O Caso Duarte Gomes
A “A Bola” de 29 de Setembro de 2026 publica uma entrevista com Duarte Gomes feita por Alexandre Pereira, em que, aquele, na página 3 diz o seguinte:
- Houve um árbitro, cuja história e narrativa é pública, que me contou ter sido abordado por um colega nosso, um ex-árbitro assistente internacional retirado há vários anos. No final da jornada 30, esse antigo colega telefonou a um árbitro - ndr: Hélder Malheiro - através de uma vídeochamada para um grupo que tinham em conjunto com outros colegas, e diz-lhe algo como: “Era só para saberes que não é na próxima jornada 31, mas na 32, foste indicado pelo meu presidente – ndr; Paulo Lopo, então na SAD do Estrela – para arbitrares o Moreirense - Estrela da Amadora. E quem vai fazer o nosso jogo seguinte, o da jornada 33 – Amadora - Famalicão – é o árbitro X – ndr: Fábio Veríssimo. Opto por me reservar o direito de não indicar os nomes em questão, por razões de segredo de justiça. Mas não foi um palpite ao ar. Ao que me relataram, aquilo terá sido dito de uma forma muito clara e taxativa. Eram aqueles jogos em concreto.
- Tendo em conta que a primeira abordagem sucedeu 11 dias antes da nomeação oficial,, afigura-se-me que os árbitros têm sido escolhidos por dirigentes de alguns clubes, funcionando o respetivo Presidente como biombo assumindo as nomeações. Para silenciar os queixosos, basta o Conselho de Justiça com as suas de multas e suspensões, sempre draconianas para o Benfica.
Pinto da Costa
O presidente da Federação encaminhou a denúncia para o Ministério Público (MP), estando o caso sob investigação da Polícia Judiciária (PJ). Porém, nada mudou nas aberração das nomeações! Isto pode significar uma de duas coisas: ou os alegados autores estão de consciência tranquila e a informação é falsa, ou estão seguros da proteção das autoridades policiais e judiciais no terreno. O certo é que nada transparece no “reino da Dinamarca”, isto é, na Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP)! Nem vestígios de medo, ou sequer preocupação.
No âmbito da comunicação social, nem jornalistas nem comentadores, salvo uma ou outra exceção, parece darem grande importância ao assunto. É preciso manter a máquina a funcionar, o resto são danos colaterais. Um tal Pedro Sousa, respondeu a quem lhe perguntou o que iria suceder, que iria prosseguir tudo como normalmente!
Se é verdade o que li por aí; que em tempos - lá por 2018, julgo eu -, que Pinto da Costa (Que Deus o tenha) reuniu um grupo de missão que incluía magistrados, agentes da judiciária e jornalistas, para delinearem um plano para acabar com a hegemonia do Benfica, é possível que tal grupo, eventualmente com alterações na composição, ainda se mantenha e seja essa a razão da tal tranquilidade.
O que é certo é que o pirata informático que roubou correspondência ao Benfica e os endossou ao diretor de comunicação do Porto e outro cúmplice, foi protegido pelas autoridades judiciais, com o estatuto de colaborador das mesmas e elogiado publicamente por Ana Gomes, algo que o seu PS não poderia fazer mesmo que estivesse de acordo. Quando, recentemente, lhe foi retira dada a proteção policial, a reação foi de tal ordem que a decisão foi revertida de imediato! De que terão medo? Irão protegê-lo para o resto da vida?
Também certo é que o juiz de primeira instância que recusou a providência cautelar ao Benfica, permitindo que o seu nome fosse arrastado pela lama pelos “homens de mão” de Pinto da Costa, durante cerca de oito meses, é adepto confesso do clube beneficiário. Quando o Supremo Tribunal deferiu o pedido, o estrago, desportivo e económico, estava feito. E a indemnização de 600 mil euros a que o Porto foi condenado, é mais uma provocação.
Por tudo isto, e pelo descaramento com que o Benfica continua a ser prejudicado, jogo após jogo, e por saber que o Benfica é mal amado no quadro político, tenho pouca fé na investigação em curso. Quando muito será sacrificado um bode expiatório qualquer, haverá uma acalmia durante uns tempos, e tudo voltará ao normal, se o Benfica não agir.
Andamos nisto há cerca de 45 anos! Criou-se a Liga para diluir o poder da AFP (Associção de Futebol do Porto) na FPF (Federação Portuguesa de Futebol) e acabar com a pouca vergonha das arbitragens! Resistiu PC acabando por anuir quando garantiu o seu controlo, através do Guilherme Aguiar, nomeado diretor da Liga, da centralização dos direitos televisivos - entregues ao membro do CA (Conselho de Administração) da SAD do Porto Joaquim Oliveira, ironicamente, com assento no CA da SAD do Benfica -, e ainda o controlo da formação e promoção dos árbitros.
Profissionalizaram-se os árbitros, com formação e preparação física e bons salários, porque, coitadinhos, ganhavam muito mal! Adotaram-se as novas tecnologias criando-se a figura do VAR e do AVAR, controlados pelos árbitros que tinham desacreditado a arbitragem. E garantiu-se a impunidade de todos!.
Nada funciona enquanto a Justiça não fizer o que lhe compete; punir os criminosos.
Peniche, 31 de Outubro de 2026
António Barreto

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