sexta-feira, 7 de agosto de 2015
sábado, 1 de agosto de 2015
A "chafurdice" do futebol
Desenganem-se os que esperam que, as pessoas, as instituições ou as nações se movem por princípios éticos; não é verdade. A retórica da ética, do humanismo, da solidariedade, não passa disso mesmo, salvo honrosas excepções. O interesse é o motor de todas as dinâmicas pessoais ou institucionais. Dizem as teorias liberais que estas são as dinâmicas do progresso, caracterizadas por uma turbulência resultante do permanente conflito de interesses. Toda a entropia social e política a que assistimos actualmente constituiria pois o processo de ascensão a um novo patamar sociopolítico. Pode ser. Pode ser que também seja assim no futebol. No entanto, quando o poder moderador do Estado é capturado por uma ou algumas das partes, o resultado só pode ser o retrocesso. E é assim que estamos; no futebol e no país.
Como se previa, o "dragão de oiro" Pedro Proença foi eleito para a Presidência da Liga e, como se esperava, disse logo ao que vinha; retirar o controlo da arbitragem da Liga e entregá-la a nova instituição participada pela Liga e pela Federação. Naturalmente "para bem do futebol". E em que consiste o bem do futebol?, simples; nas vitórias do Porto!, na Pax portista!
Proença subiu na arbitragem graças aos títulos que as suas actuações proporcionaram àquele clube e continuará a fazê-lo, seja na Liga, seja na UEFA, onde integra o Comité de arbitragem. Recordemos que o Porto perdeu todos os campeonatos sempre que lhe escapou o controlo da Liga; Cunha Leal, Hermínio Loureiro e Mário Figueiredo-Luis Duque. Falhada a tentativa de afastamento de Vitor Pereira do Concelho de Arbitragem, reconstituída a Sport TV, fácil foi arregimentar aderentes à causa, clubes cronicamente insolventes, prontos a prestar vassalagem ao poder do momento.
O projecto de Mário Figueiredo é o único caminho para a viabilização do futebol nacional; maximização das receitas pela concentração na Liga da negociação dos direitos dos clubes, abertura a vários operadores, distribuição mais equilibrada, reforço da competitividade e incerteza nas provas, supressão do controlo "remoto" da Liga e dos clubes por qualquer entidade externa, afastamento dos clubes sem autonomia. Projecto fracassado pela cobardia da maioria dos clubes, que abandonaram quem elegeram, e dos patrocinadores, que retiraram os financiamentos, apavorados com o previsível confronto dos poderes que há décadas dominam o futebol nacional, graças à influência política, ao potencial financeiro e ao domínio dos bastidores do futebol.
Qual Phoenix, a Sport TV reformulou a sua estrutura e o seu poder, com o contributo do "perdão de dívida" do BCP e do BES - na verdade, conversão de dívida em capital -, com a adesão dos principais operadores do cabo, o contributo de capitais angolanos, o apoio de Amorim na direcção executiva e a supervisão de Proença de Carvalho, o homem que abre todas as portas. Noutra vertente, depois do desmantelamento do grupo Pidá, outra organização estava já no terreno - ao que consta com 200 homens só em Lisboa -, ambos com ligações informais ao Porto, constituindo, ainda que implicitamente, importante meio de dissuasão de elementos com influência desportiva capazes de prejudicar os interesses daquele clube. Com a Liga na mão, com o apoio dos idiotas úteis, outros passos se seguirão até ao regresso do domínio total. Voltará então ao discurso da inevitabilidade e naturalidade dos erros humanos e da estupidez dos críticos.
Tal como o país relativamente a Bruxelas, também os clubes desistiram de si próprios, preferindo a paz podre conferida pela subjugação aos tiranos, na expectativa de umas migalhas ou de menor exposição às inevitáveis agressões por dissidência.
Confesso porém, que, por vezes, chego a pensar que tudo isto não passa de uma enorme encenação. Razões não faltam. O futuro se encarregará de o demonstrar. A ser verdade, o futebol, inapelavelmente, caminha para o abismo. Ou talvez não!, afinal, o povo sempre gostou de circo.
