Desporto

sábado, 4 de abril de 2015

Manoel de Oliveira não morreu

      Saber que Manoel de Oliveira andava por aí a fazer cinema, desafiando a eternidade, suscitava-me uma tranquila e silenciosa satisfação, e também esperança. A serena satisfação pelo tremendo respeito, sempre patente, que granjeara no panorama do cinema mundial desde o seu fascinante e perene documentário sobre o rio Douro. A esperança advinha do seu raro empenho em interpretar e difundir episódios marcantes da História de Portugal, como o de Alcácer Quibir. Julgo que, na linha de Camões, Pessoa, Agostinho da Silva, José Gil, Eduardo Lourenço e outros, sentia necessidade de procurar, profundamente, as características e vicissitudes da nação portuguesa, a essência que vem da fundação da nacionalidade e lhe pode dar sentido, num tempo pós-império em que o lugar de Portugal no mundo parece condenado à subalternidade e irrelevância. Não sei se o conseguiu, é um caminho que terei de percorrer como puder, tentando perscrutar e interpretar o seu pensamento. Longe vão os tempos em que tínhamos a secreta satisfação de fazer parte do universo de intelectuais como António Lopes Ribeiro, Pedro Homem de Melo, Vitorino Nemésio, Natália Correia, David Mourão Ferreira e outros, que se preocupavam em dirigir-nos a palavra a partir da nossa TV. E isso fazia-nos bem; hoje parece não haver lugar para estas conversas. E como precisamos delas!

      Mas Oliveira preocupava-se sobremaneira com o cosmos do ser humano, debruçando-se sobre os mecanismos afetivos próximos ou implícitos. O seu génio convocou gente histórica no cinema universal, como Catherine Deneuve, John Malcovich e esse "monstro" de Fellini, do célebre sete e meio, o eterno ator do fascinante cinema italiano, Marcello Mastroianni. E "fabricou" atores que ficarão na história do cinema nacional, dos quais se destacam a Teresa Madruga e Luis Miguel Cintra.

      Compete-nos a nós impedir a morte de Manoel Oliveira, partindo à descoberta da sua obra, à descoberta do homem por detrás dela e do mundo que tentou revelar. Na verdade, não posso deixar de prestar homenagem a seu pai que teve a sabedoria de lhe oferecer o "brinquedo" certo; uma maquinazinha de filmar com a qual Manuel de Oliveira fez a sua obra-prima, demonstrando desde logo as origens da arte.  Por simpatia, recordo Juan Manuel Serrat, que, com seu talento, ganhou lugar de honra na música hispânica, com projeção mundial, graças à guitarra que seu pai, um dia, lhe ofereceu! E aqui está como pequenos gestos, se acompanhados de perspicácia e afecto podem mudar o mundo.

       Estou grato a Manoel de Oliveira e não sinto que tenha morrido. Recordo a ideia que dizia ter da morte; dizia que não tinha medo dela, porque era um descanso.

      Obrigado Manoel de Oliveira
 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Ciência ou manipulação?

Os modelos matemáticos que servem de base de cálculo das séries de medições de temperatura do planeta usam tantas  e tão subjetivas variáveis que é difícil acreditar nos resultados. Na peça referenciada até parece que se adicionam ou alteram coeficientes com o propósito de atingir resultados pré-definidos.
 
 
"Christy notes, "If you want to say model trends are bolstered, you must remember model trends are all over the map. Which trend is bolstered? Perhaps you want to say those model trends less than 0.2 C per decade are bolstered." Right now the available data sets appear to strengthen the case for arguing that the lower-end model projections for future temperature increases are more likely ones. Christy concludes, "The new warming trend is still well below ideas of dramatic or catastrophic warming."
 
 

Jesus Cristo, Redentor

 
 
JESUS CRISTO REDENTOR
 
 
 
 
Jesus Cristo deu-se em sacrifício, pelos pecados do Homem, restituindo-lhes a inocência, sob a condição do arrependimento e do amor.
 
 
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A Terra está mais verde!

Despite Decades Of Deforestation, The Earth Is Getting Greener | IFLScience

Tonta Europa



      Depois de fechar milhares de empresas e criar milhares de desempregados  graças aos eqívocos do Sr Trichet, aos seus regulamentos execráveis, aos seus fundamentalismos persecutórios, a sua ânsia de controle total de tudo e todos, os Grandes Lideres da União Europeia decidiram, mais uma vez, derramar sobre os bárbaros do sul os preciosos euros que, com tanta "sabedoria", lhes extorquiram. Desta vez, meteram as câmaras municipais no circuito, insaciáveis sorvedouros de dinheiros públicos e privados, confiscadoras de patrimónios e almas; conscientes do esgotamento fiscal dos cidadãos, encontraram "arte" de lhes ser entregue a gestão dos processos de financiamento. Claro está que "metade" dos recursos serão absorvidos pelos encargos com licenças e as mais variadas taxas camarárias e a outra metade será entregue às "tribos" locais, ficando o "zé batata" a ver navios, ou com mais uma "canga" ao pescoço, como sempre.
 
