Desporto

sábado, 10 de outubro de 2020

Uma Proposta de Anteprojeto para o Benfica (3)

 A.      Os meios comunicacionais

o   A BTV: reformular o seu editorial diversificando temas e intervenientes, com primazia à emissão de eventos desportivos do clube, à promoção da cultura desportiva, à participação das velhas e atuais glórias, à intervenção dos adeptos - desportistas, ex-desportistas, escritores, músicos, académicos, técnicos ou anónimos -, com abertura a realidades desportivas, ou sociais relacionadas, exemplares.  

o   O Jornal: informação detalhada dos eventos desportivos do clube, com crónicas de opinião de jornalistas idóneos. Difusão regular, moderada e sistemática, das várias áreas do conhecimento relacionadas com o desporto; normas, metodologias de treino, técnica, motricidade, alimentação, etc. Publicação de histórias do desporto benfiquista e outras de relevância geral. Convocação do contributo de benfiquistas notáveis, ou de figuras de relevo que, não sendo benfiquistas, respeitem o clube.  

o   Redes sociais: difusão das notícias do clube, com abertura à participação livre dos adeptos, num ambiente de cordialidade e tolerância.

o   As Casas do Benfica: mais do que uma espécie de centros de dia, cabe-lhes a missão de aproximação dos adeptos e sócios ao clube - simplificando as operações correntes, incentivando o seu envolvimento nos eventos desportivos e na discussão dos assuntos relacionados -, promovendo o desporto local e fazendo a prospeção local de futuros atletas.

o   Externos: manter atualizado o quadro das plataformas relevantes, os correspondentes canais de acesso, os respetivos perfis editorais e uma estratégia de ação com vista à promoção dos interesses do clube.

B.      Gestão Económica:

o   Convocar assessoria especializada com vista a criar as condições de maximização das receitas correntes atuais e identificação potenciais novas fontes de receita.

o   Convocar assessoria conhecedora dos mercados desportivos internos e externos e das estratégias de criação de valor desportivo dos atletas e dos correspondentes canais confiáveis de acesso.

o   Definir uma estratégia de valorização dos atletas da formação do futebol, com e sem viabilidade de acesso à equipa sénior, com criação de valor para o clube.

o   Recuperar para a esfera do clube a gestão dos direitos desportivos da equipa de futebol sénior, com o objetivo de maximizar as receitas, de servir de catalisador da nação benfiquista e de desmoralizar os rivais.

o   Implementar uma estratégia de bilheteira acessível à base social dos adeptos do clube com vista à atração de novos adeptos e sócios, ao aumento da assistência média dos jogos e à maximização das receitas de bilheteira e dos contratos de patrocínio.

o   Implementar um catálogo de equipamentos de baixo custo, acessível à base social de adeptos do clube, promovendo a sua difusão por todo o universo benfiquista, numa ótica de agregação dos adeptos e otimização das receitas correspondentes.

o   Moderar as ações de marketing, em especial junto dos sócios, prevenindo comportamentos de rejeição e afastamento do clube por parte daqueles em consequência do desconforto provocado pelas frequentes ações de persuasão comercial.

C.      Gestão Financeira

o   Manter a estratégia de financiamento pela via obrigacionista universal.

o   Identificar fontes de financiamento tradicionais viáveis, preferencialmente externas.

o   Identificar parcerias estratégicas com aporte de financiamento e know how sem prejuízo do controlo do clube.

o   Definir uma estratégia de redução gradual do passivo financeiro exigível, de curto e médio prazo, sem prejuízo da capacidade competitiva da equipa de futebol sénior, alocando ao serviço da dívida, por exemplo, 50% da mais-valia líquida de todas as transações desportivas.

D.      Previsão do futuro do futebol na Europa

o   Europeu: expansão das atuais Ligas, dos Campeões e Europa e criação de um terceira liga, com integração dos clubes europeus mais competitivos.

o   Nacional: definhamento progressivo das ligas nacionais e falência de grande parte dos clubes, remetidos à dependência do financiamento via UEFA e públicos.

o   Benfica: integração no lote dos clubes da primeira liga europeia rivalizando na disputa dos respetivos títulos graças à redução do atual abismo orçamental.