PS. Luis Duque foi instrumentalizado com o fim de afastar Mário Figueiredo da Liga. Agora foi atirado borda fora sem apelo nem agravo. O Presidente do Benfica, mais uma vez, foi ultrapassado, graças à sua postura conciliadora; tem obrigação de saber que com Pinto da Costa, os acordos são sempre para perder. Deveria ter assumido frontalmente a posição de Mário Figueiredo e ter-se afastado do processo subsequente. Quanto ao sorteio ou nomeação dos árbitros, tendo em conta o campeonato transacto no qual o Porto foi o mais beneficiado, também preferia o sorteio. Mas não realizado pela Liga; teria de ser um processo público por entidade idónea e método insusceptivel de manipulação.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
sábado, 18 de julho de 2015
Heróis do Mar
Com seu pai ao lado Zé remava com entusiasmo intrigado com o estranho brilho que a areia da borda do mar produzira ao caminhar sobre ela. - Atão Zé, aguentas-te?, olha sempre p'rá proa para não enjoares e...quando estiveres mal disposto deita a carga ó mar!, tem que ser...não é preciso fazer muita força...ficas com foles nas mãos e vais-te abaixo...basta acompanhar! - Disse João ao filho para o reconfortar pois sabia que, no fundo, devia ter medo.... O mar estava puxado; já estava arrependido de o ter trazido! - Se isto dá para o torto...pensava João, com o coração pequenino! Ele aguenta-se, isto não é nada...repetia para consigo lembrando-se que o último cabaz de sardinha salgada já ia meio...e eram nove!
- Estamos a chegar...devagar ao remo...aguenta...vem aí liso.... - Ia dizendo o arrais já às portas da cala. - Agora, agora, agora, rema com força que tá liso, força, rema...ó, vai, ó, vai, ó, vai...- a lancha está atravessada, rema de bombordo que vem mar, rema de bombordo....ah ladrão que me mataste....- vociferava o Tio Francisco ao ver a lancha adornar sob o impacto da vaga: - Rema, rema, rema, que morremos aqui todos! - Agarra-te a mim, Zé, agarra-te a mim! - Gritava João ao filho ao ver a derradeira vaga que se aproximava. - Não escapamos desta. - Pensou, procurando agarrar Zé sob os gritos de aflição dos camaradas que, varridos pelo mar, procuravam desesperadamente agarrar-se à lancha, aos bancos, aos remos, a tudo a que podiam deitar a mão. Dois tinham-se enfiado debaixo da tilha, três foram varridos borda fora desaparecendo, emaranhados nas redes, os outros agarravam-se à lancha como pilados. Ficaram afundados à tona e à deriva. Sem barco à vista, com mar alto, ninguém se sentia com forças para ir a terra pedir ajuda. Zé ainda quis ir, mas seu pai dissuadiu-o: - Não vais filho, está mar à borda...não se vê vivalma na praia...não tens quem te acuda...vamos agarrados à lancha, se não aparecer ninguém, damos através; o mar leva-nos à praia.
- A água estava fria e a corrente puxava para fora e para sul, ouvia-se o bater de dentes, orações, impropérios; - ai os meus ricos filhos...salvai-nos Jesus...Senhora da Encarnação nos acuda...ai que eu morro...pai nosso que estais no céu...avé maria cheia de graça...Deus é vida...Deus é vida...- pouco a pouco, as vozes iam esmorecendo até deixarem de se ouvir, enquanto, um por um, os homens iam desfalecendo. - A praia, pai!, a praia parece mais perto, vou pedir ajuda a terra ou morremos todos. - Zé largou-se da lancha e nadou na direção da praia; estava frio, muito frio, já não sentia os pés nem as mãos. Fazia-lhe bem nadar; deixara de sentir frio, tinha de chegar a terra...tinha de chegar à praia...faltava-lhe o ar....engolira muita água...faltavam-lhe as forças mas continuava a atirar os braços para a frente, como se nadasse...sentia-se a ir ao fundo...sentia-se desfalecer.....Amanhecia, o sol radioso despontava no horizonte. João viu o filho a esbracejar a meio caminho de terra e foi atrás dele; nadou com quanta força tinha, já tolhido: - ajuda-me Senhor, aguenta-te filho. Chegou a tempo de lhe deitar a mão, puxou-o para si; - abraça-te a mim filho, abraça-te a mim... - Tirou a cinta dos calções, passou-a à volta de ambos, atou-a e começou a nadar em direção à praia - Se chegarmos à rebentação, as ondas levam-nos para terra. - Pensou e nadou até desfalecer.
