domingo, 5 de janeiro de 2014

A entrevista de Filipe Vieira; 2ª parte

As razões que apresentou da manutenção de Jorge Jesus ao leme da equipa técnica para esta época, revelam a fria racionalidade patente na subida do ranking europeu da equipa - de 23º para 5º -, desde o início da "era" JJ. Mas também coragem. A coragem de enfrentar a ira dos adeptos rejeitando bodes expiatórios, a coragem da solidariedade nas horas difíceis e a coragem de "amarrar" o sucesso da sua longa presidência à do Treinador derrotado. É de homem! Fácil teria sido despedir o Treinador e culpá-lo de todas as desgraças de final de época. Considero porém ter cometido um erro gravíssimo ao permitir a permanente dúvida relativamente à manutenção de JJ para esta época. Pode ter sido essa a razão do desastroso final de época pela dúvida e desconfiança que acabou por se instalar entre os atletas e entre os adeptos. O Benfica não deve estar, nunca, dependente de uma decisão deste tipo  por parte de um Treinador, seja ele quem for, quando se disputam provas da maior relevância. Este sim foi um erro grave. Seis meses antes de expiar o contrato propunha a renovação num prazo máximo de trinta dias. Era uma decisão difícil; as consequências desportivas poderiam não ser melhores do que as que se verificaram, mas a autoridade do Presidente e a consciência do primado do clube sairiam reforçadas e galvanizariam todos. No final da época era demasiado tarde.
 
Quanto a Cardozo, ficou claro que teria saído se o Fenerbace tivesse apresentado garantias adequadas. Porém, como foi possível desenvolver um esforço de negociação tão prolongado sem ter percebido a fragilidade financeira do comprador?, parece displicência!, porque não pediram informações bancárias antes de iniciarem as conversações?, é o tipo de coisas que não pode ocorrer, devido, sobretudo, aos elevados custos implícitos para a organização.
 
No que diz respeito ao afastamento de António Carraça, justificou-o com intromissões desestabilizadoras deste no balneário. Será verdade, mas não a verdade substancial. De facto, ao criar a figura de Diretor Técnico, afastou-se da equipa Técnica e introduziu um elemento desestabilizador, distorcendo a qualidade da comunicação  e degradando a competitividade do grupo.  A haver Diretor Técnico no Benfica, deverá ser uma figura de grande prestígio entre os adeptos, cuja presença por si só transmita a determinação do clube. Afinal voltou a fazer-se precisamente o contrário!, Filipe Vieira, ou não percebeu ou tem medo que lhe façam sombra. É este tipo de atitudes que o fragilizam junto dos adeptos.
 
Os elevados compromissos financeiros estão a destruir a competitividade da equipa; com Witsel, o final da época passada teria sido bem diferente. Sem Matic corremos o risco de repetir a dose!
 
Tem razão quanto aos sérvios; a escola sérvia é, efetivamente, excecional. Sou seu adepto desde há muitos anos. Desta fornada vão sair grandes craques; há que ter paciência. 
 
No tema do Arouca perdeu a oportunidade de denunciar o atual quadro competitivo do futebol profissional que tende a nivelar por baixo a qualidade das equipas devido às disparidades orçamentais. O projeto de Mário Figueiredo que foi rejeitado pelos clubes, era muito bom para o desenvolvimento do futebol nacional.
 
Já no plano institucional revela grande prudência ao manter todas as vias em aberto. Tal poderá revelar tanto sagacidade como indecisão. Da política de relacionamento com o Sporting e o Porto não surgiram novidades, destacando-se o caso, já conhecido, da existência de contactos regulares com a estruturas administrativas deste. Relativamente à Olivedesportos mantém o critério económico como origem da decisão tomada relativamente aos direitos desportivos. Já quanto à Liga e à Federação, parece jogar nos dois tabuleiros; por um lado elogia Mário Figueiredo pelo empenho no cumprimento do seu programa, em particular pelo enfrentamento dos poderes instalados, por outro, elogia Fernando Gomes pela profissionalização da arbitragem e pela criação da casa das seleções. Esta, não me tinha ocorrido!, sempre me pareceu que deveria assumir, embora mitigadamente, a defesa do projeto de Mário Figueiredo ressalvando os interesses dos direitos desportivos do Benfica, e opor-se frontalmente ao consulado de Fernando Gomes até agora totalmente subjugado aos interesses portistas. Esta atitude associada à confiança que aparenta, parece revelar que pode haver algo mais no reino do futebol nacional, com vista à sua regeneração, do que se conhece. Quem sabe se não estará aí a motivação das renovação com JJ?, afinal todos sabemos que, com um pouquinho, só um pouquinho menos de erros grosseiros das equipas de arbitragem, a equipa do Benfica teria sido campeã nos últimos anos.
 
Há algo porém que gostaria de ver alterado na retórica de Filipe Vieira; o apelo à determinação em vez de à resignação. E que olhasse de frente sempre que o questionam. E, de ver mais benfiquistas no Benfica.
 
Boa vitória a desta noite.


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