terça-feira, 6 de novembro de 2012

Benfica-Guimarães (3-0)

 
Uma vitória do Benfica sem contestação, contra um adversário tradicionalmente difícil pela qualidade de jogo e pela garra que normalmente apresenta. Benfica de ataque maciço, em toda a largura do terreno com as alas muito criativas e o eixo de ataque poderoso, servidos por um meio-campo empreendedor e dinâmico.
 
A falta de precisão nos cruzamentos, denotando alguma ansiedade dos avançados e o bom posicionamento dos defesas vimaranenses na sua sobrepovoada área, dificultaram deveras a finalização. Toscano poderia mesmo ter inaugurado o marcador, não fora a pronta saída de Artur a negar-lhe o tento.
 
Finalmente, Ola John e Tacuara fizeram o que se exige a jogadores de elite; progressão pela ala esquerda, posicionamento cirúrgico, cruzamento milimétrico e cabeceamento mortífero, indefensável. Um excelente lance de futebol, ilustrando o que este desporto deve ser; um espetáculo. Com a equipa mais tranquila e os vimaranenses mais ativos, a dois golos seguintes acabaram por surgir com naturalidade, numa grande penalidade bem executada pelo Tacuara e num tremendo golo pelo fabuloso Lima, numa bomba de pé esquerdo ao 1º poste a passe do parceiro de ataque. Bonito!
 
Esteve mal o árbitro ao não assinalar uma grande penalidade cometida sobre o Lima na 1ª parte e muito mal ao expulsar o jovem André Gomes, impedindo assim o Benfica de dilatar o marcador. Expulsão, aliás, bem na linha do furacão de castigos a que o Benfica tem sido sujeito, a todos os níveis, desde o início da época, algo que já não estranhamos e que, estou convicto, faz parte da estratégia do mostrengo azul de induzir instabilidade no inimigo, graças à cumplicidade de que parece beneficiar dos órgãos das instituições desportivas responsáveis pala competição.
 
A equipa do Benfica desta época apresenta-se com uma frente de ataque bem mais poderosa, tendo melhorado sobremaneira capacidade de progressão pelas alas e maior mobilidade e poder de fogo no eixo. A dinâmica do meio-campo, porém, carece de “afinação” no posicionamento, recuperação, compensações, transição e qualidade do passe, afinação esta que, estou certo, não tardará, dada a qualidade dos atletas para o setor, donde destaco, Matic Enzo e até o André, todos, atualmente, em crescendo.
 
O que me parece, neste momento, prioritário, é o controlo emocional dos atletas em qualquer circunstância, pois só assim será possível manter a concentração tática, o sincronismo coletivo e a qualidade técnica, necessários ao desmantelamento dos blocos defensivos adversários. Foi o que faltou até ao primeiro golo, algo que regresso de Luisão poderá ajudar a superar; fizeram-se muitos cruzamentos, mas de má qualidade, gerando mais ansiedade seguida de mais descontrolo. Um ciclo vicioso que deve ser evitado a todo o custo. Os blocos defensivos ultrapassam-se com criatividade, dinâmica, sincronismo e precisão. Por outro lado, a ansiedade ofensiva conduz à desproteção defensiva, muitas vezes fatal, como foi no lance do Toscano - perdemos os dois jogos com o Chelsea na época passada por erros deste tipo. Também o remate de meia-distância, tem que ser melhorado, induzindo na equipa as movimentações adequadas e no atletas, a convicção necessária ao êxito. Finalmente, o lado esquerdo da defesa, carece de estabilidade muito rapidamente. Nos jogos de alto nível, um falhanço deita tudo a perder…sem apelo nem agravo.
 
Desejo à equipa felicidades para o próximo jogo da Liga dos Campeões que exige concentração e empenho máximos de todos, atletas e público.
 
 
AB

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