segunda-feira, 8 de abril de 2013

Andrés Segóvia e Villa Lobos

  

Prelúdio Nº 1 em Mi m
Do nosso primo Villa Lobos
 
In Wikipédia (editado por Zaratustra):
 
Andrés Segóvia (Linares, Espanha, 21 de fevereiro de 1893Madri, 3 de junho de 1987) foi um guitarrista espanhol. Considerado o pai do guitarra clássica pela maioria dos estudiosos de música, Segóvia dizia que tinha "resgatado o violão das mãos dos ciganos flamencos". Construiu um repertório clássico para este  instrumento o qual passou a figurar nos concertos das grandes salas. Muitos compositores fizeram obras especificamente para ele, como Turina, Villa-Lobos, Castelnuovo-Tedesco e Pedrell. Pablo Casals, considerado o melhor violoncelista de sempre juntamente com a Matosinhense Guilhermina Suchia com quem casou,  foi um grande admirador e apoiador de Segovia.
 
A introdução de Segovia à guitarra foi aos quatro anos de idade; quando era pequeno, o seu tio entoava-lhe canções enquanto ele tocava numa guitarra imaginária. Isso incitou Segóvia a tentar elevar a guitarra para o estatuto do piano e do violino. Em particular, ele queria que a guitarra fosse tocada e estudada em todos os países e universidades do mundo e passar o seu amor por ela para as gerações futuras.
 
A primeira apresentação de Segovia foi em Espanha, quando tinha 16 anos. Poucos anos depois, fez o seu primeiro concerto profissional em Madrid, tocando transcrições de Francisco Tárrega e algumas obras de Bach, que ele próprio transcreveu e arranjou. A sua primeira digressão foi pela América do Sul, em 1916. Em 1924 apresentou-se em Paris e em Londres. Seguiu depois por várias outras cidades na Europa e na Rússia.
 
Embora não fosse aprovado pela família, Segóvia prosseguiu os estudos de guitarra. A sua técnica diferenciou-se das técnicas de Tárrega e dos seus sucessores, como Emílio Pujol. Como Miguel Llobet (que pode ter sido seu professor por um curto período), Segóvia atacava as cordas com uma combinação da unha com a ponta dos dedos, produzindo um som mais preciso do que os seus contemporâneos. Com esta técnica, foi possível criar uma paleta de timbres maior, em comparação com o uso do dedo ou das unhas.
 
Muitos músicos proeminentes acreditaram que a guitarra de Segóvia não seria aceite pela comunidade da música erudita. Aesar disso, a excelente técnica de Segovia e o seu toque único atordoaram plateias. Consequentemente, a guitarra deixou de ser vista estritamente como um instrumento popular passando a ser aceite para interpretação da música erudita.
 
Como progredia na sua carreira e tocava para audiências cada vez maiores, Segóvia constatou que as guitarras existentes não eram adequadas para tocar em grandes salas porque não conseguiam produzir volume de som suficiente. Isso estimulou-o a procurar inovações tecnológicas que poderiam melhorar a amplificação sonora natural da guitarra. Trabalhando a par com o luthier Hermann Hauser, Segóvia, ajudou a conceber a que hoje é conhecida como guitarra clássica, usando melhores madeiras, cordas de nylon e alterando o seu formato..A nova guitarra podia produzir notas com maior volume sonoro do que os modelos anteriores usados em Espanha e noutras partes do mundo, embora fosse ainda baseado no modelo básico desenvolvido por Antonio Torres quase 50 anos antes de Segóvia nascer. Depois de uma viagem de Segovia pelos Estados Unidos em 1928, Heitor Villa-Lobos compôs e dedicou-lhe os "12 Estudos". Segóvia também transcreveu muitas peças eruditas e reescreveu obras transcritas por outros (como Tárrega). Muitos guitarristas nas Américas, entretanto, já tinham tocado as mesmas obras antes de Segovia chegar.
 
Em 1935, fez a estreia da "Chaconne" de J. S. Bach, uma peça difícil para qualquer instrumento (original para violino solo). Mudou-se para Montevideo, fazendo muitos concertos na América do Sul nas décadas de 30 e 40. Depois da II Guerra, Segóvia começou a gravar mais frequentemente e a fazer digressões regulares pela Europa e EUA; uma agenda que ele manteria pelos 30 anos seguintes da sua vida.
 
Segovia ganhou o prémio Grammy pelo Melhor Trabalho Erudito - Instrumental em 1958, pela sua gravação Segóvia Golden Jubilee. Como reconhecimento da sua enorme contribuição cultural, em 1981 foi-lhe atribuido o título nobiliáquico de Marquês de Salobreña. Andrés Segóvia continuou a apresentar-se, já idoso, e viveu uma semi-reforma durante os anos 70 e 80, na Costa del Sol. Dois filmes foram feitos sobre a sua vida e obra - um quando tinha 75 anos e outro 9 anos depois. Estão disponíveis no DVD Andres Segóvia - in Portrait.
 
Segóvia teve muitos alunos durante a sua carreira, incluindo alguns guitarristas hoje famosos como Steve Hackett, John Williams, Rouland Solarese, Eliot Fisk, Oscar Ghiglia, Charlie Byrd, Christopher Parkening, Michael Lorimer, Michael Chapdelaine, Virginia Luque e Alirio Diaz. Muitos outros guitarristas, como Lily Afshar, foram também influenciados pelas históricas master-classes. Estes alunos, entre muitos outros, carregam a tradição de Segovia de expandir a presença, o repertório e o reconhecimento da guitarra.
 
Morreu em Madrid, vítima de ataque cardíaco, aos 94 anos, tendo completado o desejo de transformar a guitarra (outrora um instrumento de dança cigana) num instrumento de concerto.
 
 
Zaratustra:
 
A sonoridade que emana da guitarra de Andrés Segóvia é única, inigualável. Só se o percebe depois de muitas e repetidas audições, descobrindo detalhes surpreendentemente fascinantes em cada nota.


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