E.       Fim (provisório)



Peniche, 06 de Setembro de 2020

António Barreto

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Uma Proposta de Anteprojecto para o Benfica (2)

    Cont.

A.            A Formação

o   Em todas as modalidades profissionais deverá focar-se primordialmente no fornecimento de atletas de alto nível às respetivas equipas séniores.

o   A base de recrutamento deverá ser tão vasta e diversificada quanto possível, condicionada aos limites naturais do clube - infraestruturas e orçamento - e ao talento nato e disponibilidade mental do atleta.

o   A diversificação deve ter em conta a importação de novas ideias - táticas, técnicas ou metodológicas -, enriquecedoras da cultura do clube.

B.            As alianças

o   Manter atualizado um quadro de alianças com entidades congéneres, nacionais, europeias, sul-americanas, africanas e outras, com o intuito de criar sinergias desportivas e económicas com benefício de ambas as partes.

o   Avaliar a viabilidade de restaurar parcerias históricas do clube, como são os casos do Barreirense, do Salgueiros - alfobres de velhas glórias do clube - e outros.

C.            A responsabilidade social

o   O ecletismo: tão vasto e diversificado quanto as infraestruturas e o orçamento permitam, aberto a todos sem exceção de qualquer ordem, com prioridade aos jovens e inclusão dos séniores.

o   O apoio social direto: aprofundar e diversificar, tanto quanto possível, a ação da Fundação Benfica, com prioridade à integração comunitária dos jovens em situação de risco e a famílias ou pessoas singulares vítimas de tragédias afirmando a preocupação e empenho genuíno do clube.

D.            As infraestruturas desportivas

o   O Estádio da Luz: avaliar a viabilidade de expansão da lotação em mais 15 mil lugares sentados.

o   O complexo do Seixal: integração dos trabalhos e jogos oficiais do futebol feminino e expansão do número de campos de treinos e instalações de apoio à formação com vista à otimização da base de praticantes.

o   O Centro de Alto Rendimento: atualizar o estudo de viabilidade deste projeto, previsto para Oeiras, condicionado aos objetivos desportivos e sociais do clube e à qualidade dos resultados a obter.

E.             As infraestruturas não desportivas

o   Museu: mantê-lo atualizado, em bom estado de conservação e animado, promovendo, primordialmente, a difusão dos feitos desportivos do clube, dos seus atletas e ações de natureza social e cultural diversificadas, enquadráveis na cultura do clube; de solidariedade, de tolerância e de conhecimento.

F.             O Património

o   Material: mantê-lo em bom estado de conservação, identificando intervenções conducentes à redução de custos de exploração, em particular energéticos e de manutenção, e à minimização de impactos ambientais.

o   Imaterial: promover a imagem e cultura do clube e seus maiores, interna e externamente, e defendê-la dos seus detratores com determinação e elevação.

G.           O relacionamento interno

o   Estatutos: revisão e discussão dos mesmos reduzindo a dez anos o tempo de associado para habilitação de candidatura à presidência.

o   Sócios: proporcionar o convívio com velhas glórias e atletas no ativo, otimizar o quadro de benefícios agregados e manter abertos os canais comunicacionais possíveis, num quadro de incentivo ao debate de ideias, com participação regular de quadros dirigentes.

o   Adeptos: difusão regular e universal da atividade e objetivos do clube, incentivando explícita ou implicitamente a adesão ao estatuto de associado.

o   Investidores: manter uma estratégia de persuasão do pequeno e médio investidor à adesão das emissões de dívida, proporcionando segurança e retorno acima do mercado, visando a dispersão do investimento e a independência do mercado bancário.

o   Acionistas: prevenir o acesso de acionistas hostis ao clube cultivando relacionamentos idóneos e solidários portadores de valor estratégico e operacional.

