Desporto

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Coisas do Arco da Velha

 

Coisas do arco da velha


Vinte e cinco anos depois do ataque às torres gémeas de Nova Iorque, perpetrado por terroristas islâmicos, em que morreram cerca de três mil pessoas, foi eleito um islâmico para Presidente da câmara!


O Brexit verificou-se a 31 de Janeiro de 2020, em consequência do fluxo migratório descontrolado de asiáticos e africanos para o Reino Unido provocado pela política de portas abertas da União Europeia sob o consulado de Angela Merkel.

Hoje, o Presidente da Câmara de Londres é islâmico. O Reino Unido está repleto de imigrantes. O Governo britânico - trabalhista -, é complacente com os distúrbios e crimes por eles praticados, castigando os nativos que os denunciam, vítimas ou não e prometendo guerra sem tréguas à intolerância.


A sete de Outubro de 2023, o Hamas fez uma incursão terrorista em Israel, matando milhares de pessoas - cerca de 1200 - e feito largas dezenas de reféns. Passada a indignação inicial, a reação israelita de retaliação e resgate dos sequestrados, suscitou reação condenatória global intensa e ativa - exceto USA - até aos dias de hoje, consumando-se a inversão do ónus do conflito.

A primeira coisa que me vem à ideia e que parece comum aos três casos, é o conceito de Síndrome de Estocolmo, em que o medo acaba por gerar no subconsciente da vítima uma certa simpatia pelo opressor na expetativa da opressão se tornar mais branda e suportável.


No caso americano era de esperar uma reação profundamente hostil dos nova-iorquinos para com os islâmicos. Eu sei que a demagogia desencadeia muitas boas vontades, mas não consigo deixar de pensar que esta eleição teve um caráter preventivo. Talvez os americanos envolvidos tenham pensado que, com esta eleição, estarão a salvo de novos ataques.


No Reino unido é diferente. Curioso é que a saída da UE não parece ter reduzido a imigração como se pretendia. Pelo contrário, atingiu tais proporções que as autoridades assumiram uma atitude de complacência perante os distúrbios emergentes, silenciando vítimas e punindo denunciantes. E não me parece que os ingleses sofram do tal síndroma. Uma mega manifestação recente comprova-o. E o governo – trabalhista - já declarou, através do Primeiro Ministro, que está disposto a fazer-lhes frente na defesa da integração dos imigrantes. A dimensão eleitoral destes atrai apoios dos partidos de esquerda. Em democracia o que conta é o voto. E o imigrantes são muitos e a somar.


Quanto a Israel, como interpretar o clamor condenatório a um povo vítima de barbaridade atroz? Talvez pela dimensão da retaliação, pelas vítimas que causou entre a população, apesar do empenho na limitação de danos pessoais. Talvez porque o martirizado povo judeu, seja visto pelo poderoso lobi anti-Ocidental, socialista e não socialista, como um dos pilares históricos do capitalismo, que pretendem derrubar. Talvez porque a erradicação do Estado de Israel continue a ser do interesse regional, e não só. Talvez porque uma espécie de corrente invisível tenha amedrontado uma boa parte do “bom e nobre” mundo ocidental restaurando-lhe o velho desígnio de estar do lado certo da história, ainda que aparente.


Serão estes casos entendíveis à luz da psicologia de massas?




Peniche, 22 de Fevereiro de 2026

António Barreto

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Diário Errático

 

15/02/2026 – 18h 45´


O tempo amainou. Sem sol, mas sem vento nem chuva nem frio. O mar está calmo. Estava-se bem na papoa. Li um pouco - A Vitória Traída, segunda leitura - e passei pelas brasas. A Maria jogou solitário.


Pouco a pouco, o caudal dos rios vai normalizando. A reconstrução vai ser demorada e dispendiosa. Segundo consta - foi denunciado pela Joana Amaral Dias -, OGE contempla uma verba de 15 MME para despesas não identificadas. Um saco azul. Certo é que o Governo já meteu entraves às ajudas; pedidos pela net e exclusão de quem tenha dívidas ao Estado. Parece que o PM ainda não percebeu que os recursos administrados pelo Governo são do povo a quem foram extorquidos com os mais variados pretextos.


