domingo, 18 de novembro de 2012

Moreirense-Benfica (0-2)


Foi um Benfica de mangas arregaçadas, taticamente concentrado, com boa ocupação dos espaços, jogando um futebol apoiado, vertical, com a frente de ataque bem aberta, eficaz na recuperação, na qualidade de passe e na progressão.

Face à habitual postura eminentemente defensiva do adversário, com três centrais, dois laterais e dois trincos, apostando no contra-ataque, à envergadura física e agressividade dos adversários, a equipa do Benfica teve grande dificuldade na criação de situações de golo devido à má qualidade do último passe. De facto, este é um capítulo que necessita de ser melhorado, uma vez que, a precisão dos centros e cruzamentos para a área adversária, são indispensáveis para bater as defesas sobrepovoadas com que as equipas que defrontam o Benfica normalmente se apresentam. A certa altura da segunda-parte, o meio-campo perdeu eficácia, graças ao despovoamento de atletas nossos e ao sobrepovoamento de atletas adversários; algo que tem acontecido com alguma frequência e que exige maior disciplina da equipa.

O que mais me agradou foi o coletivo, que apresenta um entrosamento cada vez mais consolidado. Saúdo a entrada auspiciosa do nosso Capitão, que nos contemplou com uma boa exibição e constato com satisfação, a autoridade que Jardel ostentou, revelando cada vez mais confiança e eficácia. Também os laterais Luizinho e André Almeida se mostraram bem integrados na manobra da equipa e seguros nas suas intervenções, afirmando-se cada vez mais como alternativas a ter em conta. Matic e Bruno César encheram o campo e os avançados porfiaram com intencionalidade na procura do golo. Fantástico o remate cesgado de Matic a encher o pé, justo prémio da sua exibição e dedicação bem como o slalom do Gaitan a que Takuara correspondeu com a competência que lhe é habitual.

O Moreirense, jogou em bloco baixo, muito agressivo, revelando os seus atletas grande pujança física, apostando no contra-ataque, produzindo dois belos lances ofensivos; um potente remate de cabeça a rasar o poste, com Paulo Lopes batido e, já ao cair do pano, um remate colocadíssimo ao segundo poste a que Paulo Lopes respondeu com exuberante defesa.

Duarte Gomes arbitrou como um verdadeiro Benfiquista, prejudicando o alegado seu clube de coração, ao perdoar duas grandes penalidades ao Moreirense; uma sobre Luizinho, outra sobre Lima e ao permitir o jogo violento de alguns atletas do Moreirense. Como grande Benfiquista que, alegadamente, é, ainda tenho fé de o ver agraciado pela Associação de Futebol do Porto.

No início da época, cheguei a rebelar-me contra algumas opções de Jorge Jesus, que nos trouxe alguns dissabores, mas hoje dou a mão à palmatória; o Benfica patenteia, algo que teve no passado longínquo e perdeu com a ascensão do mostrengo; a estabilidade desportiva! É óbvio que a aposta continuada em Jorge Jesus, permitiu consolidar um modelo de jogo, e implementar uma política desportiva que abrange não só o plantel principal, onde permanece o núcleo estruturante, como o da equipa B, dos Juniores, dos cedidos e de toda a formação.

Os resultados estão à vista; a saída de atletas estruturantes, tem sido colmatada com eficácia por outros atletas conhecedores do modelo de jogo, confiantes e apoiados pela estrutura da equipa.

Julgo porém que é necessário reduzir  o quadro de atletas profissionais reduzindo a folha salarial e aumentando a competitividade desportiva global.

Recomendo à Direção da SAD, atenção às movimentações da FIFA no debate do tema da intervenção dos fundos mobiliários no financiamento do futebol liderado pelo inefável Platini, que parece proibido em Inglaterra e em Espanha.

É para mim claro desde há muito que o quadro competitivo das seleções tem que ser alterado de forma a não prejudicar as competições de clubes. O quadro atual induz nos clubes um agravamento tremendo do esforço financeiro, com graves prejuízos desportivos resultantes de muitas vezes, em jogos capitais, se verem privados dos seus melhores atletas. Não pode ser! A UEFA a FIFA e as Federações Nacionais, sedentos de receitas, sobrecarregam os clubes, pondo em causa a competitividades destes. Há que pôr fim a isto!

AB

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