quarta-feira, 4 de maio de 2016

Vídeo-Árbitro

    
   Le Pont Neuf Paris, Pierre Auguste Renoir
   Apesar de anos de obstinada recusa da FIFA à abordagem do tema,  generalizou-se a discussão  acerca da  utilidade e viabilidade da utilização do vídeo-árbitro nos jogos de futebol, anunciando-se para breve as primeiras experiências oficiais na europa, talvez em Portugal. Que vai reduzir o tempo útil de jogo, dizem uns. Que as dúvidas irão sempre prevalecer, dizem outros. Que não é possível usar meios idênticos em todos os jogos, dizem uns e outros. Que é demasiado dispendioso, dizem todos. Que a discussão das dúvidas e erros fazem parte do jogo, dizem os do "stablishment". Que reduz a margem de erros das equipas de arbitragem, argumentam os mais convictos.
   Bem sei que os instalados no "status quo" não estão interessados na transparência nem na verdade desportiva. E "sei" que muitas provas são conduzidas de forma a produzir resultados pré-estabelecidos de acordo com as lógicas de poder vigentes. A teia de interesses associada ao futebol vai da finança à política e às economia formal e informal. Por tudo isso a resistência será forte e prolongada, mas tem de ser vencida, sob pena de inexorável declínio deste desporto e frustração dos seus adeptos, com repercussões sociais imprevisíveis.

   Considero que o uso do vídeo-árbitro pode ser de grande utilidade e de simples aplicação, sem prejuízo do tempo útil de jogo. Eis como vejo o processo: o árbitro tradicional continua a ser soberano no jogo e decide quais os lances relativamente aos quais necessita de informação complementar. O árbitro auxiliar de serviço ao vídeo intervirá por solicitação do árbitro principal indicando-lhe a sua interpretação do lance em causa ou alertá-lo-á para incidentes ocorridos fora do seu campo de visão. Este toma a decisão definitiva e manda seguir o jogo. A diferença relativamente à situação atual é que deixa de haver a desculpa da falta de visibilidade ou da excessiva rapidez do lance, reduzindo drasticamente a margem de manobra dos "artistas" do apito, uma vez que tudo ficará registado. Obviamente que a eficácia deste processo restringe-se a certo tipo de lances; das linhas de baliza e da grande-área, do fora-de-jogo, do jogo violento com e sem bola, da marcação dos penaltis, enfim, os que o árbitro principal decidir, condicionado a tempos de decisão limitados. O processo desenrolar-se-ia passo a passo em vários países europeus que trocariam informações e conclusões entre si, com supervisão da UEFA e da FIFA.
   Se é verdade que há sorte e azar no jogo, também é certo que só as vitórias merecidas, produzem no adepto o fascínio que o atrai, sustenta e desenvolve a indústria do futebol e o pacifica com a vida.
   Já ontem era tarde.  

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