H.            O relacionamento externo

o   Institucional desportivo (clubes): cultivar a cordialidade, num quadro de respeito mútuo, com deferência especial às entidades com vínculo histórico e social ao clube e sua cultura.

o   Institucional tutelar (órgãos de tutela desportiva): manter atualizado o conhecimento dos quadros competitivos e normativos, identificar e denunciar desconformidades e anomalias, debater e propor alterações que se justifiquem adequados na defesa dos interesses do clube e, tanto quanto possível, gerais. Defender intransigentemente o clube, em todas as frentes, dos sistemáticos ataques desferidos pelas várias Federações, Ligas e seus órgãos, sob a forma de sucessivas e pesadas multas, castigos de atletas, interdições dos recintos desportivos, aplicação arbitrária dos regulamentos - nomeadamente disciplinares - e segregação dos seus sócios e adeptos.

o   Institucional Estatal: manter atualizado um plano de articulação dos projetos desportivos do clube com os do desporto nacional e dá-lo a conhecer publicamente. Identificar e denunciar os casos de descriminação do clube, em especial dos que se revelarem preconceituosos, persistentes ou estruturais, desconstruindo a ideia, promovida insistentemente, pelo rival do norte de que o Benfica é um símbolo do Salazarismo e do centralismo, prejudicial à democracia à descentralização.

o   Espaço público: intervenção regular nas plataformas e canais de comunicação nacional na difusão geral dos projetos do clube e na promoção da sua imagem, no exercício do contraditório face a ações hostis, na clarificação de atos que dela careçam e na denúncia de atos lesivos do clube, seus atletas, funcionários, sócios ou adeptos.


Peniche, 20 de Agosto de 2020

António Barreto

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Uma proposta de anteprojeto para o Benfica (1)

A.      A missão

Ganhar. Em todas as provas, em todas as modalidades, em todas as faixas etárias, mas sobretudo no futebol sénior, o “main driver” do clube. Tudo o mais virá por acréscimo.

A mentalidade ganhadora associada à excelência de execução da arte, à correção comportamental para com adversários, instituições, adeptos e público em geral, constituem a cultura do Benfica com a qual granjeou maciça adesão popular - a sua base social de referência - e admiração geral dos adversários, incluindo os que o atacam e agridem.

Urge acabar com o discurso de relativização da derrota e do conformismo em nome de gloriosas e sucessivas vitórias futuras, de obras fantásticas, da credibilidade das contas e da solidariedade para com os rivais.

B.      O futebol profissional masculino sénior

o   A equipa técnica:

o   Além dos requisitos de competência, de conhecimento do futebol nacional e europeu, de capacidade de liderança e de identificação com a cultura do clube, deve ser independente do circuito desportivo nacional, impermeável aos jogos de poder internos e com evidente reconhecimento internacional ou potencial para tal.

o   O plantel:

o Deve refletir a filosofia do clube; futebol de ataque, determinado, virtuoso, objetivo e solidário, em atualização permanente, quer ao nível de jogadores quer ao nível tático.

o   A prospeção:

o Setor chave, diferenciador, que requer atenção permanente pela simples razão de que o primeiro a chegar ao mercado adquire vantagem competitiva sobre os rivais (lembremo-nos do caso Eusébio). Se o clube não tem capacidade financeira para acompanhar os grandes rivais europeus na disputa pelos grandes talentos, tem de chegar antes deles.

o A estrutura técnica deverá dotar-se de capacidade para monitorizar permanentemente o estado da arte nas escolas de maior destaque; Europa - começando por Portugal -, América Latina e África, sem esquecer os mercados emergentes asiáticos.

o O objetivo deverá centrar-se na identificação de jogadores com potencial e nos estilos enriquecedores dos modelos táticos da equipa.

o A execução passa pela criação de uma rede de parcerias confiável, supervisionada por colaborador de reconhecida competência, recorrendo, preferencialmente, a gente com vínculo afetivo e cultural ao clube, ex-atletas, ex-funcionários e ex-dirigentes, sem afastar outras possibilidades.

o   O recrutamento:

o A equipa técnica, supervisionada superiormente, deverá manter permanentemente atualizadas as necessidades da equipa, imediatas e a dois anos.

o Igualmente, em articulação com os departamentos da prospeção, da formação e de recursos humanos, deve manter permanentemente identificados os atletas alvo, definindo objetivos prioritários e calendarizando as correspondentes contratações.

o Igualmente, deve manter-se permanentemente atualizado o conhecimento dos valores de mercado em cada área geográfica para cada tipo de jogador, identificando oportunidades que justifiquem a contratação para investimento desportivo ou económico. 

