sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Doentias vitórias


Como se esperava, apesar do mau tempo, os norte-coreanos foram passear a Setúbal. Como se previa, regressado do descanso que deveria ter sido regenerador, Pedro Proença - o homem do ano para o “A Bola” - foi o juiz da contenda. Como se adivinhava, recorrentes incidências facilitaram o jogo aos do costume. Como manda a tradição, fora os pífios protestos de José Mota e alegadas altercações de indignados adeptos sadinos, os Dirigentes do Setúbal parece terem engolido silenciosamente as incidências do jogo.

Como é hábito, num ato que faria corar os censores de Salazar, alguns lances decisivos não foram mostrados nas “têvês” do regime. Como consta da doutrina norte-coreana, na semana que antecedeu o confronto, a comunicação social, qual obediente rebanho, tratou de alavancar o ruido saloio das hostes brancas destinado a sustentar, por antecipação, a trovoada desportiva que viria.

Convicto de que o acidentado desempenho de Proença constitui a esperada retribuição por recentes pífias distinções. Indignado perante a total incapacidade institucional de acabar com o estado de indigência e degradação em que vegeta o desporto nacional, em particular o futebol. Enojado perante os hipócritas rodriguinhos escrupulosos de quem tem obrigação de promover a irradicação do tráfico de influências no desporto relativamente aos publicamente conhecidos mentores desta lenta destruição, dei comigo a sentir pena!

Pena dos Adeptos do Vitória de Setúbal, pela tristeza de assistirem impotentes à humilhação do seu clube, consentida devido ao estado de indigência financeira crónica em que se encontra. Pena dos Atletas deste clube, que correm e lutam ingloriamente, impedidos de aspirarem, sequer, a uma derrota honrosa!

Pena dos Atletas do FCP, pela inacessibilidade à honrosa vitória; aquela que suscita respeito e admiração no adversário alimentando a autoestima do vencedor. Pena dos Adeptos do FCP pelo estado de carência que revelam aceitando vitórias manchadas, insuscetíveis de suscitar o respeito dos outros, incapazes de perceber que o valor dos troféus reside na forma como são conquistados.

Pena da indigência deste Portugal, de perpétua mão estendida, incapaz de reagir e punir os bandidos que, lentamente, inexoravelmente, lhe corroem os cofres e a alma em nome de uma nova ordem sustentada no ódio, vítimas de um ressentimento doentio, atávico, paradoxal, perante a retórica democrática emergente da vitória da “luta contra as trevas da ditadura”.

AB

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