Mas chegaram à praia, à praia de Vieira de Leiria; deram através!, o mar devolvera-os a terra; João Simões Barreto, da Praia de Buarcos da Rua dos Pescadores, sobreviveu. Sua mulher nunca lhe perdoou. João era meu avô. Zé era meu tio.
A lancha também deu através, horas depois. Morreram dezasseis tripulantes. Chamava-se Primavera.
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Adeus, Máxi
Quando Máxi Pereira começou a jogar no Benfica poucos diriam que viria a ser uma referência da equipa e do clube, tal a forma desajeitada com que tratava a bola. Havia mesmo quem dissesse que "não sabia jogar". Engano; serenamente, paulatinamente, foi-se afirmando através da garra, da concentração e da oportunidade, tendo sido decisivo muitas vezes, conquistando o afeto dos adeptos, que viam nele "um jogador à Benfica"; dos que "sentem" a camisola!
Constitui, por isso, uma decepção para todos os benfiquistas a sua ida para o Porto, havendo até considerações excessivas embora compreensíveis. Porém, tivemos o "nosso" Máxi, irrepetível; que exultou e sofreu connosco e que agora segue o caminho que lhe garante, e ao seu empresário, melhores condições que as que o Benfica lhes disponibilizou. Nem o Máxi viverá no Porto o que viveu no Benfica, nem o Porto terá o Máxi que o Benfica teve.
Talvez Máxi Pereira ainda não tenha percebido que a razão pela qual foi contratado não se prende com os seus dotes técnicos, eventualmente em decadência, mas tão só com a insegurança da Direcção portista que, deste modo, julga fragilizar anímicamente o universo benfiquista. Pobre Máxi!
Por outro lado, Pinto da Costa e seus correligionários, que dão mostras de descontrolo, ainda não perceberam que este Benfica não é aquele de que faziam gato-sapato dentro e fora das quatro linhas, muito graças à esplêndida estratégia da fruta. Os Dirigentes do Benfica, ofereceram a Máxi o que entenderam adequado à sua estratégia, não se deixando chantagear, salvo seja, pelo seu empresário. Prevenindo-se a tempo, têm no plantel soluções e disponibilidade para recrutar substituto à altura, ou melhor, na prossecução do processo de rejuvenescimento que se impõe.
Ademais, no Benfica de hoje ninguém é indispensável.
Ademais, no Benfica de hoje ninguém é indispensável.
Serenidade, racionalidade e dignidade pautaram a acção do Benfica, neste caso. E eu gosto.
Quanto a Máxi; amigo não empata amigo.
sábado, 11 de julho de 2015
Próximas razões da decadência de Portugal
Laura Ferreira, mulher do atual Primeiro Ministro, apareceu numa cerimónia pública ao seu lado ostentando a falta de cabelo consequência dos tratamentos a que tem sido sujeita no âmbito da grave doença que lhe foi diagnosticada, suscitando críticas "ácidas", de pessoas afetas aos opositores políticos de Passos Coelho. Acusam-no de usar a doença da mulher para fins políticos; entenda-se apelo implícito à moderação crítica e simpatia do eleitorado e dos manipuladores da opinião pública.
