, elogiou Ana Abrunhosa, a socialista Presidente da Câmara. Foram beber uma pinga de tinto numa tasca. Marcelo aprimorou-se: copo de balão e bochecho. Tranquilo, o seu semblante não refletia o drama do momento. O povo, cada vez mais reduzido à sua condição de eleitor manipulado e contribuinte forçado, digo eu.
Os jornais foram repescar as cheias de 1967 que “o governo quis esconder” (como se tal coisa fosse possível, tal a dimensão da catástrofe!). Enfim, a comunicação social faz juz aos subsídios que recebeu, ou recebe, do governo, desviando as atenções da inépcia da Proteção Civil e Governo, com as “maldades”, alegadamente, cometidas pelo Salazar. Mais um sintoma da falência do regime. Ninguém se lembraria dele outra fosse a realidade.
Acabei de ler o livreco de José Luís de Pina, “Nascido para Mandar”: um pretenso guia prático para ascender à carreira política e progredir na correspondente carreira. Uma ironia algo divertida, que revela um profundo conhecimento do autor dos bastidores informais da política.
Mais sério e preocupante é “O Laboratório Progressista e a Tirania dos Imbecis” de João Maurício Brás, um autor que gosto de ler. O tema do progressismo nas sociedades modernas é recorrente na sua obra. Dá conta da transformação progressista que se instalou nas democracias, a partir dos anos vinte do século passado introduzido por alguns filósofos nas universidades europeias e americanas. Desenvolve o tema do aborto e da eutanásia num contexto de liberdade irrestrita, cuja consequência se traduz no desenraizamento cultural, na desagregação social e na atomização do indivíduo.
A liberdade absoluta não é compatível com a vida em sociedade. Esta implica um compromisso de respeito mútuo só possível com restrições à liberdade individual por um lado, e, por outro, num contexto ético e moral indispensável, apesar da lei.
Aprofunda o tema do aborto e da eutanásia com casos concretos que provocam perplexidade e desconforto. Aborda, também com detalhe, as várias formas “modernas de reprodução, desde o recurso à procriação medicamente assistida, às barrigas de aluguer, aos bancos de esperma e à clonagem. Transito de embriões entre mulheres homossexuais, homens grávidos – transição sexual após gravidez no género feminino – e, finalmente a clonagem celular, que permite, literalmente, fabricar bebés sem interação de humanos. Refere a existência, no norte da Europa, de uma fábrica ou projeto de fábrica, de bebés, com características biológicas a pedido!
A igualdade de género parece implicar a libertação da mulher do fardo da maternidade, mas também, inevitavelmente, da educação. As exigências de carreira são o outro fardo que inviabiliza a educação dos filhos pela família. Finalmente parece viável o requisito liberal oitocentista do domínio do cidadão pelo Estado desde o berço até à cova. Assustador!
Mas não é tudo, a emergência da Inteligência Artificial associada à produção de organismos humanoides, ameaça subalternizar e controlar os humanos e extinguir as sociedades tal como as conhecemos hoje. Aterrador.
O Benfica ganhou nos Açores, 2-1 ao Santa Clara. Mais dois penaltis por assinalar a favor dos encarnados. Os árbitros, VAR incluído, decidem as classificações. O Benfica parece impotente.
Peniche, 15/02/2026
António Barreto

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