quarta-feira, 6 de maio de 2015

Tejo que Levas as Águas


Os trabalhadores dos impostos vão receber 5% do montante das cobranças coercivas de processos de execução fiscal instaurados em 2014 pelos serviços da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), segundo um diploma publicado esta segunda-feira. Contas feitas, é um prémio de 57,4 milhões de euros que vai ser distribuído pelos trabalhadores." (TVI 24)
  
   Deixando de parte a discussão dos prémios como incentivo ao trabalho, este assunto cai muito mal entre a população, que, na generalidade, vive num contexto de angústia profunda; redução de salários, incerteza no emprego, desemprego, aumento de impostos e encargos com a saúde e educação, agravamento das restrições de acesso às profissões e ao empresariado, familiares com necessidades de apoio, incerteza total quanto ao futuro, etc. Muita gente honrada que, mesmo quando, involuntariamente, acaba por falhar algum compromisso financeiro, ainda que minúsculo, com o Estado ou seus prosélitos, é implacavelmente atirada para a ruína, arrastando consigo familiares, se os tiver, para um turbilhão de degradação  física e moral, às vezes para a morte, por um Estado cruel, insaciável devorador de recursos alheios, afinal, o primeiro elo da cadeia do incumprimento; da gestão irresponsável dos dinheiros públicos e omissão dos compromissos assumidos com os cidadão seja no correspondente ato eleitoral seja da lei fundamental.

   É por tudo isto que, consciente dos seus próprios excessos e da inevitabilidade do aumento do incumprimento dos cidadãos, o Governo, decide comprar a consciência dos trabalhadores fiscais, aliciando-os com substanciais e espúrios benefícios da respetiva retribuição, a executar o património dos cidadãos em falta, destruindo-lhes a vida. Esta dicotomia entre o progresso económico de uns, do lado do poder, à custa da miséria dos outros, é um sinal de retrocesso civilizacional e de necessidade de mudança. Não de partido, mas de princípios! Basta retomar a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

   Como é possível que se destruam pessoas boas quando estas mais precisam de apoio, enquanto nas administrações  central, regional e local se esbanja injustificadamente, salvo exceções, o sagrado dinheiro dos contribuintes!, Quando assistimos a sucessivas hecatombes de falsos templos económicos, os templos do regime, os templos da "alta intensidade de capital" geridos por Midas ao contrário, dos que transformam o dinheiro dos outros em merda enquanto afirmam o oposto, perante anuência geral!

   Há que distinguir entre a evasão fiscal e o incumprimento por força maior, sem perder de vista o sagrado direito de cada um à Liberdade! Combata-se e puna-se o primeiro e seja-se condescendente com o segundo!, não instituindo perdões fiscais aos desafortunados da vida, mas períodos de carência de encargos fiscais  e apoio activo de reorientação da vida profissional e familiar até ao restabelecimento da normalidade. Então sim; retomar-se-ão os pagamentos em falta em moldes suportáveis. Isto sim, é próprio dum Estado digno. É este o caminho e não o da subjugação de parte da população para prosperidade da outra parte, como atualmente se verifica.  

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