Desporto

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dmitri Chostakovitch: Waltz Nº 2

 
Dmitri Shostakovich pronúncia Shostakovich (russo: Дмитрий Дмитриевич Шостакович1), nasceu a 25 de setembro de 1906 (12 de setembro no calendário juliano) em São Petersburgo, Rússia e morreu 09 de agosto de 1975, em Moscovo, URSS, é um compositor russo do período soviético. É o autor de 15 sinfonias, concertos, música de câmara abundante e várias óperas. A sua música, muitas vezes rejeitada pelo formalismo Soviético, com a sua força e drama, muitas vezes exacerbada, fizeram de  Shostakovich uma figura importante na música do século XX.(Wikipédia)
 
 
 
 
 
 
 
Dmitri Chostakovitch

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Benfica-Paços de Ferreira (3-0)

 
Só quem tem andado distraído pode estranhar a boa campanha do Paços esta época. Há muito que o anti-jogo, tão característico do futebol nacional, deixou de fazer parte da da equipa do Paços. Nota-se desde há uns anos que adotou um futebol positivo, assumindo o jogo em todo o terreno, olhos nos olhos, com garra, solidariedade e boa cultura técnico-tática, pondo os adversários em guarda. Há tempos dei comigo a reconhecer no Paços, vestígios da cultura Benfiquista! Tudo num são ambiente de cordialidade e respeito insubserviente, como apraz às gentes civilizadas. Daqui a minha saudação. Assim deverá ser o desporto.
 
Esperava pois uma postura cautelosamente aberta do Paços como veio a verificar-se, restando saber, se em consequência da rápida desvantagem no marcador. O que é certo é que se apresentou muito coeso, pressionando o adversário logo à saída da sua área tentando impedir a construção do seu jogo ofensivo, colocando quase sempre vários atletas na disputa da bola graças a um excelente posicionamento, trocando-a com qualidade e explorando bem as alas, faltando-lhe talento e massa muscular na zona de finalização, que não elementos, sempre muito bem apoiados por uma segunda linha ofensiva. Em situação de aperto defensivo recuava todos os jogadores para o seu meio-campo chegando mesmo a aglomerá-los a todos dentro da grande-área. É um modelo de jogo com uma exigência física muito elevada!
 
O Benfica entrou concentrado no seu, agora cada vez mais, futebol total, segurando o esférico, fazendo-o circular con inteligência e talento, apesar de algumas perdas imaturas, alimentando os extremos que procuravam Cardozo e Lima no eixo do ataque. E foi num desses movimentos que surgiu o primeiro golo, num lance que valeu o jogo, de bonito que foi! Tudo foi soberbo; os passes, a movimentação sincronizada e a concretização, envolvendo Lima, Sálvio e Enzo! Fantástico!
 
Entrou o Benfica em fase  de controle do jogo, que se ia desenrolando em todo o relvado, sempre com o Paços muito ativo. Apesar de o Benfica revelar grandes progressos neste capítulo, tão necessário às grandes equipas, ainda se verificam algumas perdas de bola comprometedoras. É preciso não esquecer que estes ciclos devem terminar em movimento ofensivo com finalização e não com perdas de bola a meio-campo, que serão fatais se contra melhores equipas.
 
Até à entrada de Martins, o nosso jogo aéreo ofensivo esteve muito fraco; só Cardozo ganhou uma bola da esquerda que cabeceou por alto. É uma especialidade decisiva nos jogos difíceis, onde o adversário impõe superioridade numérica na sua área e que só a precisão dos lançamentos ou o acaso, podem resolver. Com Martins, os cantos tornaram-se perigosos; foi dos seus pés que nasceu o 2º golo, com o apoio precioso da careca do Luisão e do sempre oportuno Cardozo. 
 
Durante algum tempo, a equipa do Benfica empastelou o jogo e desarticulou-se, o que poderia ter sido fatal, tendo-se reequilibrado com as entradas de Gaitan e Aimar. Aimar; era o jogo ideal para ele. Apesar de acusar falta de ritmo, ainda fez a assistência para o 3º tento. Quem sabe nunca esquece. Que falta nos faz um excelente Aimar para o resto da época!
 
 Luizinho tem que jogar mais, mas de forma controlada. Percebe-se que ainda não se sente à vontade; perdeu alguns lances que poderiam ter sido fatais. Mas sobe bem no terreno e faz bons cruzamentos.
 
