domingo, 18 de agosto de 2013

CAMPEONATO INDIGENTE

Começou o campeonato nacional; um eufemismo para uma prova desportiva de pendor acentuadamente regionalista. De facto, o resultado da "democratização" desportiva instituido na 4ª República, paradoxalmente, traduziu-se na ascensão aos principais escalões, nomeadamente de futebol, de clubes maioritáriamente a norte do mondego, num processo consolidado de concentração, como reflexo da supremacia institucional da Associação de Futebol do Porto que dele se tem servido como instrumeto de afirmação regional em detrimento dos restantes clubes nacionais. Ainda assim, muitos destes, direta ou indiretamente, acabaram por cair sob a alçada daquela e do seu principal clube protegido, resultando no condicionamento do respetivo desempenho desportivo e institucional.
 
Para isso, muito tem contribuído o regime de monopólio de comercialização dos direitos desportivos dos clubes - e da seleção nacional -, que os tornou dependentes, financeiramente, da entidade adjudicada, afeta  a um dos clubes concorrentes, que, por sinal, tem beneficiado de ostensivas facilidades, proporcionadas, seja por aqueles, seja pelas equipas de arbitragem a cujo financiamento indireto a referida adjudicada não é estranha.
 
Trata-se pois de um campeonato indigente, onde a hipocrisia, quer das instituições desportivas nacionais e internacionais - Liga, FPF, UEFA e FIFA -, quer da Administração Pública, quer da UE, é, desde há muito, patente. Na verdade, as reiteradas afirmações de fair-lay, de empenho anti-corrupção, internas ou externas, não passam de retórica tapa-olhos, pois a principal razão de perpetuação da corrupção a que temos assistido, reside na verticalidade da mesma, garante da consistente impunidade dos corruptos, afinal, bem conhecidos do grande público.
 
Não espanta por isso a notícia do CM de 17 de Agosto segundo a qual há clubes falidos a inscrever jogadores, indicando os habituais estratagemas muito característios do chico-espertismo nacional, seja o Sireve sejam as manhosas impugnações de dívida, com consentimento dos credores, curiosamente, constituintes das administrações das SAD falidas. Ou seja, as mesmas entidades que proclamam a solvência financeira e a luta anticorrupção, que elaboram ou mandam elaborar regulamentação  com vista à prossecução daqueles propósitos, constituem mecanismos dilatórios que garantem a manutenção do estado atual! Que gente é esta afinal?
 
É, sem dúvida, gente cúmplice do lóbi portista, gente que não respeita os restantes clubes nem as populações que lhes estão afetas. Gente que, estúpidamente, menospreza a capacidade de percepção e de reação da população em geral.
 
Começou, assim, o campeonato em que, à semelhança do anterior e antecedentes, os dados estão ostensivamente viciados a favor do crónico e desvergonhoso previlegiado, não restando a grande parte dos restantes concorrentes a cega e covarde obediência, na expectativa da caridade de alguma benesse menor, como a taça da liga, a taça de portugal, a qualificação para a liga dos campeões ou para a liga europa, ou a simples fuga à despromoção.
 
Neste cenário degradante seja o Benfica fiel a si próprio, derramando galhardamente sobre os relvados, jogo após jogo, minuto após minuto, a força da sua competência, inquebrantável e decidida, como exemplo para um povo corroído pela ganância de quem se arroga o uso da prepotência como pretenso símbolo, afinal paradoxal, da puta da Democracia vigente.
 
Força rapazes,
 
Viva o Benfica!

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