sábado, 21 de fevereiro de 2009

Qualificação para a incompetência

Dizem que a crise financeira e económica que se abateu sobre todos os países em 2008, é ainda maior que a de 29! Dizem que teve origem nas imparidades de vários produtos financeiros geridos por bancos de investimento criativos sediados nos EUA, que acabaram por se disseminar por todo o lado, arrastando para a insolvência numerosas entidades bancárias em todo o Mundo, gerando, ao mesmo tempo, uma enorme falta de confiança na generalidade dos cidadãos, resultando sério risco de colapso de todas as economias, sendo que, a Finlândia que já anunciou bancarrota.

Os lugares-chave de todas as entidades envolvidas, em especial nas primordiais, são ocupados por pessoas altamente qualificadas no sector, a ponto de se terem tornado referências mundiais. Alan Greensapan - ex-presidente do FED - figura altamente conceituada foi o primeiro a alertar para um risco de grave crise no sector imobiliário nos EUA; saiu antes de a crise rebentar! O Império Medoff ruiu logo que cessaram os novos depósitos, que lhe permitiam remunerar o capital mais antigo, mostrando que, afinal, a genialidade do Financeiro não passava de um mero esquema em pirâmide, qual Dona Branca à americana! Por todo o lado surgem entidades governadas por “gurus” da finança, altamente qualificados, que caíram no logro. Em Portugal, casos como do BCP, BPN e BPP onde pontuaram figuras inspiradoras de todas as hosanas, revelaram-se apenas como gananciosos trafulhas desfrutando da incompetência das entidades fiscalizadoras, também estas geridas pelos maiores autoridades em matéria bancária.

Há muito que a generalidade dos agentes políticos aponta a necessidade da qualificação académica e profissional como instrumento de progresso económico e social, a ponto de instigarem a população para a necessidade da formação permanente.

A importância para a actual crise, de múltiplas personalidades altamente qualificadas, leva-nos porém a reflectir se, afinal, o processo de sofisticada formação vigente, não é apenas o caminho mais difícil para a incompetência colectiva e individual. Os descobridores dos “maravilhosos” produtos financeiros não foram capazes de perceber a inconsistência dos mesmos, nem os investidores subsequentes, nem as entidades reguladoras oficiais e privadas, apesar de toda a teia de regulamentos aplicáveis.

É necessário refundar todo o processo de formação de forma que não sirva apenas para justificar a ocupação das cadeiras de poder em benefício próprio, mas para qualificar para a vida, profissional e social, considerando parte intrínseca a defesa da dignidade alheia. Tanto mais que a influência da moral religiosa católica se tem vindo a diluir nos tempos actuais, perdendo-se a pouco e pouco uma das melhores referências do mundo ocidental.

O velho Marx afinal tem razão! Dizem que não, que foi apenas batota! Não me parece; a necessidade de descobrir produtos financeiros criativos, tem a ver com a crescente dificuldade de remunerar adequadamente o capital - na proporção inversa da sua acumulação - na economia social, aquela que, efectivamente, contribui para o bem estar de toda a população. É aqui que o Socialismo faz sentido. Que novos caminhos se irão desbravar?

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