Julgo que João Capela esteve bem; um ou outro lance duvidoso, nomeadamente as cargas de ombro, mas nada me pareceu grave. 
 
Agora é recuperar para o próximo confronto.
 
AB
 
 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ana Oliveira e a Revolução Silenciosa

Passeando pelo site do meu clube, fui parar à secção de atletismo onde me deparei com este quadro! Títulos, títulos e mais títulos!

Graças à determinação da Direção, que não perde de vista os Grandes Desígnios do Benfica e à competência serena de Ana Oliveira, ela própria com pergaminhos enquanto ex- Atleta do clube, foi possível elaborar um projeto de desenvolvimento que desalojou a crónica hegemonia do Sporting na modalidade. Fantástico! Um projeto com largo futuro, dada a orgânica da formação, sólidamente implantada e recheada de jovens talentosos.
 
A fórmula do sucesso é clara; definição de objetivos, formação da superestrutura, elaboração de projeto estável e otimizável (não mete fruta!). É o caminho para todas as modalidades, incluindo o futebol profissional. Nada acontecerá por acaso; talento, trabalho e liderança, constituem a via do sucesso.
 
Parabéns a todos pelo extraordinário trabalho que têm feito pela afirmação do atletismo do Benfica; por todoas essas bonitas vitórias em 2012/2013.

(Transcrito do site do SLB):
 
Título Europeus (1)
Campeões da Europa Juniores Corta Mato / Equipas


Atletismo 2011/2012
Título Nacionais (13)
Campeões Nacionais Juniores Masculinos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Juniores Femininos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Sub 23 Masculinos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Sub 23 Femininos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Séniores Masculinos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Juvenis Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juvenis Femininos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juniores Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juniores Femininos - Ar Livre
Campeões Nacionais Sub 23 Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Séniores Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juvenis - Corta Mato
Campeões Nacionais Juniores - Corta Mato


Atletismo 2011/2012
Título Regionais de Pista (9)
Campeões Regionais Infantis Masculinos
Campeões Regionais Infantis Femininos
Campeões Regionais Juvenis Masculinos
Campeões Regionais Juvenis Femininos
Campeões Regionais Juniores Masculinos
Campeões Regionais Juniores Masculinos
Campeões Regionais Sub 23 Masculinos
Campeões Regionais Sub 23 Femininos
Campeões Regionais Seniores Masculinos


Atletismo 2011/2012
Títulos Regionais de Corta Mato (4)
Campeões Regionais Corta Mato Infantis Femininos
Campeões Regionais Corta Mato Iniciados Masculinos
Campeões Regionais Corta Mato Juvenis Masculinos
Campeões Regionais Corta Mato Juniores Masculinos

Muito bem Benfica!

Obrigado!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

FIFPro estuda e denuncia a corrupção no futebol. Por cá, aplaudem-se os corruptos?

O organismo salienta que os jogadores devem manter a sua integridade profissional, apesar do crescente flagelo da manipulação de resultados.

A Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro) informou hoje que 11,9 por cento dos jogadores terão sido abordados para falsear resultados e mais do dobro (23,6) acredita que os seus jogos nacionais são manipulados.

Os dados foram tornados públicos pelo presidente da divisão da FIFPro Ásia, Brendan Schawb, durante o seu discurso de hoje na Conferência Internacional da Interpol, em Kuala Lumpur, sobre a viciação de resultados, no âmbito do acordo celebrado entre a FIFA e a Interpol em 2011.

«Todos os membros da família do futebol, os governos e as autoridades policiais devem trabalhar em conjunto para combater este problema», afirmou Schwab, destacando ainda o papel determinante da FIFPro em todo este processo, uma vez que representa cerca de 65.000 jogadores em todo o mundo.

Segundo o delegado australiano, 41,1 por cento dos jogadores não recebe no período indicado, cerca de 5 por cento espera cerca de seis ou mais meses para receber o salário, enquanto um em cada nove jogadores já foram vítimas de violência, maioria causada por adeptos.

Os dados recolhidos mostram que mais de 10 por cento dos jogadores se diz assediado por dirigentes de clubes e técnicos, mas também vítimas de racismo e alvos de atitudes discriminatórias por parte dos adeptos.

