quinta-feira, 28 de maio de 2015

Multiplicai-vos!

      A sugestão em género de gracejo, que a Ministra das Finanças deu a jovens correligionários social-democratas num recente congresso realizado, salvo o erro, no Algarve, parece irrelevante mas talvez mereça alguma atenção. Antes de mais trata-se de uma alusão ao grave défice de natalidade com que o país se debate e que anuncia graves problemas sociais no futuro. Ou seja, a Srª Ministra, não está a pensar na felicidade daqueles jovens associado ao milagre da vida e do amor, mas apenas na produção de contribuintes! E isto é sórdido, porque revela a decadência moral deste Governo, quiçá, das nossas elites políticas. Necessitamos urgentemente, não de pessoas felizes atrás dos seus sonhos, mas de contribuintes da causa pública! E isto é um retrocesso civilizacional.
 
   Por outro lado, o estilo, a lembrar a célebre parábola de Jesus Cristo "Ide e multiplicai-vos", não é inocente, embora pareça um gracejo. É que, certos políticos, à força de tanta deferência e da experimentação efetiva de poder, acabam por se julgar acima dos simples cidadãos, o que sendo paradoxal, revela, afinal, a profunda natureza dominadora do ser humano. Quem esquece o comentário de Almeida Santos, em tom de gracejo, evidentemente, em que classificava José Sócrates como "um semi-deus"!
 
   O que é certo é que há um contraste incompreensível entre a constante aparência de satisfação da Srª Ministra e o estado de angústia generalizado da população que por aí anda em profundo desespero. 
 
   Um sujeito, ontem, matou, ontem, outro, a tiro de caçadeira à queima-roupa, por causa de cento e oitenta euros. O fisco tinha-lhe confiscado todo o património, casas, viatura e sei lá que mais. Faz todo o sentido perguntar quantos homicidas há neste caso e, quantos mais casos há como este.
 
   A característica principal do Totalitarismo consiste na subjugação plena do individuo ao Estado. Um cenário bem patente neste caso.
 
(Tela de Abel Manta)

PS: A vítima, por sinal, era pescador a viver do RSI! A pesca da sardinha esteve parada cerca de oito meses por ordem do Governo, e as quotas disponíveis atualmente são exíguas, por determinação dos tecnocratas de Bruxelas. Volto a fazer a pergunta; quantos homicidas há neste caso?

Sem comentários:

Enviar um comentário