quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A propósito da legionella pneumóphila (2)

      Condensadores ou torres de refrigeração interferem directamente com a qualidade do ar exterior e só indirectamente com a qualidade do ar interior. Esta, porém, é fortemente influenciada pelas unidades interiores das pequenas unidades monobloco ou bi-bloco - split -, que regulam a temperatura e, implicitamente, a humidade relativa do ar efectuando simultaneamente a filtragem deste  de aerossóis diversos e, nas unidades mais sofisticadas, a neutralização de bactérias, devendo, como já foi referido, ser sujeitas a limpeza e desinfecção regular por técnicos credenciados para o efeito.
 
      Posto isto, é nos sistemas centralizados de climatização constituído  por unidades compactas de tratamento de ar - UTAS - e condutas, característico dos grandes edifícios, que é maior a dificuldade do tratamento da qualidade do ar interior. De facto, apesar da elevada qualidade do ar que as UTAS podem proporcionar, através da pré-filtragem, filtragem, arrefecimento, aquecimento, controlo directo da humidade relativa, e regulação do caudal geral e individual, não possível garantir plenamente a passagem de contaminantes para a rede de condutas - incluindo gotículas de água, apesar da bateria separadora respectiva -, onde se vão acumulando e proporcionando condições para a formação das colónias de bactérias, sobretudo nas juntas, uniões, curvas e protuberâncias várias.
 
      A minimização do risco começa com um projecto que potencie a qualidade da filtragem, a eficiência da separação de gotas, a qualidade dos materiais usados no fabrico da UTA  - em especial o tabuleiro e o tubo de escoamento de condensados, que não deverão ser corrosivos - o traçado e acessibilidade das condutas e acaba - ou começa - com uma manutenção competente e a monitorização da qualidade do ar.
 
      De facto, em edifícios públicos de grande dimensão, deve controlar-se periodicamente a qualidade do ar interior, medindo-se a concentração de poluentes como o CO2, o CO, o ozono, partículas, formaldeídos, compostos orgânicos voláteis diversos, e efectuar-se a medição das colónias de bactérias e vírus. Tal exige ferramentas e técnicas apropriadas conhecidas dos especialistas.
 
      Assim, seja periodicamente, seja em consequência dos resultados das medições, deve proceder-se à manutenção e higienização do sistema que consiste, grosso modo, na limpeza e desinfecção dos filtros de ar, baterias, tabuleiros, envolventes, terminais de ventilação, e...do interior das condutas. E é "aqui que a porca torce o rabo"!, ou seja, há, hoje, técnicas apropriadas para o fazer; tubos telescópicos flexíveis munidos de câmara e iluminação para inspecção do interior das condutas, e dispositivos de escovagem e aspiração, os mais diversos, para o efeito. Mas então qual o problema?, o problema é que, por razões óbvias, ninguém pode garantir uma eficiência de 100%. Nem o "mais pintado". O problema é que, ainda que tal fosse possível, os custos, directos e indirectos, do serviço serão elevadíssimos para os sistemas com grandes redes de condutas instaladas em tetos falsos. O problema é que, provavelmente, os custos de instalação, de operação e manutenção, tornam economicamente inviável grande parte dos grandes edifícios, perdendo-se oportunidades de desenvolvimento económico.
 
      Eis-nos pois chegados à razão de ser deste texto; O Sistema de Certificação Energético (SCE) que foi revogado pelo actual Governo e substituído por outro, quanto a mim, mais eficiente e justo, impunha, acima de certa carga térmica - salvo o erro acima de 25 KW - o recurso aos sistemas centralizados do tipo referido, bem como auditorias periódicas bidisciplinares, qualidade do ar interior e índice de intensidade energética, a realizar por peritos qualificados - geralmente a cada 2 anos - e um técnico especializado dedicado. Isto depois de um complexo processo de acompanhamento e monitorização do projecto e da construção, quanto a mim excessivo, dispendioso e injusto. O caso é que, o SCE refletia nada mais nada menos que a tendência dos interesses técnicos e institucionais dominantes, em prejuízo de todos os outros. Ainda assim, ficaram os malfadados Certificados Energéticos que, nada mais são que um novo imposto para os proprietários que alimenta mais um ramo da economia parasita sob a qual definha o país.
 
      Sou pois defensor, por múltiplas razões de segurança, incluindo risco de incêndio e  múltipla contaminação, dos sistemas de água refrigerada associados a condutas de insuflação e extracção de ar exclusivamente para respiração confortável  das pessoas, nos grandes sistemas. Desta forma pode garantir-se quase em absoluto a ausência de humidade do interior das condutas - principal factor de risco da profusão bacteriana -, tal como a eficiência da desinfecção dos ventiloconvectores e terminais de ventilação.  Acresce a vantagem de dimensionamento mínimo das condutas, e, diga-se em abono da verdade, a perda de eficiência energética do sistema devido ao duplo diferencial térmico em jogo - no ventiloconvector e no evaporador.
 
   Face a tudo isto, nos edifícios de pequena e média dimensão, especialmente residenciais, e hotéis,  salvaguardado o arquitectónico, ganham relevância a utilização dos sistemas monosplit ou multiplit, que proporcionam acesso a uma manutenção eficiente; simples, económica e segura, permitindo ainda ao operador racionalizar os consumos energéticos aos ciclos de ocupação anuais, bem como programar a renovação faseada destes equipamentos, faseando os correspondentes encargos maximizando a capacidade operacional. Claro que isto não é do interesse das grandes empresas instaladoras a quem, pela via regulamentar, se está a entregar o sector, em nome da alegada e sacrossanta produtividade que tudo parece justificar; até a violação grosseira de disposições constitucionais, como o da igualdade de oportunidades e da não admissão do abuso de posição dominante.      

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