C.      O futebol profissional feminino sénior

o   Consolidar a superioridade interna e assumir os títulos europeus.

o   Dotar a secção de condições internas adequadas ao treino e à competição.

D.      As modalidades

o   De pavilhão, séniores masculinos:

o Futsal: consolidar a superioridade interna e assumir a luta por títulos europeus e mundiais.

o Voleibol: manter a superioridade interna e assumir a luta por títulos europeus.

o Hóquei em patins: recuperar e consolidar a superioridade interna e assumir a luta por títulos europeus e mundiais.

o Basquetebol: recuperar e consolidar a superioridade interna e a capacidade competitiva europeia.

o Andebol: dar o salto competitivo decisivo para aceder aos títulos nacionais; algo estrutural tem falhado nesta modalidade que requer o contributo dos melhores técnicos.

o Natação: assumir a luta pelos títulos internos e a participação em provas internacionais de relevo.

o   De pavilhão, séniores femininos:

o Futsal: Consolidar a superioridade interna e assumir os títulos europeus e mundiais.

o Hóquei em patins: manter a supremacia interna e assumir os títulos europeus e mundiais.

o Natação: assumir a luta pelos títulos internos e participação em provas internacionais de relevo.

o Ténis de mesa: manter uma equipa capaz de discutir e ganhar os títulos internos e disputar provas internacionais de relevo.

o Bilhar: manter uma equipa de excelência capaz de discutir e ganhar títulos internos e europeus.

o   De ar Livre

o Atletismo masculino: reforçar o domínio interno e assumir os títulos europeus.

o Atletismo feminino: assumir o salto qualitativo necessário às vitórias internas e à disputa das provas europeias de relevo.

o Triatlo masculino: consolidar o domínio interno e europeu.

o Triatlo Feminino: consolidar o domínio interno e europeu.

o Triatlo misto: consolidar o domínio interno e europeu.

o Ciclismo masculino: manter um plano de ação para reintrodução da modalidade logo que seja restabelecida a credibilidade das condições de competição internas.


Peniche, 20 de Agosto de 2020

António Barreto

(Continua)

sábado, 25 de julho de 2020

Entregar o Ouro ao Bandido


“Entregar o ouro ao bandido” 

   “E quando os outros ganharem teremos que os aplaudir, para que também nos deem valor quando ganharmos”. Mais coisa menos coisa foi o que Bruno Lage, qual Bandarra, disse aos adeptos, em pleno Marquês, quando comemoravam uma histórica vitória no campeonato!

   Estas declarações tiveram o efeito dum balde de água, bem gelada, entre aqueles. Tendo-se desenrolado o campeonato sob tremenda hostilidade institucional contra o clube, com sucessivas e avultadas multas, com sucessivas penas de interdição do estádio, com permanentes enxovalhos na praça pública e ameaças via Ministério Público, com a guerra suja permanente dos principais rivais, a palavra de ordem das comemorações deveria ser a de afirmar a justiça da vitória e reivindicar o reconhecimento do mérito da mesma! E cá estamos nós, adeptos, a aplaudir a vitória dum adversário que despreza, desvaloriza e desconsidera, reiteradamente as do nosso clube!

   Na conferência de imprensa da véspera do Benfica-Porto pergunta o jornalista a Bruno Lage, então o nosso herói -algo do tipo: “-Se o Benfica ganhar ficará a dez pontos. Acha que, a verificar-se, o campeonato ficará decidido? -Nada disso, lembrem-se de que, no ano passado, também íamos a sete pontos e ainda fomos ganhar! Pode voltar a acontecer!” E aconteceu!

   Que efeito terão tido estas desastradas declarações nos adeptos e jogadores? Em que medida é que influenciaram a reviravolta no campeonato? Não sei. No entanto estou convicto de que, num e noutro caso desfez-se o mito do líder. Bruno Laje perdeu a equipa nesse momento. O fator motivacional degradou-se a partir daí. Via-se no terreno de jogo; indisciplina no posicionamento coletivo, baixa intensidade, dinâmica residual, afunilamento ofensivo, determinação insuficiente…percebia-se que o Treinador não sabia que fazer. Numa equipa com vários desequilíbrios, percebeu-se que perdera a confiança dos jogadores.