     Surgirão n empresas a custo zero que por sua vez irão fazer concorrência desleal a outras tantas, muitas das quais terão que fechar portas por perda de competitividade induzida por via administrativa pela União Europeia. Troca-se emprego por emprego; entram uns saem outros. Que é feito da livre concorrência?, da igualdade de oportunidades?, da abolição dos abusos de posição dominante?, enfim, dos princípios fundadores da doutrina democrática?
 
      Que interesse tem fundar empresas sem economia que as sustente?, com que descaramento se convencem pessoas a encetar a aventura do empreendedorismo para depois ficarem sós perante a falta de procura interna, a falta de liquidez do mercado e à mercê das câmaras municipais, das ASAES, das APAS, dos INCIS, das ADENES, das ATS, das ACTS, das SS, das EMEIS, dos CENTERMES, dos CERTIFES e toda essa parafernália, de instituições que, "velando" pelo nosso futuro, garantem para si perpétuas rendas, à custa do trabalho e sofrimento perpétuo dos tutelados.
 
      A União Europeia tem um problema com a liberdade das pessoas, que restringe ao voto, ainda assim de forma condicionada, uma vez que o eleitor vota em quem os partidos e governos escolhem e não em quem gostaria. Cultiva a dependência pela via dos subsídios, destruindo a iniciativa individual e coletiva, cultivando, implicitamente, a passividade; "comprando" em simultâneo o silêncio das elites, entregando-lhes o controlo dos súbditos do novo império, a troco de dinheiro e poder.
 
      Os empregos que interessam são os sustentáveis, que materializam os sonhos de cada um à escala de cada qual; o fascínio donde brota a alegria de viver que é a seiva de uma nação próspera. Para isso é preciso "sair de cima", simplificar o acesso às profissões acabando com sistemas de certificação injustificados e inadequados; desburocratizar as administrações pública e local, acabar com taxas, taxinhas e licençazinhas por tudo e por nada, que, afinal, se destinam, essencialmente, a financiar esses monstros em estado de penúria permanente. 


      É preciso deixar ficar o dinheiro na economia, para que, quem teve o talento de o ganhar tenha a possibilidade de o reinvestir criando mais riqueza e emprego. Mas...é demais para a UE que não suporta a liberdade económica e impõe os seus próprios circuitos a fim de manter o poder sobre as populações, constituindo, afinal, uma subtil, mas por vezes brutal, forma de ditadura.
 
      Nesta altura do campeonato não há meio termo; ou a UE avança para a união política, fiscal e judicial e os europeus do norte vêm cá estabelecer as suas empresas e dar empregos ou subsídios a todos, acabando-se de vez com as soberanias nacionais, ou há uma regressão no processo para a figura da confederação, que é o que defendo.
 
      Então andam há décadas a promover a concentração económica, a cometer genocídio empresarial e social "para acabar com as empresas de vão de escada", para aumentar a produtividade e os salários fazendo a vontade ao Sr. Carvalho da Silva, finalmente em silêncio cúmplice, e agora incentivam o "próprio emprego"?, as empresas de "vão de escada" cujas congéneres, antes, eliminaram? 
 
      Acreditam que as novas empresas trarão uma dinâmica acordo com a teoria tradicional dos ciclos empresariais, impulsionando a economia por uma geração ou duas, mas, afinal, revelam ignorar o moderno conceito das sinergias empresariais, que revertem o ciclo tradicional. Por outro lado, perde-se conhecimento, destrói-se capital e desacreditam-se os princípios fundadores da CEE e UE. O sonho europeu é uma hipócrita miragem.

 
      Não vamos longe com esta gente!

terça-feira, 31 de março de 2015

Esperteza saloia


      Refere a imprensa diária de hoje ter dito Lopetegui que os  árbitros não devem decidir campeonatos.
      De acordo. Mas é o contrário que pretende que aconteça, ao dizê-lo. Este paleio já rendeu ao seu clube quatro preciosos pontinhos, só nesta ponta final do campeonato.

domingo, 29 de março de 2015

Benfiquices

   Ofereceram-me, hoje, uma camisola Eusébio. Gostei; preta com vivos vermelhos, foto do Eusébio  do lado esquerdo, bordada, e o 10 no dorsal.  Discreta e elegante, uma versão sem o 10 e foto um pouco mais reduzida, adaptar-se-ia melhor ao mercado sénior.
 
