domingo, 1 de novembro de 2015

Além do horizonte

   Fiquei surpreendido quando, no final daquela fatídica época, em que a equipa de futebol sénior do Benfica, tudo perdeu, quando tudo poderia ter ganho e Filipe Vieira decidiu manter o desacreditado treinador, que parecia ter perdido a confiança dos seus jogadores e dos adeptos. Adivinhava-se, como consequência imediata da profunda deceção, a deserção ou simples afastamento de grande massa adepta benfiquista. Tudo parecia recomendar a tomada de medidas drásticas rompendo com o fracassado projeto Vieira-Jorge Jesus. Na verdade, a recente recontagem de sócios revelou uma redução significativa, mesmo descontando as causas naturais. Por outro lado, Jorge Jesus afirmou em entrevista recente, que, nessa ocasião, já tinha para onde ir. Parecia pois que iríamos assistir a uma debandada persistente de benfiquistas da "indústria" do futebol nacional e, pareceu-me, que isso mesmo terão  comcluído os altos responsáveis da bola lusitana. O passo lógico seguinte foi considerar que tal conduziria ao colapso da "indústria", dada a sua evidente precariedade económica, impondo-se a tomada de medidas urgentes de recuperação do "mercado" encarnado. Essas medidas consistiriam na garantia de moderação dos condicionamentos desportivos associados ao desempenho das equipas de arbitragem, historicamente hostis às equipas do Benfica. E foi ao que assistimos nas duas épocas seguintes; os encarnados da Luz, foram menos prejudicados do que nas anteriores, sucedendo-se as vitórias, para gáudio dos seus diletos, que, assim, relativizaram mágoas passadas.

   É óbvio que a viabilidade económica do futebol nacional depende da capacidade dos seus agentes conquistarem a adesão de todos os que são sensíveis ao espetáculo desportivo, fundamentalmente os adeptos e simpatizantes dos três grandes clubes nacionais. Chegou a vez de reconquistar os adeptos do Sporting; jornada após jornada, os indícios vão-se sucedendo, consolidando a temerária suspeita. Nesta jornada, mais uma vez, o Sporting ganha com uma grande penalidade mal assinalada, como parece ter acontecido no jogo com o Tondela. Mesmo no recente jogo da Luz foi-lhe perdoada uma falta para castigo máximo, cometida sobre Luisão, ainda com o nulo no resultado. Bruno de Carvalho não precisa de fazer tanto alarido; basta-lhe assumir uma pose de "Estado", afirmando-se como o grande visionário verde, poupando sérios embaraços aos sportinguistas decentes. A vitória parece certa! E pode ter sido esta a verdadeira razão da saída de Jesus; saiu do Benfica por cima sabendo que vai ganhar no Sporting. 

   O mais grave de tudo isto é que, a ser verdade, Filipe Vieira teria conhecimento da moscambilha; daí a aposta na formação. Perde-se agora e preparam-se as vitórias para quando chegar a nossa vez!

   Tudo isto pode parecer uma grande patetice mas a verdade vai-se insinuando, episódio após episódio, na mente de muitos adeptos, que a vão pressentindo. Juntando os conhecidos casos de corrupção, as confissões do uso de estupefacientes por parte de alguns ex-praticantes, a insolvabilidade da maioria dos clubes nacionais, a concorrência de outros campeonatos, o fim do "mito" Mourinho, os casos em curso na FIFA, os muitos escândalos no futebol internacional e as obscuras oportunidades financeiras associadas, pode bem ocorrer num futuro não muito longínquo, o total descrédito do futebol português e o consequente afastamento da generalidade dos espectadores, cansados de tanta mentira e manipulação.

A verdade, chegará, seja ela qual for.

(Tela de Amadeo Modiglianni)

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