«É essencial que os jogadores trabalhem connosco, de modo a manter a integridade e a dignidade das suas carreiras profissionais», declarou Schawb.

O representante da FIFPro destacou ainda o trabalho que o sindicato tem realizado na Europa Oriental, mas insistiu que os problemas continuam a atingir os jogadores nas mais diversas áreas, contribuindo para a «pobreza do futebol».

O Chauvinismo de Serpa


No seu admirável blogue "Em Defesa do Benfica", Alberto Miguéns, dá conta de uma crónica de Vitor Serpa em o "A Bola" na qual,este, fazia a elegia do Sporting de Braga e acusava de traidores os Bracarenses adeptos de outros clubes!

Vitor Serpa demonstra mais uma vez não estar à altura dos pergaminhos de "A Bola" quando esta era considerada a bíblia do futebol, quando não tinha medo de trafulhas nem de sociopatas, quando não tinha a preocupação da equidistância cúmplice, quando tinha a coragem e o orgulho de ter inimigos por amor à verdade, quando tinha a lucidez de defender a arte do futebol. Abaixo Vitor Serpa!
 
"A Bola" é hoje um jornal castrado, medroso, merdoso, que quer estar bem com deus e com o diabo,  incapaz de defender a causa da transparência, da lealdade, da verdade. Um jornal que vai atamancando o discurso, dando uma no cravo outra na ferradura, cinzento, amarelo, na patética pretensão de pairar acima dos clubes, enquanto, paradoxalmente, rasteja ondulante ao sabor das conveniências. E Vitor Serpa é seu Diretor! Abaixo Vitor Serpa!
 
Ora então, segundo a "lei serpa", cada cidadão deveria ser, exclusivamente, adepto do clube da sua terra sob pena de ser acusado de traição e, quem sabe, condenado ao cadafalso, à forca, ao fusilamento, ao ostracismo ou à expulsão! Vitor Serpa, o Torquemada do luso ludopédico! Haverá algo mais patético? Abaixo Vitor Serpa!
 
Porém, de tal sapiência, rapidamente, a "lei serpa" se transformaria em "doutrina serpa" alargando-se a todos os setores da atividade humana. Assim, acabariam todos os cidadãos notificados da obrigatoriedade de prestação, em regime de exclusividade, de apoio a todos os atletas, artesãos e bachareis da cidade, com exclusão de quaisquer outros, ainda que notáveis e talentosos.
 
E para evitar a perdição da tentação, proibir-se iam os ignaros de assistir a espetáculos ímpios, desligar-se-iam as televisões, proibir-se-ia a circulação além das muralhas da cidade, queimar-se-iam  todos os livros de autores blasfemos e ateus e oferecer-se-iam livros e canções de autores locais como se fossem os melhores da galáxia. Haverá algo mais patético? Abaixo Vitor Serpa! Abaixo! PUM!
 
Ironias à parte; em matéria desportiva, todos os cidadãos são adeptos dos clubes da sua terra e destes, adotam mais um deles. Porém, sendo o futebol um espetáculo desportivo e aspirando o Homem ao êxtase emancipador da Arte, é natural que alguns Homens se identifiquem com aquelas entidades que, efetivamente, praticam a Arte do Futebol, mesmo não sendo da sua cidade. Apreciar a Arte é ainda uma liberdade que nenhum serpa, nenhum pinto, nenhum mesquita, nenhum salvador, nenhum bento, nenhum tavares, nenhum moreira, pode negar a um Homem, seja de Braga, do Porto, de Lisboa, de Guimarães, de Madrid, de Barcelona, de Paris, de Berlim, etc! Abaixo Vitor Serpa!
 
Serpa, defende a tese difundida pela "tropa saloia" pintista por tudo quanto é sítio, com o propósito de desalojar a simpatia de que o Benfica disfruta por toda a parte, tentando substitui-la não pelo clube da terra, mas pelo ressabiado clube da fruta, fomentando subversivamente a intolerância ativa, a discriminação e a perseguição aos Benfiquistas, enquanto se apresentam como beneméritos desinteressados, trocando atletas, técnicos e serviços outros, quiçá, aconselhamento matrimonial e distribuição de fruta, chocolatinhos, rebuçadinhos e quinhentinhos, tão necessários ao êxito desportivo em Portugal.
 