   Porém, terá sido essa a única causa? É inegável, para mim, que a ausência de público dos estádios agravou a crise desportiva da equipa do Benfica, mais que a qualquer outra. Pela simples razão de que, à exceção de Alvalade e do Dragão, o Benfica joga quase sempre “em casa”. Uma realidade contra a qual o principal rival vinha a reclamar desde há uns anos, através dos seus barões da comunicação social. Ele há coincidências do “arco da velha”.

   Mas, não terão havido outras razões? Sim. Quanto a mim houve outras razões de peso. A equipa iniciou o campeonato com algumas posições fragilizadas; na baliza faltou um segundo guarda-redes à altura de Odisseias, na defesa faltaram opções válidas em todas as posições, em especial no eixo e no lado direito -Jardel passara quase toda a época anterior lesionado, Ferro, desde a mesma época que revelara quebra persistente de forma e André Almeida, depois de ter jogado lesionado a ponta final do campeonato anterior, continuou de fora da equipa durante quase meio campeonato, no meio-campo faltava criatividade, com Gabriel ausente por lesão quase toda a época, Pizzi e Tharabt faziam as despesas do setor- Na frente faltaram extremos clássicos conduzindo ao afunilamento do jogo e ao sub-rendimento dos pontas e lança.

   No final da primeira volta tudo isto estava claro. O Benfica tinha os cofres bem recheados - quase cem milhões de euros à ordem! Porque se prescindiu de segurar o Sálvio, recuperado de lesão, e não se fez um esforço para assegurar o regresso de Gaitan, disponível e cheio de vontade de voltar ao clube? Ambos trariam a motivação, a criatividade e qualidade de jogo de que a equipa carecia! O suficiente para ter ganho!

   A pergunta maldita que paira na cabeça de muitos bons benfiquistas é esta: será que os dirigentes do Benfica quiseram mesmo ganhar? Não sei. Mas sei que agiram como se não estivessem interessados na vitória. Mesmo a substituição de Lage, um gesto sempre penoso, foi efetuada com a equipa irremediavelmente afastada do título. O choque motivacional nos jogadores veio demasiado tarde!

      O principal rival, falido, falhara a liquidação, na maturidade, do empréstimo obrigacionista, e consta que recorreu a empréstimo bancário para pagar salários.

   A segunda pergunta maldita que paira na cabeça de muitos bons benfiquistas é esta: será que os dirigentes do Benfica decidiram “dar a mão” ao rival, sob intervenção da UEFA, para o ajudar a sair do fosso económico, financeiro e institucional em que se encontra? Um rival que, desde há décadas, tudo tem feito para enxovalhar, desacreditar e aniquilar o Benfica?

   Inevitavelmente, surge a terceira pergunta maldita; afinal, os atuais dirigentes do Benfica defendem os interesses do clube que dirigem ou são “cavalos de troia” dos rivais?

     As cumplicidades do passado, os insucessos do penta e do campeonato que hoje termina sustentam a dúvida.

   Dúvida que tem de ser firmemente erradicada, com recurso a novos protagonistas, reconstruindo-se a identidade secular do Benfica que se resume a uma só palavra:


   GANHAR!

   Tudo o mais, é de menos.



Peniche, 25 de Julho de 2020
António Barreto

sábado, 21 de março de 2020

Nós os portugueses


Os meus amigos (26 de Novembro de 2006)

   “….Não sei qual o número ideal de amigos, embora esteja ciente de que Plutarco afirmou que deveria atingir os sete.”

O véu islâmico (17 de Dezembro de 2006)

“…Nos países árabes, uma vitória, mesmo que pequena, no combate pela igualdade entre os sexos é mais decisiva para o estabelecimento de sociedades democráticas do que as bombas que o Presidente Bush mandou despejar sobre o Iraque.”

Heranças Natalícias (24 de Dezembro de 2006)

   “…..Antes que o Irão nos engula, convém que, às crianças ocidentais, seja explicada a importância do Cristianismo nas tradições, valores e cultura da nossa civilização. Mesmo uma avó ateia percebe isto.”
Maria Filomena Mónica

Peniche, 22 de Fevereiro de 2020
António Barreto

segunda-feira, 9 de março de 2020

O momento do Benfica


   E pronto; a premonição de Bruno Laje concretizou-se! Esfumaram-se os sete pontos de avanço, estamos em segundo lugar com um ponto de atraso e a equipa joga miseravelmente. Uau!