   Anacleto Pinto foi um dos grandes atletas do Benfica; com excelente palmarés nacional e internacional, recordá-lo-emos com saudade e gratidão.
 
   A equipa de andebol do Benfica está de parabéns, acabou de eliminar o Ravenna e está na final da Challenge Cup!, quem diria?, Um exemplo de sucesso da fórmula "evolução na continuidade". Boa sorte para a final.
 
   A canoagem encarnada está, igualmente, de parabéns; Teresa Portela foi medalha de ouro na Taça de Portugal de regatas em linha, em K1, nos 500 e 200 metros. Na mesma categoria e nos 200 m, Joana Vasconcelos foi medalha de bronze.  João Ribeiro também em K1 foi medalha de prata. O Benfica afirma-se como uma potência na canoagem nacional.
 
   A equipa de hóquei encarnada segue na liderança do campeonato, está nos quartos da Taça e foi eliminada da UEFA CUP pelos Porto. Muita concentração e determinação na ponta final da época; Campeonato e Taça são um excelente presente para os adeptos. Força!
 
  A equipa feminina é campeã da europa superando as gigantes espanholas da modalidade. É um regalo ouvir o fervor com que Paulo Almeida fala do Benfica e da sua equipa. É deste entusiasmo que se constrói a tal mística. Um exemplo para o clube.
 
  No futsal está tudo em aberto; liderança na fase regular no campeonato e continuidade na Taça, após eliminação do Fátima. Joel Rocha é um bom Treinador; sabe o que faz e tem ambição, pode ir longe no Benfica, e o Benfica pode ir longe com ele. Esperemos que mantenham a bitola na fase final. Discordo deste modelo competitivo por relativizar a regularidade, quando deveria premiá-la.
 
  Sob a batuta do carismático Lisboa, o basquete segue imperial. Há que manter, pois no final é que se fazem as contas.
 
   A equipa de andebol foi eliminada da Taça pelo Porto, a quem havia ganho na semana anterior - salvo erro -, para o campeonato. O jogo parece que foi equilibrado e a vitória dos azuis foi à justa. Segue-se a fase final do campeonato repetindo-se o confronto entre os dois rivais, onde os encarnados poderão retificar. O Benfica tarda em afirmar-se nesta modalidade, mas é reconfortante ver a nobreza com que o clube persiste na busca da excelência competitiva. Tal sucedeu no basquete, no hóquei, no voleibol, no futsal, no atletismo....Basta seguir o método; adição sucessiva de competência, continuidade e mentalidade ganhadora.
 
   A equipa de Futsal feminino foi eliminada da Taça pela equipa Novasemente Cavalinho (que raio de nome!), foi um jogo equilibrado, com ascendente no resultado das encarnadas que se deixaram superar na ponta final do prolongamento pelas adversárias, graças à determinação destas, falta de concentração própria na finalização e falta de consistência em vários momentos de jogo. Mas, bateram-se bem e isso é reconfortante.
 
   Os Juniores estão mal classificados na fase final do campeonato, mas têm, salvo erro, dois jogos a menos. A equipa está a consolidar-se. na sequência da saída de alguns grandes jogadores que foram campeões na época passada; Gonçalo Guedes, Bernardo Silva, Hélder Costa..., e alguns jogadores talvez andem um pouco nas nuvens graças ao excelente desempenho na UEFA Youth League. João Tralhão é um magnífico formador e saberá potenciar a equipa; concentração, humildade e determinação são os ingredientes necessários adicionar à cultura tática.
 
  O clube/SAD está a trabalhar bem, mantendo uma bitola competitiva alta, continuando, em simultâneo, na senda de novas infraestruturas que, por sus vez, potenciarão a competitividade futura global e aumentarão a coesão e solidariedade benfiquista. 
 
   È tempo de continuar a olhar cada vez mais em frente.

Onde pára a Maria da Fonte?

Liberdade

Liberdade

 

Ai que prazer 
Não cumprir um dever, 
Ter um livro para ler 
E não fazer! 
Ler é maçada, 
Estudar é nada. 
Sol doira 
Sem literatura 
O rio corre, bem ou mal, 
Sem edição original. 
E a brisa, essa, 
De tão naturalmente matinal, 
Como o tempo não tem pressa... 

Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta 
A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 
Esperar por D.Sebastião, 
Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
Só quando, em vez de criar, seca. 

Mais que isto 
É Jesus Cristo, 
Que não sabia nada de finanças 
Nem consta que tivesse biblioteca... 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
 

sábado, 28 de março de 2015