Serpa sabe, mas finge ignorar, que o futebol em Portugal, hoje, é um instrumento político ao serviço da ambição desmesurada e fraturante de alguns caciques sociopatas que, a coberto de cumplicidades várias, não hesitam em manipular o afeto dos seus conterrâneos ao seu clube para atingirem a notoriedade local que lhes permite ascender e permanecer em lugares de relevo na paróquia.
 
Serpa sabe, mas finge ignorar, que o relativo sucesso do Braga da era Salvador tem origem na réplica da miserável estratégia de condicionamento competitivo do seu clube mentor, destruindo um passado nobre porque leal, cordial e competitivo. O Braga já era competitivo muito antes de Salvador. O Braga de Cajuda, por exemplo, foi uma grande equipa!
 
Serpa sabe, mas finge ignorar, a razão das estranhas alterações táticas das equipas protegidas que propiciam ao seu clube mentor fáceis vitórias. Contrapartidas. Contrapartidas, que permitem ao mentor passear nas competições nacionais e concentrar-se nas europeias onde valoriza os seus ativos sem o que teria de reduzir os seus orçamentos a metade, com a correspondente perda de competitividade e quebra do ciclo virtuoso de natureza frutóide.
 
Vitor Serpa, garantiu a irrelevância na história do jornalismo desportivo nacional. Não soube, não sabe potenciar o privilégio de dirigir aquela que foi uma instituição de referência.
 
Vitor Serpa, parece não ter percebido que, também no futebol, há causas pelas quais vale a pena ter inimigos.  
 
AB
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Corrupção no Futebol




 



 
 


Como é lindo o futebol em Portugal!

Benfica-Bayer Leverkusen (2-1)


Ao "jogo de paciência" a que aludiu o jornalista na conferência de imprensa referindo-se à equipa do Benfica, respondeu Jesus com "jogo de conhecimento". Concordo. Efetivamente, a equipa do Benfica, além da qualidade técnica que lhe é própria, exibiu uma coerência tática de grande nível, caracterizada pela excelência do posicionamento, concentração nas marcações e  muito boa dinâmica. É neste particular que se tem revelado esta época grande evolução. Contráriamente ao que se tem verificado nas últimas épocas, a equipa tem efetuado progressos assinaláveis na retenção da bola, fazendo-a circular com segurança entre si, obrigando o adversário a correr, a desgastar-se e a desposicionar-se, criandopara si, oportunidades ofensivas fatais.
 
O Bayer é uma boa equipa; excelente leitura de jogo, excelente posicionamento, boa qualidade técnica, grande envergadura e disponibilidade física e a tradicional força mental do futebol alemão. Fizeram as despesas do jogo, procurando o golo cedo que, por duas vezes, lhes fez o manguito. Como diz o Artur, os postes fazem parte do jogo, tal como a sorte. À primeira "postada" vaticinei a vitória dos nossos; graças ao conhecido adágio futebolístico; quem não marca...
 
A equipa do Benfica posicionou-se defensivamente mas bem aberto nas alas, as quais, apesar de pouco ativas, criaram alguns calafrios aos contrários, com cruzamentos para o solitário Cardozo no eixo de ataque, bem policiado por dois a três seguranças de alto lá com o charuto!
 
Eis senão quando, "o cantinflas", saindo da sua letargia, acelerou pela esquerda alta, livrando-se de dois adversários e, sem perder a leitura do lance, brinda-nos com um gesto técnico próprio dos eleitos, arrancando um chapéu soberbo, cruzado, perante o desespero do excelente GR contrário. É por lances destes que o público vai aos estádios de futebol. Pela arte; a via para a catarse celestial.  A evasão do Vale de Lágrimas. É assim que o Benfica tem de continuar a ser.
 
O golo do empate, surgindo após a substituição inicial, fez acender a luzinha amarela. Não falha; com o jogo equilibrado entre duas boas equipas, geralmente, quem muda perde o equilíbrio, com vantagem para o adversário. Artur nada podia fazer para parar aquela "bomba" desferida à entrada da área, com excelente colocação. Faltou a marcação ao adversário, que lhe permitiu rematar sem oposição. Não deve acontecer.
 
As entradas de Lima e Sálvio colocaram dificuldades assinaláveis ao meio-campo e defensiva do Bayer, tendo rendido o desejado golo da tranquilidade. Retive a serenidade do Lima ao ler o lance enquanto recebia e controlava o esférico a soberbo cruzamento do John. Fantástico! Fantástica execução do cruzamento a que acorreu Matic, ao segundo poste, colocando-o, com intencionalidade, no lado contrário, bem fora do impotente GR.
 