   Não sei ao certo que causas levaram a esta crise e, apesar de não me atribuir qualquer capacidade invulgar para as descortinar há coisas que me parecem óbvias que poderão ter contribuído para tal. Assim:

   A causa primordial reside no deficiente planeamento desportivo da época, algo, afinal, recorrente. Há posições deficitárias; estão elas no flanco direito, no eixo da defesa, no meio-campo e no ataque. As segundas opções não estão a funcionar.

   Apesar das qualidades de Tomás Tavares - um jovem conterrâneo com 19 anos acabados de fazer -, entregar-se-lhe todo o flanco direito, como tem acontecido, é uma insensatez; para a equipa e para ele. Ontem vimo-lo a defesa direito, a central, a defesa-esquerdo e a extremo-direito! Uma barbaridade incompreensível numa equipa com as responsabilidades do Benfica.

   Nem a já conhecida lesão do André Almeida - jogou lesionado na ponta final da época anterior - nem a saída de Sálvio, convenceram a Direção a reforçar o setor; no mínimo, teríamos de ter contratado um extremo-direito de raiz. Uma gazua, como era o argentino.

   Quanto ao terceiro central, contou-se com o bom do Jardel, porém, ao primeiro jogo lesionou-se de tal forma - parece tratar-se de uma recidiva - que ficámos sem opções. Entretanto, sacrifica-se o Ferro e a equipa, arriscando o futuro do jogador.

   É verdade que a lesão do Gabriel era imprevisível. Apesar do seu estilo de jogo - muito físico - o tornar vulnerável às lesões, nada fazia supor uma como a que ocorreu. E, também é verdade que há um Benfica com Gabriel e outro sem Gabriel. Quer isto dizer que, com Gabriel a jogar, esta crise não teria ocorrido. Porém, o plano B para o setor, também não está a funcionar.

   Vinícius, uma contratação algo polémica, tem-se revelado um bom ponta-de-lança, mas carece do apoio dum segundo avançado. Geralmente tem dois a três centrais a marcá-lo. Raúl de Tomás, sendo um bom jogador, talentoso e esforçado, não se adaptou à equipa. Ou não houve capacidade para o fazer.

   Diga-se de passagem que há demasiados casos de contratações falhadas; ou trata-se de erros de avaliação técnica do departamento de scouting ou de incapacidade das equipas técnicas perceberem as qualidades dos jogadores e os encaixarem na manobra tática. Reconheça-se porém que o risco de erro é quase sempre alto, o que nos leva à questão primordial que consiste na necessidade de identificar os fatores de risco das contratações e tê-los em conta.

   Veio Janeiro, Gedson saiu - nos jogos, percebia-se que algo tinha mudado nele - recusou-se Gaitan, a gazua de que precisávamos para a ala esquerda, que cria desequilíbrios, sabe centrar com precisão e funcionaria como fator motivacional para toda a equipa. Abortou-se a contratação de Bruno Guimarães, ao que consta, por uns míseros 2 milhões de euros, que por sinal, anda a dar cartas em França, no Lyon, e, com toda a certeza, teria feito a diferença!

   Entretanto desbarataram-se uns milhões no Vitória de Setúbal e no Boavista, contrataram-se jogadores estrangeiros - que nem foram vistos por aqui! Por outro lado a SAD tem nos seus quadros cerca de 140 jogadores! Isto não pode continuar; inflacionar os quadros com jogadores de baixa qualidade e financiar clubes inimigos o Benfica é algo que deve acabar.

   Como se vê pelo resumo das contas do primeiro semestre da época em curso havia capacidade financeira para reforçar a equipa. Porque não se o fez?

   Chegou a altura de fazer a pergunta maldita: os dirigentes do Benfica têm mesmo intenção de ganhar o campeonato?

