domingo, 18 de outubro de 2015

Uma rica Prenda!

         O caso das acusações de corrupção ao Benfica em face das alegadas ofertas do "kit Eusébio" a árbitros, delegados e observadores nada mais é que a reedição da estratégia que Pinto da Costa usou durante décadas para concentração do poder no clube e união e motivação dos seus atletas e adeptos. A invenção de um inimigo externo, "fonte de todo o mal", relativiza e justifica todos os equívocos internos de gestão económica e desportiva, mas também, implicitamente, reconhece a grandeza do "inimigo".  Afinal, até nas sociedades animais compete ao neófito desafiar o "alfa" correspondente. Vencê-lo, é que nem sempre acontece! Por outro lado os termos em que tal desafio está a ser efetuado sustentam-se num défice de autoconfiança e numa decadente falta de ética que muitos adeptos do futebol esperavam viesse a ser ultrapassada, em virtude da eminente "saída de cena" de Pinto da Costa. Porém, a patética estratégia de Bruno de Carvalho, tem o sublime condão de demonstrar a pungente hipocrisia que grassa entre comendadores e órgãos da comunicação social, salvo exceções, ao atribuírem aos dirigentes dos clubes a responsabilidade pela descredibilização do desporto e em particular do futebol. É que, não faltam arautos defensores do "novo líder" denunciando infantilização, sectarismo, oportunismo e desconsideração para com os leitores.

   A razão do "sucesso" da estratégia de Pinto da Costa residiu numa circunstância política específica altamente favorável; a "causa" da regionalização, que fez sua, e lhe proporcionou apoios económicos e cumplicidades políticas e judiciais de grande monta. A Bruno de Carvalho resta-lhe a insistência na indução de uma "guerra civil" no futebol, para persuasão das instituições e, sobretudo, dos árbitros. Carecido de nobreza de caráter, deveria, antes, seguir o exemplo dos dirigentes do Benfica, que, pacientemente, ano após ano,  vexame após vexame, investiram no incremento competitivo das suas equipas, melhorando sucessivamente infraestruturas e super-estruturas até derrotarem o desleal adversário...lealmente! Esta sim, é a lição que o dirigente do Sporting deveria ter aprendido. 

   Quanto às prendas, à parte detalhes regulamentares e jurídicos, é evidente que as acusações carecem de fundamento desde logo por inexistência de causa; é que, a equipa de futebol sénior do Benfica, a não ser pontualmente, e em especial nas últimas duas épocas, não beneficiou de quaisquer favores de arbitragem. Apenas foi menos prejudicada relativamente às épocas anteriores, donde se conclui, que muitos títulos mais teria conquistado se em igualdade de circunstâncias com os adversários, em particular o Porto, que foi, e continua a ser, despudoradamente beneficiado pelos homens do apito. Afinal, parece que a única forma de haver paz no desporto em Portugal é discriminar o Benfica, e tal constitui, em si mesmo, uma demonstração da imaturidade cívica que, no fundo, subjaz à crise económica, política e identitária que se abateu sobre os portugueses.

   Por outro lado, as tão propaladas "prendas" consistem numa singela lembrança alusiva ao maior símbolo do clube atribuída universalmente e abertamente, a árbitros, delegados e observadores que visitam o Estado da Luz no exercício das respectivas funções e após o termo dos correspondentes jogos. 

   A razão profunda desta agitação reside no facto de o Benfica constituir um obstáculo de peso aos sonhos de grandiosidade e popularidade dos seus principais rivais, incapazes de lidar com o fascínio que o Benfica provoca entre os seus adeptos e todos os amantes do espetáculo desportivo no mundo. E isso consegue-se com talento, coragem, respeito e...com feitos históricos universalmente relevantes.

   Uma "rica prenda" é o que Bruno de Carvalho - qual "mata sete" - é, e, nem o Sporting nem o desporto nacional merecem.

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