quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Banco bom, banco mau, Estado péssimo, Europa madrasta

      O caso BES continua a fazer correr muita tinta e muitas lágrimas, pairando a incerteza quer quanto ao impacto na economia nacional, quer quanto ao desfecho no apuramento de responsabilidades, quer quanto à legalidade da solução adotada.
 
      Mais que as estafadas declarações de princípios com que somos brindados quase diariamente pelas elites, são os factos que revelam o que verdadeiramente interessa. O caso BES é exemplar. 
 
      Declarou o Governador do Banco de Portugal não possuir, apesar dos cerca de seiscentos funcionários qualificados- salvo o erro -, capacidade para fiscalizar com eficácia a atividade dos  seus supervisionados! Agora considera, tal como o BCE, competir aos acionistas, investidores  e alguns depositantes, a assunção dos prejuízos dos "seus" bancos. Justificam-no, enternecedoramente, com a necessidade de proteção dos contribuintes, martirizados com tenebrosos casos precedentes. Ouvi até um distinto comentador referir que os acionistas são os primeiros responsáveis, como se fossem todos iguais. Ou seja; o BP, com centenas de técnicos qualificados não consegue perceber as contas dos bancos sob sua alçada apesar dos doze testes de stresse efetuados não se coibindo, ainda assim, de afiançar publicamente a solidez do banco em causa! Parece cómico mas não dá vontade de rir.
 
      Não, não dá! sobretudo porque, afinal, o BP e o BCE, consideram o investidor e aforrador responsáveis...só pelos passivos! 
 
      Não sei que nome dar a isto, mas, se não é ilegal, não vivemos num Estado de Direito. antes, num regime totalitário, dirigido por "chicoespertos" que desprezam os simples cidadãos mesmo quando afirmam tudo fazer por eles.
 
      Muitos dos infelizes acionistas e aforradores são gente simples que, confiantes, aplicaram as suas poupanças na perspetiva de um futuro menos sombrio. Por outro lado, arcando o sistema bancário com os custos de eventuais défices do fundo de resolução, sempre arranjará forma de os fazer passar para os clientes...simples contribuintes. Com uma ajudinha do BP não será difícil, pois não?
 
      Não sei qual o montante do "buraco" no BES, mas todos sabemos que "a família" andava em litígio há cerca de um ano. Tal parece não ter preocupado os supervisores. Sei que não interessa ao atual Governo financiar directamente o banco falido para não dar trunfos à oposição em vésperas das legislativas. E sei que milhares de contribuintes ficarão sem  os seus empregos devido à queda das empresas do grupo BES indo engrossar as filas da Segurança Social com o contribuinte a pagar a correspondente fatura.  É fatal como o Destino!, não falha! E sei que não era esta a solução preconizada por Vitor Bento, miseravelmente instrumentalizado neste processo.
 
      Assim se destrói o mais precioso bem de qualquer regime; a confiança. Os que viveram por dentro ou a distância este drama jamais irão confiar nas instituições do Estado, eufemisticamente designado de Direito Democrático. E não é assim que se constrói o progresso para todos.

      Novo regime, antigo regime...mudaram as elites!
     

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