Uma velhinha, duma aldeia rural, não conteve as lágrimas quando a repórter lhe disse que tinha que pedir ajuda pela net, algo que ela parecia desconhecer! Cinquenta e um anos depois há zonas do país onde o tempo parece ter parado. Inquietante é a aparente indiferença dos governos e classe política em geral. O país esvai-se nas guerras partidárias.


Coimbra, Montemos-o-Velho, ambas as margens do Mondego, foram excecionalmente afetadas pelas cheias. A barragem, cuja construção fora cancelada pela geringonça em 2015, salvo-o-erro, poderia ter mitigado a amplitude das cheias e os correspondentes danos. O principal responsável, a título de recompensa, passeia-se em Bruxelas no seu inútil poleiro dourado.


Marcelo esteve em Coimbra. Com a situação mais desanuviada, elogiou Ana Abrunhosa, a socialista Presidente da Câmara. Foram beber uma pinga de tinto numa tasca. Marcelo aprimorou-se: copo de balão e bochecho. Tranquilo, o seu semblante não refletia o drama do momento. O povo, cada vez mais reduzido à sua condição de eleitor manipulado e contribuinte forçado, digo eu.


Os jornais foram repescar as cheias de 1967 que “o governo quis esconder” (como se tal coisa fosse possível, tal a dimensão da catástrofe!). Enfim, a comunicação social faz juz aos subsídios que recebeu, ou recebe, do governo, desviando as atenções da inépcia da Proteção Civil e Governo, com as “maldades”, alegadamente, cometidas pelo Salazar. Mais um sintoma da falência do regime. Ninguém se lembraria dele outra fosse a realidade.


Acabei de ler o livreco de José Luís de Pina, “Nascido para Mandar”: um pretenso guia prático para ascender à carreira política e progredir na correspondente carreira. Uma ironia algo divertida, que revela um profundo conhecimento do autor dos bastidores informais da política.


Mais sério e preocupante é “O Laboratório Progressista e a Tirania dos Imbecis” de João Maurício Brás, um autor que gosto de ler. O tema do progressismo nas sociedades modernas é recorrente na sua obra. Dá conta da transformação progressista que se instalou nas democracias, a partir dos anos vinte do século passado introduzido por alguns filósofos nas universidades europeias e americanas. Desenvolve o tema do aborto e da eutanásia num contexto de liberdade irrestrita, cuja consequência se traduz no desenraizamento cultural, na desagregação social e na atomização do indivíduo.


A liberdade absoluta não é compatível com a vida em sociedade. Esta implica um compromisso de respeito mútuo só possível com restrições à liberdade individual por um lado, e, por outro, num contexto ético e moral indispensável, apesar da lei.


Aprofunda o tema do aborto e da eutanásia com casos concretos que provocam perplexidade e desconforto. Aborda, também com detalhe, as várias formas “modernas de reprodução, desde o recurso à procriação medicamente assistida, às barrigas de aluguer, aos bancos de esperma e à clonagem. Transito de embriões entre mulheres homossexuais, homens grávidos – transição sexual após gravidez no género feminino – e, finalmente a clonagem celular, que permite, literalmente, fabricar bebés sem interação de humanos. Refere a existência, no norte da Europa, de uma fábrica ou projeto de fábrica, de bebés, com características biológicas a pedido!


A igualdade de género parece implicar a libertação da mulher do fardo da maternidade, mas também, inevitavelmente, da educação. As exigências de carreira são o outro fardo que inviabiliza a educação dos filhos pela família. Finalmente parece viável o requisito liberal oitocentista do domínio do cidadão pelo Estado desde o berço até à cova. Assustador!

Mas não é tudo, a emergência da Inteligência Artificial associada à produção de organismos humanoides, ameaça subalternizar e controlar os humanos e extinguir as sociedades tal como as conhecemos hoje. Aterrador.


O Benfica ganhou nos Açores, 2-1 ao Santa Clara. Mais dois penaltis por assinalar a favor dos encarnados. Os árbitros, VAR incluído, decidem as classificações. O Benfica parece impotente.



