quinta-feira, 14 de março de 2013

Paradoxo civilizacional

 
 
 
Os paradoxos do mundo atual sucedem-se, sobrepõem-se, perante a indiferença geral, característica do seguidismo modista, oportunista, e contraditório com os princípios das sociedades efetivamente livres e participadas. Ora então vejamos: 
  1.  A comunidade científica internacional concluiu que o aquecimento global que se tem verificado no planeta nos últimos séculos, se deve ao efeito de estufa provocado pela excessiva emissão de CO2 e outros gases, resultante principalmente do processo industrial.
  2. Perante a gravidade da circunstância, vários países, sob a égide nas Nações Unidas,  reuniram-se em Quioto em 1997 a onde se acordaram estratégias e compromissos  com vista à redução da emissão de gases com efeito de estufa.
  3. Tal compromisso, porém, só vinculou os países intervenientes após a adesão da Rússia em 2004, ao superar-se a quota pré-definida de 55% do total emissões produzidas por 55% dos países aderentes.
  4. Este protocolo enunciou os princípios do comércio de quotas de emissão de carbono mediante o qual, os países com excesso de emissões (industrialmente desenvolvidos), poderiam adquirir créditos ao países com excesso de quota (industrialmente subdesenvolvidos).
  5. Os paises pobres deixarão de se preocupar com a sua industrializazão; bastará vender aos congéneres desenvolvidos a sua quota de emissão.
  6. Com o rendimento assim obtido poderão então comprar-lhes os bens de que necessitem.
  7. Aqui chegados, começa a "cheirar-me a papeis rasgados", pois parece que seremos todos felizes e tal não se coaduna com as lições históricas.
  8. Em sequência, iniciou-se a implementação de nova atividade económica, com a criação de numerosas empresas especializadas no desenvolvimento de tecnologis de redução ou captação dos "gases malditos".
  9.  A crise económica global induziu a redução da emissão destes gases por inerente redução da produção industrial.
  10. Este novo setor da economia entrou em insolvência por falta de procura.
  11. É, pois, necessário aumentar a poluição global para que os especialistas do combate à dita possam rentabilizar o seu negócio!
  12. O caminho para a sustentabilidade planetária implica a redução da produção global através da mudança de hábitos de consumo da população, da alteração dos processos produtivos com adoção de fontes de energia sustentáveis e da redução da intensidade energética.
  13. Faltam novas referências na comunidade liderante planetária, em particular do mundo ocidental.
AB
 
 
(in DN de 11 de Março de 2013)

Crise no mercado do CO2 fecha empresas portuguesas

"Não há mercado de carbono em Portugal", é um dos lamentos que se ouve num sector que, há uns anos, prometia muito, mas que com a crise está agora a sofrer.

O "Público" escreve que "o colapso do mercado de carbono na Europa está a colocar as empresas portuguesas em grandes dificuldades. Algumas já fecharam, outras sobrevivem apenas à custa de clientes no exterior, investimentos que prometiam lucros certos desvalorizaram-se a pique. E ninguém antevê uma solução fácil para o que parecia ser um bom negócio há uns anos, mas agora está nitidamente a sucumbir às circunstâncias".
 
Segundo o jornal "são empresas que tinham um objectivo comercial com benefícios planetários: ajudar outras empresas a reduzirem as suas emissões de carbono, para minimizar o aquecimento global. Mas a crise roubou-lhes os clientes. Com a economia arrefecida, as indústrias estão a poluir menos e, por ora, não necessitam de ajuda. "Não há mercado de carbono em Portugal", afirma Júlia Seixas, co-fundadora da E. Value, consultora da área do carbono que entrou em processo de insolvência em meados de 2012".
 
(In Wikipédia)
 
O Protocolo de Quioto é consequência de uma série de eventos iniciada com a Toronto Conference on the Changing Atmosphere, no Canadá (outubro de 1988), seguida peloIPCC's First Assessment Report em Sundsvall, Suécia (agosto de 1990) e que culminou com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CQNUMC, ou UNFCCC em inglês) na ECO-92 no Rio de Janeiro, Brasil (junho de 1992). Também reforça seções da CQNUMC.
 
Constitui-se no protocolo de um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa antropogênicas do aquecimento global.
 
Discutido e negociado em Quioto no Japão em 1997, foi aberto para assinaturas em 11 de Dezembro de 1997 e ratificado em 15 de março de 1999. Sendo que para este entrar em vigor precisou que 55 países, que juntos, produzem 55% das emissões, o ratificassem, assim entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, depois que a Rússia o ratificou em Novembro de 2004.
 
Por ele se propõe um calendário pelo qual os países-membros (principalmente os desenvolvidos) têm a obrigação de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em, pelo menos, 5,2% em relação aos níveis de 1990 no período entre 2008 e 2012, também chamado de primeiro período de compromisso (para muitos países, como os membros da UE, isso corresponde a 15% abaixo das emissões esperadas para 2008).
 
As metas de redução não são homogêneas a todos os países, colocando níveis diferenciados para os 38 países que mais emitem gases. Países em franco desenvolvimento (como Brasil, México, Argentina e Índia) não receberam metas de redução, pelo menos momentaneamente.
 
A redução dessas emissões deverá acontecer em várias atividades econômicas. O protocolo estimula os países signatários a cooperarem entre si, através de algumas ações básicas:
  • Reformar os setores de energia e transportes;
  • Promover o uso de fontes energéticas renováveis;
  • Eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da Convenção;
  • Limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos;
  • Proteger florestas e outros sumidouros de carbono.
Se o Protocolo de Quioto for implementado com sucesso, estima-se que a temperatura global reduza entre 1,4°C e 5,8 °C até 2100, entretanto, isto dependerá muito das negociações pós período 2008/2012, pois há comunidades científicas que afirmam categoricamente que a meta de redução de 5,2% em relação aos níveis de 1990 é insuficiente para a mitigação do aquecimento global.


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