Carregaram os alemães, sempre intencionais, mas já em desespero de causa, ainda assim proporcionando duas ou três defesas de grande categoria do Artur.
 
Foi uma vitória digna dos parabéns do Treinador alemão, algo pouco frequente por cá, mas desejável em todo o lado.
 
Despir a camisola para celebrar um golo com os adeptos não devia ser motivo de punição. Não é agressivo. Será desrespeitoso? Não creio. A haver punição deveria confinar-se em exclusivo ao atleta e não ao clube. É injustificado e discriminatório.
 
Agora me lembro; havia árbitro, não havia? Se havia, porque não o mencionei?
 
AB
 
    

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Honra e Dever

Concerto insólito:
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Cena insólita esta que o farolim de  Marca Samba testemunha naquela noite. Durante mais de uma hora, no meio do mar, longe do mundo, longe de tudo, um pequeno grupo de fuzileiros de camuflado, de armas à bandoleira, cansados mas eufóricos com o sucesso da missão, escarranchados nos botes pneumáticos e tendo o seu comandante como maestro, entoram árias de conhecidas óperas com que se puseram a entreter o tempo de espera que, naquelas ocasiões, se escoava muito lentamente. O marinheiro “Setúbal” foi um dos cantores à força: “O regresso foi difícil porque não dávamos com o patrulha. Então, o comandante resolveu mandar-nos cantar explicando-nos que o som junto à água se propaga mais depressa. Ainda tentei resistir, mas era impossível, todos tínhamos de cantar, não havia excepções. Ele desatou a cantar a Samaritana, depois óperas, e só descansou quando por fim, bastante tempo mais tarde,  lá vimos a luz do patrulha e viémos embora.”

O massacre dos Capitães:
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Pela mesma altura, ocorre porém um revés em todo este processo de pacificação: o massacre dos majores, como ficou conhecido para a História. Havia algum tempo já que, no mais absoluto sigilo, decorriam contactos superiormente autorizados de alguns militares portugueses  com elementos do PAIGC, , no sentido de se alcançar a paz pela via não armada. No dia 20 de Abril de 1970 tem lugar o encontro final entre os principais elementos do Estado-Maior do CAOP (de Teixeira Pinto) e os chefes guerrilheiros da região de Cobiana-Churo. Avançam confiadamente os Portugueses para a reunião combinada a norte da região Có-Pelundo. O pequeno grupo era contituido pelo major CEM Passos Ramos, chefe do Estado-maior do CAOP; pelo major de artilharia Pereira da Silva, oficial de informações, e acção psicológica; pelo major de infantaria Magalhães Osório; pelo alferes miliciano Palmeiro Mosca, adjunto para o desenvolvimento sócio-económico; e por um intérprete. Como habitualmente, todos iam desarmados. Chega ainda a estar prevista a participação do general Spínola, mas, vivamente desaconselhado pelo seu Estado-Maior, resolve à última hora não comparecer, para frustração do inimigo que contava prendê-lo nessa ocasião.
                Segundo relatam mais tarde os guerrilheiros que participaram na emboscada, os portugueses faziam-se transportar em dois jeeps que chegam ao local combinado 10 minutos depois do meio-dia. O primeiro a ser abatido é Passos Ramos, quando sai do carro. Os outros foram selvaticamente mortos, sendo retalhados a golpes de catana. Os corpos foram recuperados no dia seguinte, completamente mutilados.
                Em Setembro, cinco meses depois, Amílcar Cabral irá referir-se ao assassinato dos três majores num discurso triunfalista proferido em Conakri , por ocasião de mais um aniversário do PAIGC, e glorificará aquele “ato heróico”: “Depois de vários contactos, cartas ridículas, ofertas, presentes e promessas de toda a espécie, os colonialistas sofreram mais uma derrota vergonhosa: os nossos heroicos combatentes liquidaram os majores e outros oficiais e soldados que pensavam que podiam comprar-nos.”

Zaratustra: Eis a verdadeira face de Amilcar Cabral, esse grande amigo dos portugueses! Não tem perdão; nem na Terra nem no Céu! Nem ele nem os seus apoiantes!
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013