quinta-feira, 8 de maio de 2014

Da produtividade

Diz Luciano Amaral – no seu excelente livro publicado pela Fundação FMS (Francisco Manuel dos Santos) -, que a baixa produtividade da economia portuguesa se deve à baixa intensidade de capital. Já João César das Neves atribui tal, à imoderação salarial - nos setores dos bens não transacionáveis. De acordo em ambos os casos. Ora, as empresas portuguesas não conseguem acumular capital devido à insaciedade fiscal do Estado; um sorvedouro de recursos especializado no seu esbanjamento. Veja-se o caso dos pagamentos por conta, nada mais nada menos que a antecipação de receitas sobre presunção de lucros. A ponto de os anos bons provocarem o pânico nos empresários pela incerteza relativamente ao ano seguinte, no que a receitas diz respeito. Chegamos ao absurdo de se oferecerem condições especiais a investidores estrangeiros, demolindo o princípio constitucional da igualdade de oportunidades! Quanto à imoderação salarial, é um facto indesmentível, na esfera pública, devido ao tremendo poder das respetivas corporações; os substitutos modernos do tradicional operariado socialista. Ironicamente, são essas mesmas corporações que menos sofrem com a austeridade pelas mesmíssimas razões. Os salários deverão corresponder ao que a respectiva economia pode pagar; o ajustamento ocorrerá sempre…e está a ocorrer em Portugal. Mas…os custos de contexto!…essa maldita e compulsiva burocracia que vai arrasando as empresas e destruindo a motivação dos empresários, sucessivamente forçados a alocar recursos de produção ao atendimento das exigências da Administração Pública. Veja-se o caso das guias; é um bom exemplo, mas há muito mais; a imaginação dos dirigentes públicos parece não ter fim, tal como a insensatez e a insensibilidade.
Reduzida dimensão do parque empresarial, baixo nível tecnológico da oferta geral, baixa qualificação técnica dos trabalhadores e de muitos empresários, são outras das causas estruturais. Elegeu, José Sócrates,  o choque tecnológico, como desígnio do seu primeiro governo. Tinha razão mas não o soube fazer; em vez de convocar os especialistas e investidores para identificar os caminhos do futuro e articular estratégias para os alcançar, o que fez?, pois foi!, caiu em cima das empresas e dos trabalhadores impondo formação profissional e certificações a torto e a direito, raramente indutoras de valor, desviando, também aqui, recursos de capital e de produção, para, mais uma vez, sustentar a crescente economia parasita da formação - salvo excepções.
E estamos nisto!, vai ganhando consistência a ideia, sustentada por continuadas experiências pessoais que os governantes nacionais e europeus desistiram das nossas empresas e tratam de as exterminar, impondo sucessivas e crescentes dificuldades, com os mais variados propósitos, hipocritamente anunciados e fundamentados - um deles a concentração empresarial por via administrativa. Um atropelo aos princípios constitucionais em nome de utopias totalitárias. Uma sociedade que mata a capacidade de sonhar e lutar dos seus membros está condenada ao fracasso. Chame-se Portugal ou União Europeia.

http://oinsurgente.org/2014/05/07/sobre-a-produtividade-dos-trabalhadores-portugueses/

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