quinta-feira, 18 de abril de 2013

Espanha está a negociar centralização de direitos TV

In Jornal económico de 18/04/13, por Paulo Jorge Pereira
 
Real Madrid e Barcelona aceitaram reduzir a sua parte de 42 para 34%. Director-executivo da Liga espanhola optimista para mudança em breve. 
  
Cerca de 162 milhões de euros para o Real Madrid; 13,9 milhões entregues ao Granada. Estas foram as verbas que os dois clubes receberam na época passada como resultado do seu acordo sobre direitos televisivos. Em Inglaterra, onde o modelo é centralizado, o Manchester City, que assegurou o título de campeão, encaixou 70 milhões, enquanto o despromovido Wolverhampton conseguiu metade. Mas esta desproporção está em vias de ser alterada, pois os espanhóis estão a negociar para que o modelo da Liga seja centralizado.

"Há questões que temos de melhorar. Somos das poucas Ligas europeias, em parceria com o que sucede com os nossos vizinhos portugueses, onde a negociação dos direitos televisivos dos clubes ainda não é centralizada. No entanto, uma vez que Barcelona e Real Madrid admitiram reduzir de 42 para 34% a sua parte, estou optimista para que, num prazo de três anos, a negociação dos direitos televisivos passe a ser centralizada": o discurso é de Francisco Roca, director-executivo da Liga espanhola.
 
Zaratustra:
 
O atual modelo de financiamento dos clubes, em Portugal e na Europa, está a condenar o futebol desacreditando-o, devido ao fosso cada vez maior que se verifica entre clubes. Esta realidade reduz a qualidade do espetáculo, induz fenómenos de corrupção e conduz ao inevitável afastamento do público, saturado dos velhos heróis, alguns deles de papelão.
 
No caso de Portugal é dramático! O regime de monopólio de exploração dos direitos desportivos conduziu ao absurdo da fantástica receita  9 ME por época do Benfica, comparando com 162 ME do Real Madrid e 13,9 ME do...Granada! O orçamento do Benfica atual é de 110 ME e o do Real Madrid é superior a 500 ME! Enquanto isso, o detentor dos direitos vem engordando à custa da popularidade do meu clube que,  fustigado pelos "calheiros da vida", se viu forçado a vender receitas futuras ao preço da uva mijona!
 
O projeto de centralização de comercialização dos direitos desportivos defendido por Mário Figueiredo é o caminho certo desde que resulte na redução do fosso financeiro entre clubes e haja vontade e capacidade de exterminar a corrupção direta ou induzida que vem destruindo este desporto.
 
Também a UEFA e a FIFA têm que mudar os atuais modelos de financiamento e até alterar os quadros competitivos. O negócio sustentado associado ao futebol está indelévelmente ligado ao que de genuíno se passa no relvado e não nas trafulhices dos bastidores. O adepto de hoje percepciona com relativa facilidade as manobras ocultas.
 
É imperativo que as receitas das grandes competições europeias quer de clubes, quer de seleções, valorize a competitividade dos clubes aproximando-os financeiramente, sem comprometer outra vertente nobilíssima deste desporto que deveria ser mais fomentada e divulgada e que consiste recuperação social de muitos milhares de jovens, em várias partes do Mundo, antes perdidos nas sombrias esquinas da pobreza. 
 
Inevitávelmente, também os quadros competitivos das provas nacionais e europeias deverão garantir maior equilíbrio entre as equipas, não se compadecendo com alargamentos suicidas como se pretende fazer em Portugal. Tal resultará, inevitávelmente, em menor competitividade externa e ao alargamento do fosso entre as equipas nacionais e as outras. O designado critério de fair-play não tem convencido! Parece que há sempre caminhos esconsos que permitem escapatória aos faltosos! E ninguém se parece ralar, nem mesmo quando se vêm assitências de 500 adeptos em estádios com capacidade para 30 000! Assim não vamos lá!

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