domingo, 23 de agosto de 2015

Caldeirada hipócrita

   Tenho Santos Neves na conta de jornalista idóneo, moderado e competente, mas tenho que criticar a sua crónica recente em que aconselhava de forma autoritária os Dirigentes de Benfica e Sporting a "calarem-se", a propósito da polémica em torno das atribulações de Jorge Jesus.
 
   Antes de mais, é evidente que este tipo de polémicas contribuem para impedir a emergência do futebol nacional do pântano em que se afundou nas últimas décadas. Os Dirigentes devem orientar os seus esforços no sentido da credibilização do futebol e viabilização económica dos clubes.
 
   No entanto, são precisamente os meios de Comunicação Social que mais têm contribuído para alimentar o lavar de roupa suja no futebol, entre os quais, o jornal que emprega Santos Neves. Enquanto omitem, sistematicamente, o debate dos problemas estratégicos do futebol, arregimentam "incendiários" como Miguel Sousa Tavares e outros que usam os espaços mediáticos para destilar e difundir o ódio quer lhes vai na alma, sobretudo um absurdo e estúpido ódio ao Benfica. Porque vende. A hipócrita equidistância clubista que cultivam, serve de pretexto para omitirem a investigação e denúncia da corrupção e manobras saloias que viciam as provas desportivas. Pelo contrário, esforçam-se por credibilizar um desporto que todos vemos viciado. Para ser levado a sério, Santos Neves, deveria fazer crítica interna, exigindo aos seus patrões que a "A Bola" deixasse de ser o jornal castrado em que se transformou.
 
   Mais, fica-lhe mal meter todos na mesma "panela"; uma velha tradição de quem contemporiza com os arruaceiros, por medo ou seja lá pelo que for. Os Dirigentes do Benfica têm o direito e a obrigação de defender o  seu clube. Mesmo que tenham cometido erros, não insultaram ninguém, neste caso. Jorge Jesus poderá até ter todas as razões e mais algumas para não renovar com o Benfica, mas desrespeitou o clube que lhe deu guarida e glória bem como os adeptos que lhe não negaram apoio e afeto. Mais, com o contrato em vigor iniciou a colaboração com o novo clube, abrindo lugar à suspeição entre os adeptos encarnados de que esse compromisso já se verificava há vários meses, secretamente. Os Adeptos do Benfica mereciam uma palavra de apreço de Jorge Jesus, independentemente de todas as razões da sua dissidência. Santos Neves foi incapaz de vincar esta evidência e com isso contaminou a sua intervenção de hipocrisia e interesseirismo. Respeitinho senhor Santos Neves, respeitinho pelo Benfica!
 
PS: Força para logo, Benfica; concentração e luta até à vitória.

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