Peniche, 15/02/2026

António Barreto


domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Benfica e o Futebol Portugês

 

O Benfica e o Futebol Português


A net está inundada com imagens dos momentos finais do jogo do Benfica-Real Madrid. O mundo do futebol rejubila empolgado, reconhecendo, eufórico, o caráter épico dum jogo que ficará para a história como símbolo do fascínio do futebol.


Verti uma lágrima ao ouvir a canção que Enrique Iglésias fez ao evento. Foram momentos como este que fizeram do Benfica o que é, um clube empolgante respeitado por todos os que amam o futebol. Parafraseando Roger Schmidt: “Quem ama o futebol ama o Benfica”. E é por isso que é bom ser do Benfica.


A chave do jogo, o gatilho que despoletou o talento e a determinação dos jogadores, esteve no mote de Mourinho no lançamento do jogo: “Matar ou morrer de pé”. Isto é o Benfica. Também o Real Madrid foi fonte de empolgamento dos jogadores. Defrontar, lealmente, os melhores, é um estímulo que materializa o potencial de cada um. E o árbitro, fator determinante, foi competente, apesar de ter avaliado mal uma falta para penálti cometida sobre Prestiani.


Ainda corriam os festejos quando se soube que Luís Godinho tinha sido nomeado para o jogo de hoje com o Tondela. E logo depois a imprensa noticiava ter o Benfica sido agraciado com uma gorda multa pela reação ao caricato episódio do jogo Santa Clara-Sporting, em que este, no termo do jogo, amealhou mais três pontos graças a um penálti que demorou doze minutos a decidir.


Em futebol, como na política, o que parece, é. E o que parece é que, quem, nos órgãos da FPF e da LPFP, tem feito a vida negra ao clube, decidiu fazer descer à terra o universo vermelho que festeja empolgado o extraordinário acontecimento desportivo. Era necessário mostrar quem manda. Enquanto adepto do Benfica dispenso elogios dessa gente, mas o momento é de felicitações pelo que representa para o futebol português e europeu. Mas isso é para quem tem caráter em vez de agendas ocultas de reformular a matriz do futebol nacional.


Não tenho dúvidas de que, com arbitragens competentes, o Benfica teria ganho os dois últimos campeonatos. No atual, lembro-me dos jogos em casa com o Rio Ave, com o Casa Pia e fora com o Braga. Em todos ocorreram erros de arbitragem que, no total custaram seis pontos ao Benfica. Descontando os benefícios simétricos do Sporting, os encarnados estariam, hoje, na luta pelo título a quatro pontos do Porto. Mas o Porto tem que ganhar. Está falido, precisa de ir à Liga dos Campeões. Tal como o Sporting a quem o segundo lugar serve.


Quando se falava no desenvolvimento do futebol português, acreditei num plano concertado para tornar mais competitivos todos os clubes do primeiro escalão, após reestruturação dos respetivos quadros competitivos. Hoje não penso assim. Não sei o que se passa, mas, lá está, o que parece é haver um acordo de bastidores, secreto, entre vários clubes, patrocinado pela FPF e LPFP, para recuperar Porto, Sporting e Braga, em detrimento do Benfica. E o mais grave é que, o silêncio deste, faz-me pensar que poderá ter anuído.


Joguem mas é à bola”. É o que se ouve dizer aos adeptos rivais, ante as queixas dos congéneres vermelhos, indiferentes aos sucessivos episódios de arbitragem. E a verdade é que, muitas vezes, a equipa denota baixa intensidade, ausência de profundidade e deficiente finalização. Porém, Na minha qualidade de alfredo, perante o rigor dos árbitros para com os jogadores encarnados e a complacência relativamente aos adversários, sou levado a crer que os jogadores encarnados jogam condicionados, prejudicando o desempenho da equipa.


Mas parece-me que este é, afinal, o requisito que alguns consideram necessário à pacificação do futebol português, sem perceberem que o estão a matar.


https://youtu.be/HJb20MDUeH8?si=22AxX27Gwam_wWEQ


Peniche, 01 de Fevereiro de 2026

António Barreto