O Benfica e o Futebol Português
A net está inundada com imagens dos momentos finais do jogo do Benfica-Real Madrid. O mundo do futebol rejubila empolgado, reconhecendo, eufórico, o caráter épico dum jogo que ficará para a história como símbolo do fascínio do futebol.
Verti uma lágrima ao ouvir a canção que Enrique Iglésias fez ao evento. Foram momentos como este que fizeram do Benfica o que é, um clube empolgante respeitado por todos os que amam o futebol. Parafraseando Roger Schmidt: “Quem ama o futebol ama o Benfica”. E é por isso que é bom ser do Benfica.
A chave do jogo, o gatilho que despoletou o talento e a determinação dos jogadores, esteve no mote de Mourinho no lançamento do jogo: “Matar ou morrer de pé”. Isto é o Benfica. Também o Real Madrid foi fonte de empolgamento dos jogadores. Defrontar, lealmente, os melhores, é um estímulo que materializa o potencial de cada um. E o árbitro, fator determinante, foi competente, apesar de ter avaliado mal uma falta para penálti cometida sobre Prestiani.
Ainda corriam os festejos quando se soube que Luís Godinho tinha sido nomeado para o jogo de hoje com o Tondela. E logo depois a imprensa noticiava ter o Benfica sido agraciado com uma gorda multa pela reação ao caricato episódio do jogo Santa Clara-Sporting, em que este, no termo do jogo, amealhou mais três pontos graças a um penálti que demorou doze minutos a decidir.
Em futebol, como na política, o que parece, é. E o que parece é que, quem, nos órgãos da FPF e da LPFP, tem feito a vida negra ao clube, decidiu fazer descer à terra o universo vermelho que festeja empolgado o extraordinário acontecimento desportivo. Era necessário mostrar quem manda. Enquanto adepto do Benfica dispenso elogios dessa gente, mas o momento é de felicitações pelo que representa para o futebol português e europeu. Mas isso é para quem tem caráter em vez de agendas ocultas de reformular a matriz do futebol nacional.
Não tenho dúvidas de que, com arbitragens competentes, o Benfica teria ganho os dois últimos campeonatos. No atual, lembro-me dos jogos em casa com o Rio Ave, com o Casa Pia e fora com o Braga. Em todos ocorreram erros de arbitragem que, no total custaram seis pontos ao Benfica. Descontando os benefícios simétricos do Sporting, os encarnados estariam, hoje, na luta pelo título a quatro pontos do Porto. Mas o Porto tem que ganhar. Está falido, precisa de ir à Liga dos Campeões. Tal como o Sporting a quem o segundo lugar serve.
Quando se falava no desenvolvimento do futebol português, acreditei num plano concertado para tornar mais competitivos todos os clubes do primeiro escalão, após reestruturação dos respetivos quadros competitivos. Hoje não penso assim. Não sei o que se passa, mas, lá está, o que parece é haver um acordo de bastidores, secreto, entre vários clubes, patrocinado pela FPF e LPFP, para recuperar Porto, Sporting e Braga, em detrimento do Benfica. E o mais grave é que, o silêncio deste, faz-me pensar que poderá ter anuído.
“Joguem mas é à bola”. É o que se ouve dizer aos adeptos rivais, ante as queixas dos congéneres vermelhos, indiferentes aos sucessivos episódios de arbitragem. E a verdade é que, muitas vezes, a equipa denota baixa intensidade, ausência de profundidade e deficiente finalização. Porém, Na minha qualidade de alfredo, perante o rigor dos árbitros para com os jogadores encarnados e a complacência relativamente aos adversários, sou levado a crer que os jogadores encarnados jogam condicionados, prejudicando o desempenho da equipa.
Mas parece-me que este é, afinal, o requisito que alguns consideram necessário à pacificação do futebol português, sem perceberem que o estão a matar.
https://youtu.be/HJb20MDUeH8?si=22AxX27Gwam_wWEQ
Peniche, 01 de Fevereiro de 2026
António Barreto