terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Barcelona-Benfica, Antevisão


Benfica e Barcelona pertencem ao restrito grupo de clubes que deram ao futebol a dimensão da poesia, de espetáculo universal e intemporal, graças à cultura da arte que desde a sua génese adotaram. Hoje, mais que nunca, têm a obrigação de honrar a sua história fazendo do próximo encontro uma elegia ao futebol e uma homenagem ao público que, próximo ou distante, lhes proporciona a existência.
 
Cruyff e Eusébio são duas das figuras maiores do futebol mundial que espalharam magia pelos estádios, construindo memórias indeléveis a milhões de adeptos que, hoje como ontem, as procuram ver ou reviver, erguendo pontes entre as múltiplas ilhas de angústia que proliferam à nossa volta diariamente. Mais que o resultado, é esta a responsabilidade maior de todos os atletas envolvidos.

Comummente reconhecida como a melhor equipa da atualidade, contando nas suas fileiras com atletas de elite, entre os quais a superestrela Lionel Messi que a todos encanta, a equipa do Barcelona, já apurada para os oitavos de final, tendo confessado publicamente simpatia pela causa do Céltic, jogando em casa, reúne indiscutível favoritismo. O seu famoso taka-taka, só possível pelo extraordinário entrosamento proporcionado por atletas de eleição após longos anos de jogo em conjunto, tem-se revelado altamente eficaz, apesar de fastidioso, graças, sobretudo, à superlativa capacidade mental, atlética e técnica de Messi capaz de gerar desequilíbrios fatais a qualquer defesa. Jogando sem pressão, poderão os seus Técnicos optar por fazer alguma rotação no plantel e adotar um ritmo mais moderado mas mais racional e letal, explorando os previsíveis erros defensivos do Benfica.

Necessitando da vitória para garantir a passagem aos oitavos pela irrazoabilidade da espetativa de uma derrota do Céltic, em casa, frente ao desesperançado Spartak, os atletas do Benfica têm que fazer jus aos pergaminhos do clube, honrando os seus antecessores e os  adeptos, arregaçando as mangas, mantendo a concentração tática, jogando em bloco, roubando a bola ao adversário, obrigando-o, também, a correr atrás dela, soltando a sua criatividade, olhando cada adversário nos olhos, disponíveis para uma luta sem tréguas a cada milímetro do terreno, do primeiro ao último instante do jogo, solidários, sem esquecer o instinto “matador” que qualquer dos seus atletas pode protagonizar, nomeadamente os avançados, em especial o Cardozo com o seu famoso pé esquerdo, mas também Sálvio, Rodrigo, Ola John, Gaitan, Enzo ou Máxi. Vencer é a escola do Benfica, seja quem for o adversário e onde for o embate, sendo esta convicção de cada atleta, a primeira condição para que tal se concretize.

Não confio na UEFA nem na FIFA, pois considero que navegam ao sabor das conveniências político-económicas sem revelarem preocupação efetiva em defender a lealdade e a verdade competitiva. Na época anterior, o Benfica foi gravemente prejudicado por decisivos e grosseiros erros de arbitragem nos dois jogos realizados com o Chelsea, nos quais demonstrou à saciedade ser a melhor equipa. Igualmente, nos últimos encontros para a mesma competição com o Barcelona o Benfica foi prejudicadíssimo por arbitragens incompetentes ou comprometidas que, inclusivamente, perdoaram duas grandes-penalidades claríssimas àquele clube, uma em cada jogo.

O favoritismo deve ser demonstrado no relvado e a UEFA não deve interferir na verdade desportiva nomeando equipas de arbitragem a quem parece atribuir  o cumprimento de outros desígnios que não da garantia do cumprimento das leis do jogo. Quem sabe ver o futebol, sabe interpretar os jogos de bastidores! É conveniente que o Sr. Platini não se esqueça disto, visto que talvez já se tenha esquecido do “cheiro da relva”.



AB

 

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