Fugir da desgraça ou escondê-la é um ato compulsivo de sobrevivência humana contrariado, por exemplo, pelos valores cristãos que nos interpelam à compreensão e apoio dos desafortunados da vida. Todos sabemos que certas coisas "más" nos baterão à porta um dia, mas não queremos saber quando nem como. Por isso detestamos os que de tal nos lembram ainda que implicitamente. Uma certa repulsa, é, pois, compreensível e deveria ter pesado na decisão de Laura Ferreira. Porém, esta, optou por não prescindir da sua vida normal nem usar subterfúgios estéticos, numa atitude afirmação pessoal desmistificadora do grave infortúnio que lhe bateu à porta.
Só de má fé ou por superficialidade pode acusar-se de calculismo político o Primeiro-Ministro neste caso!, quem é atingido por uma desgraça destas fica devastado, incapaz de pensar em tais artimanhas desejando apenas sossego e discrição. Respeito e admiro a coragem de Laura Ferreira, uma mulher bonita que não se importa de passar por feia mantendo-se no seu posto, tal como respeito e admiro Passos Coelho que, estou certo, apesar de dizimado emocionalmente mantém-se com serenidade inusitada na tarefa governativa a que se propôs na sequência do sagrado mandato popular. É de Homem e não é para todos!, não quer isto dizer que não tenho críticas a fazer ao seu consulado à frente do Governo. Tenho!, e graves! É outra história.
Mas...algumas pessoas, arrogando-se, porventura, do "inquisitorial" direito de definir e fiscalizar a moralidade pública, esquecem-se que o respeito pelos outros é o primeiro requisito para o triunfo de qualquer sociedade humana. Laura Ferreira e Passos Coelho, merecem, pelo menos, respeito e reserva neste assunto. Critiquem-no "ferozmente" se necessário, e ao seu Governo como e quando quiserem no âmbito das prerrogativas democráticas mas...neste assunto respeitem-nos.
Sem respeito pelos outros nenhuma sociedade vinga...seja qual for o regime.
Incluindo a portuguesa!
As incongruências de Marco Ferreira
O árbitro Marco Ferreira (MF) ao ter conhecimento da sua eminente despromoção e consequente perda das insígnias da FIFA, indignou-se publicamente e denunciou alegadas pressões do Presidente do Conselho de Arbitragem da LPFP, Vitor Pereira, em vésperas do jogo Rio Ave -Benfica, subentendendo-se que tal visava obter favorecimentos aos encarnados durante a partida - que estes acabariam por perder. Compreende-se a decepção e o despeito de MF, até porque, o padrão dos seus equívocos é precisamente o mesmo que conduziu à promoção de colegas como Olegário Benquerença, Pedro Proença e muitos outros.
Não havendo forma de comprovar as alegadas pressões de Vitor Pereira - esperemos que entretanto, este, faça algo a esse respeito -, resta-nos um simples exercício de reflexão para perceber que algo não bate certo nas declarações de MF: Sendo MF uma pessoa honesta que às vezes se engana, perante as alegadas pressões de VP para conduzir o seu desempenho em benefício de uma das equipas, teria de imediato denunciado tais atos a quem de Direito e, ou, tê-los-ia denunciado publicamente. Não o tendo feito, leva-nos a concluir que, a terem existido, não os entendeu na ocasião, não tendo sido afetada a sua conduta no jogo; conduta essa que, quanto a mim, esteve na base da derrota do Benfica.
Claro que, também podemos pensar que, de mente toldada pelo despeito, vendo a "terra a fugir-lhe debaixo dos pés", ciente da impossibilidade de comprovação, inventou as alegadas pressões, ou interpretou abusivamente eventuais recomendações de Vitor Pereira. Mas como MF é honesto, afastamos esta hipótese.
Por mim, face ao que me foi dado observar nos jogos Braga-Benfica, em que os de Braga iam arrancando a cabeça a Talisca, e do Rio Ave Benfica, em que Ukra fez o que quis à margem das leis no lance que precedeu a grande penalidade fatal, é bem despromovido.
Tal não significa que confie em Vitor Pereira, precisamente por ter nomeado MF para esses jogos do Benfica - que lhe custaram 6 pontos - e também por ter escalado para os jogos mais difíceis do Porto, árbitros que, por norma, lhe são mais favoráveis.
Arriba Benfica (como diz o Di Maria)
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