sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Contos proibidos de Rui Mateus; curiosidades I

Percebem-se as razões da tradicional postura de "donos do regime"patenteada por parte dos mentores do PS ostentando correntemente, uma "superioridade" moral, afinal, imoral, perante os restantes cidadãos. Surpreendente para mim, o estatuto de referencia moral que diz ter constituido Salgado Zenha para o PS, ultrapassado pelo mediático e egocêntrico Soares. Face ao que temos assistido nos últimos anos já não constituem surpresa as a denúncias de obscurantismo político, as alegações de atitude manipulatória que atribui ao Ministério Público, nem tão pouco as referências ao "temível estado dos juízes" figuras cada vez mais preponderantes e, muitas vezes, tenebrosas. Como corrigir este estado de coisas é uma tarefa árdua, muito para além das forças de um pequeno e pobre país como Portugal.
A palavra a Rui Mateus:
 
"Em Portugal, neste pequeno país periférico, diminuído pela indigência e obscurecido pela opacidade , ensaia-se um sistema político-partidário moldado pelo Partido Socialista onde só duas décadas após o restabelecimento da democracia se começa a discutir o tráfico de influências, a transparência e, enfim, o cidadão. Discussão envolvida em tanta hipocrisia e por métodos tão falaciosos que poderemos considerar que o nosso pais, neste capítulo, se encontra num espaço cultural de transição entre o fascismo e um " estado de juízes", que não vislumbra um regime de verdadeiro controlo e legitimação democrática das instituições."...
 
"A democracia portuguesa, no atual contexto ocidental, embora irreversível na sua aparência formal, resvala perigosamente para "um corpo de funcionários sem legitimação democrática direta ou indireta, como é, entre nós, o corpo de magistrados, que é dominado "por certas correntes que professam uma concepção militante, radical e fundamentalista da magistratura, a qual, geralmente aliada ao protagonismo político de alguns, tem subjacente uma cultura de intervenção, quando não de contrapoder e confronto com os órgãos de soberania politico-representativos". Á semelhança do que acontece em Itália, berço do pensamento e acção fascistas que assolariam a Europa nos anos 30, também hoje é legítimo perguntar se "o governo dos juízes", recentemente convertidos à democracia, tem feito impunemente os seus progressos perante uma cada vez mais amedrontada "classe política"."...
 
"De Salgado Zenha este partido herdaria a "consciência moral" que ainda lhe resta. Mário Soares seria eleito Presidente da República e Salgado Zenha abandonaria o partido, incompatibilizado com o seu velho amigo. Durante algum tempo, o PS iria ser um partido à deriva. Recuperaria eleitoralmente, contudo, com o seu atual líder, António Guterres. Mas, curiosamente, essa recuperação só aconteceria quando este fiel discípulo de Zenha se converteu ao soarismo."...
 
"O meu livro, assim o espero, ajudará a compreender como o triunfo de alguns se faria à custa do sacrifício de outros. O "estado dos juízes" está "atento " ao passado dos atuais políticos e, não hesitará, no momento oportuno, em colaborar para a sua decomposição."...
 
"O início da luta dos Movimentos de Libertação contra o colonialismo português na Guiné, em Moçambique e em Angola, empurrados pela miopia e desinteresse ocidental para os braços da União Soviética, dariam lugar ao chamado "Movimento dos Capitães" que a 25 de Abril derrubaria, para surpresa de todos dentro e fora de Portugal, a ditadura iniciada com o Estado Novo, em 1933, por António de Oliveira Salazar."...
 
"Hoje, visto de fora para dentro, Portugal regressou ao seu estado de país insignificante e receptor. Não foram conseguidos os grandes objetivos da Revolução de Abril e o País encontra-se entre a Europa e a mediocridade. Parece que o Povo Português não consegue libertar-se do fatalismo da I República."...
 
"Um pouco à semelhança dos "pilares morais do regime", a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide às escondidas, como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados, fosse algo suspeito, algo subversivo."...
 
"Acontecerá então, para mal de todos nós, a conversão do já em si negativo "triunfo da política" no temível "estado dos juízes".
 

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