Lufada de ar Pestilento
Este Vilas Boas não tem o pedrigree de Pinto da Costa, porém, tal como este foi, VB, não passa de um testa de ferro de algo mais vasto e profundo; das elites locais, políticas e económicas. Consulte-se a composição dos órgãos sociais do FCP-SAD, para compreender melhor.
Por um lado, há um ressentimento histórico do Porto relativamente a Lisboa, que vem de muito longe! Desde o Marquês de Pombal, com o "massacre dos taberneiros", na sequência da criação da Zona Demarcada do Douro, passando pelas primeira e segunda guerras liberais, da guerra da Maria da Fonte/Patuleia, na qual o o Conde das Antas teve papel de algum relevo.
Por outro lado, o FCP tem dimensão política implícita! Essa foi a grande arte de PC! A elevada densidade demográfica da região, a lealdade incondicional dos adeptos ao clube e, claro, ao seu líder, permitiu-lhe, com o seu jogo de palavras associado ao espetro da rebelião, sempre em fundo, garantir a tolerância ativa dos principais partidos políticos.
Contudo, há uma questão primordial: o tema da regionalização, consignado constitucionalmente e desejado pelos grandes partidos, por razões complexas que podem ter contornos venais.
O FCP é o ponta de lança desse processo. A estratégia passa por agregar em torno do clube a população local - os restantes clubes históricos da cidade, Salgueiros, Boavista foram desaparecendo, ou perdendo relevância desportiva e social -, e, através da hiperbolização da guerra com o Benfica, definindo-o como paradigma do centralismo e reminiscência do Salazarismo - "em política, o que parece, é" - e afirmando o FCP como vítima da "longa noite fascista", provocar uma rotura social no país suporte da institucionalização da regionalização.
Se repararmos nas vicissitudes policiais e judiciais ao longo das décadas envolvendo assuntos espúrios relacionados com o FCP - foram muitas e muito graves -, vem à cabeça do cidadão comum a ideia de que, no Porto não se aplicam as leis do país! Que há uma conduta eminentemente leniente, por parte de membros das autoridades, com o propósito de "cavar" a fratura social e institucional.
Um dos maiores exemplos disso é o caso do Madureira! Cometeu, alegadamente, toda a espécie de atos intimidatórios; a árbitros e respetivas famílias, adversários e até a atletas do clube, e ninguém, ninguém, teve a coragem de o meter na cadeia! Quando tiveram que o fazer, o FCP-SAD constiuíu-se assistente na qualidade de lesado (salvo-o-erro)! A querer fazer tolos de todos nós!
Este é o campo de batalha que os dirigentes do Benfica, sócios e adeptos, devem entender e unindo-se, impedirem os enxovalhos ao seu clube reduzindo-o à insignificância. Quando a força social do Benfica tiver impacto eleitoral, tudo mudará.
Peniche 26 de Setembro de 2026
António Barreto
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