   Voltemos agora à “premonição” de Bruno Laje quando ainda estávamos sete pontos à frente do segundo classificado, nas vésperas do Porto-Benfica. Não se faz! Funciona como fator desmotivacional! Com efeito, é uma forma de lançar a dúvida e a resignação na equipa, o que se reflete no campo. Um líder deveria fazer o contrário; manifestar confiança plena nos seus jogadores, sem bazófias, mas com convicção. Estes entenderiam a mensagem e transcender-se-iam.

   A agravar a situação, logo se seguida, a derrota no Dragão. A forma como o Benfica perdeu foi uma “paulada” no ânimo dos jogadores. Os jogadores bateram-se bem e a equipa merecia outro resultado que não ocorreu devido a uma decisão infeliz da equipa do Sr Dias. Talvez tenham sentido que a derrota tinha sido decidida nos bastidores e a consequente inutilidade do empenho pessoal e coletivo. Faltou liderança para desatar este nó.  

   Quanto à disposição tática da equipa, sendo certo que, em geral, os adversários se apresentam com formações hiperdefensivas - num dos últimos jogos, a certa altura reparei que a equipa em confronto tinha sete defesas em linha; três centrais e quatro laterais -, não entendo porque não se aposta nas alas. Geralmente a equipa tem apenas o flanco esquerdo a funcionar o que conduz ao desgaste físico prematuro do respetivo extremo e ao declínio da capacidade defensiva. Do lado contrário, não há extremo; quando muito, o defesa direito sobe até à intermediária contrária donde faz “maravilhosos” cruzamentos para…as mãos do guarda-redes deixando exposto todo o corredor nas suas costas! Nuno Tavares, David Tavares, Zivkovik; entre eles não seria uma opção para médio-ala direito, deixando Tavares mais focado na defesa?

   O jogo da equipa carece de disciplina na ocupação do terreno, dinâmica e sincronismo, criatividade, fluidez, intensidade e qualidade na meia-distância, nos centros e nos cruzamentos. A capacidade individual dos jogadores é superior ao que revelam no campo. É a minha convicção. Talvez um choque motivacional os recomponha e a equipa volte a jogar o que sabe. Quem será capaz de o fazer? Tem a palavra o líder.

   Finalmente, um comentário para a comunicação social desportiva: ainda está fresco na nossa memória o coro de indignação geral que ocorreu na sequência das goleadas com que o Benfica presenteava os adversários. Que não podia ser, que havia um défice de competitividade no futebol português, que era uma vergonha, que tínhamos voltado ao salazarismo, etc. etc. Pois agora devem estar satisfeitos; com o Benfica “de rastos” o futebol português voltou a ser competitivo. A “democracia” concretiza-se também no futebol!

   Isto é, atualmente, por preconceito político, não há lugar para o grande Benfica. Só um Benfiquinha é compatível com os padrões desta terceira República! O futebol de hoje é uma metáfora do país atual vergado ao politicamente correto, à imposição do nivelamento por baixo, ao oportunismo de gente sem escrúpulos que se vitimiza para disso tirar vantagem.

   Contudo, ainda há esperança; assim o líder o entenda.

   Uma última palavra para as contas do primeiro semestre desta época; fantásticas! Uma autêntica revolução no Benfica e no desporto nacional. Deveria ter sido primeira página de todos os jornais, tal a relevância do acontecimento. Perante um universo de clubes falidos sobre endividados, o Benfica fez uma revolução. Parabéns. Sem boas contas não há sucesso desportivo sustentável.

   Veremos agora se a saúde financeira se vai refletir na competitividade europeia da equipa de futebol sénior.

(Almada Negreiros)

Peniche, 8 de Março de 2020

 
António Barreto 

sábado, 7 de março de 2020

Nós os Portugueses (Maria Filomena Mónica)

 

A violência da escola moderna (11 de Junho de 2006)

“…O que nenhuma (esquerda e direita) é capaz de reconhecer é que, pela sua própria natureza, a instituição escolar representa uma violência - uma boa forma de violência - mas, apesar de tudo, uma violência….

…Se estas duas instituições, a escola e a família, se resignarem ao status quo, os valores civilizacionais que considerávamos adquiridos correm o risco de desaparecer.”

Maria Filomena Mónica
 
Peniche, 22 de Fevereiro de 2020
António Barreto