domingo, 20 de janeiro de 2013

Além das quatro linhas


A proliferação de publicações desportivas acentuou de forma decisiva os fatores externos de condicionamento dos jogos e consequentemente das respetivas provas. O trabalho específico efetuado junto da opinião pública constrói grande parte do contexto em que os eventos se desenrolam, influenciando o respetivo desfecho, que tende a repercutir os conceitos dominantes.

Em tempo de consolidação e otimização estrutural, chegou o momento de expandir o projeto comunicacional do SLB de forma a fazer frente aos principais adversários que, nesta área, nos levam dianteira desde há muito. 

À boleia das fragilidades da democracia e dos desígnios regionalistas explícitos, o lóbi portista, nas últimas décadas, teceu uma teia de cumplicidades transversal a todos os setores da sociedade portuguesa, nomeadamente na comunicação social, que lhe tem proporcionado o domínio espúrio do desporto nacional perante a incredulidade da população, supostamente liberta da prepotência do regime anterior.

De facto, o patético, saloio e despeitado fundamentalismo portista, encontra paralelismo na doutrina dos movimentos de libertação das ex-colónias, nomeadamente do PAIGC, em que o seu fundador e doutrinador, Amílcar Cabral, apenas considerava povo os aderentes ao seu partido. Os restantes habitantes do território, constituíam a população, à qual foi vedado o exercício de cargos públicos, em muitos casos, o acesso ao trabalho, o acesso dos seus filhos à educação ou simplesmente julgados em tribunal ad-hoc e assassinados sumariamente.

Num  país cujos principais atores políticos e militares se gabam de o ter resgatado dos braços da ditadura e nele restaurado a liberdade, assistimos ao vexame da ostracização da população não portista, do abusivamente autoproclamado território azul! Tal sucede de forma acentuada relativamente aos portuenses Benfiquistas, como atestam frequentes testemunhos que têm vindo a público.

O exercício da liberdade conduziu-nos a esta odiosa discriminação que se vai aprofundando e alastrando na sociedade portuguesa e que consiste em considerar portuenses apenas os adeptos do clube azul, criando um clima de hostilidade a todos os outros, que, com o tempo, acabarão por se afastar ou se converter ao portismo, passando a constituir uma nova categoria de portistas; os portistas-novos!

Entretanto, os restantes clubes históricos da cidade do Porto - Boavista, Salgueiros, Clube da Foz - passaram à irrelevância, ficando os azuis com o monopólio da representação da cidade. Foi esta perversão intolerável, que permitiu a colagem do clube à política regional e seus apoiantes nacionais, os partidos do poder.

 É por esta razão que olegários, proenças, elmanos, dias, xistras & Cª, tanto erram em benefício dos  azuis. É por esta razão que, liga, federação, uefa e fifa, vegetam numa inação protetora. É por esta razão que tribunais, governos, partidos e demais superestruturas do país fazem orelhas moucas aos incómodos protestos das vítimas. Os azuis são um clube político regional difusor de ódio. O Benfica é um clube desportivo universal difusor de fraternidade.

Neste quadro, a comunicação social dominada pelos parceiros azuis, tem tido a profícua missão de manipular a opinião pública a contento destes e pressionar os diversos agentes desportivos e políticos de acordo com os seus propósitos. É tempo de lutar nesta arena com o argumento do peso social do Benfica.

É hora de convocar os Benfiquistas para a missão de defender o seu clube, afirmando os seus valores e desmascarando a trafulhice e o ressentimento, em especial aquelas personagens que se têm destacado pela idoneidade, consensualidade e competência, nomeadamente no exercício de cargos relevantes na sociedade.

Tal é o caso de Bagão Félix, cuja definição de Benfiquismo, quanto a mim, deveria ser adotada pelo clube. Competência, humanismo, cordialidade e capacidade retórica adveniente da sua sólida cultura geral e cristã, fariam dele um embaixador notável do clube.

Bagão Félix tem do futebol a justa medida, vinculando-se ao fascínio da arte inerente, captando a exuberância estética dos grandes lances, cultivando o afeto ao seu clube e a lealdade fraterna ao adversário.  Félix, tem o dom da justa crítica, incapaz de regatear aplauso a quem o mereça, incluindo adversários.

Deveria ser convidado para embaixador do Benfica, o que permitiria colocar ao serviço do clube e do desporto em geral a sua capacidade diplomática junto da opinião pública; fazendo a pedagogia da tolerância e da lealdade pelo desporto; sugerindo projetos para o seu desenvolvimento; desmascarando o oportunismo, a trafulhice e a prepotência que corroem o desporto nacional e agastam a população.

Entregar-lhe-ia sem pestanejar um programa na Benfica TV com total liberdade de ação, onde poderia dar largas à sua enorme capacidade ao serviço do Benfica e do desporto.

Não tenho a menor dúvida de que Bagão Félix se afirmaria como fator de união dos Benfiquistas e dos portugueses, aumentando o peso institucional e social do clube.
Não creio que Bagão Félix necessitasse de qualquer tipo de metralhadora; nem AK 47, nem Dupont.


AB

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