Desporto

sábado, 6 de julho de 2013

Sócrates arruinou o país. Passos e Portas debilitaram o sistema partidário

Henrique Raposo

No jornal Expresso                    
                            
Esta não é uma crise política normal. Aliás, este não é um tempo normal. O regime está bloqueado. Nós, portugueses, estamos bloqueados. Estamos bloqueados na política e na política económica. Comecemos pela segunda. Durante seis anos, José Sócrates afundou um barco que já estava a meter água por todos os lados. E afundou o barco seguindo políticas económicas derivadas de uma mentalidade de esquerda. Em 2011, o PS perdeu as eleições, mas essa atmosfera de esquerda não saiu do poder. Os dois acórdãos do Tribunal Constitucional revelam que o socialismo está no poder mesmo quando perde eleições. Os acórdãos - elevados à condição de dogma por PS, BE e PCP - revelam o bloqueio da política económica: de forma inacreditável, o regime acha que direitos económicos (apelidados de "direitos sociais") são equiparáveis aos direitos cívicos. Esta falácia intelectual é a base do irrealismo do princípio da proibição do retrocesso social, a alcunha jurídica dos chamados direitos adquiridos . Solidificada no verão quente de 1975, esta ficção é uma das causas do verão quente de 2013.
 
O segundo bloqueio, o político, tem origem numa cultura que é inimiga das palavras "acordo" e "coligação". Como se sabe, o regime esteve sempre bloqueado à esquerda. Uma coligação das forças progressistas continua a ser um anátema - outra herança do verão quente de 1975. Enquanto este bloqueio perdurar, a nossa democracia não será uma democracia madura. Ora, se já não respirava de todo à esquerda, o regime passou a respirar com dificuldade à direita depois desta crise idiota provocada por CDS e PSD . Na próxima década ou mais, a direita vai ter a mesma relutância da esquerda na hora de formar coligações. O regime não tinha asa esquerda, e agora perdeu a asa direita. Moral da história? Estamos entregues a um regime parlamentar que não faz aquilo que os regimes parlamentares devem fazer: acordos e coligações. De forma quase trágica, a lei eleitoral favorece a formação de governos de coligação, mas o tribalismo dos partidos têm rejeitado essa prática. A bota não bate com a perdigota. Para quem acredita numa democracia liberal, para quem acredita numa política onde as regras e instituições estão acima dos homens e das tribos, estes dias têm sido tristes. O verdadeiro drama desta semana não está no dinheiro que já perdemos. A tristeza está na confirmação de que estamos longe, muito longe, da maturidade europeia da democracia portuguesa. 
Na junção dos dois bloqueios encontramos um país bloqueado, um regime sem soluções mas que recusa mudar e, acima de tudo, uma cultura política que não parece preparada para assumir os compromissos do Euro e da maturidade democrática. É o verão quente de 2013.  

sexta-feira, 5 de julho de 2013

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quinta-feira, 4 de julho de 2013

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quarta-feira, 3 de julho de 2013

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sábado, 29 de junho de 2013

ESTA NOITE, A LIBERDADE!

O título é de uma obra apaixonante que relata a epopeia de Gandi na luta sem tréguas que travou pela independência do seu povo, que constituíu o princípio do fim do império inglês. Serve de metáfora à recuperação pelo Benfica da posse dos seus direitos desportivos, pois, além de representar a sua própria "libertação", poderá vir a ser o princípio do fim do império portista.

De facto, o advento da democracia em Portugal, induziu, no desporto em geral e no futebol em particular, um paradoxo, visto que a suposta democratização das instituições desportivas assegurou o domínio das respetivas superestruturas pela maior associação desportiva do país, donde resultou uma gestão pseudo-tolatitária das mesmas em proveito dos associados desta. Tal é a evidência da composição dos quadros competitivos principais e das correspondentes classificações. No fundo é, nada mais nada menos, que a antítese do processo democrático, apesar de os beneficiários do "sistema" afirmarem, precisamente, o contrário.

Este domínio, beneficiando da convergência de interesses vários, nomeadamente económicos e políticos,  estendeu-se a múltiplas áreas, entre as quais a da comunicação social e em particular da TV, onde  o escandaloso monopólio da Olivedesportos permitiu influenciar a competitividade dos clubes concorrentes pela via económica, da qual tem beneficiado, ostensivamente, um dos participantes; o Futebol Clube do Porto!

Exaurido financeiramente na vã tentativa de combater aquele domínio, sucessivamente afastado dos lugares cimeiros da tabela classificativa pelos calheiros desta vida, também o Benfica, apesar da sua grandeza, caíu nas garras de gente sem escrúpulos, vendendo a alma de todos os Benfiquistas por meia-dúzia de tostões, vitais, à época!

Este evento resgata o orgulho, a alma Benfiquista, constituindo a demonstração da força do Benfica, o corolário de uma longa e dura batalha pela liberdade e, simultâneamente, ao abanar um dos principais pilares em que tem assentado o domínio portista.

É, estou convicto, o princípio do fim de uma era no futebol português; uma era em que o espectador, pela simples observação dos jogos se apercebe da falta de lealdade em muitos deles e, por consequência, se vai afastando dos estádios, enquanto, irónicamente, os corruptos celebram as vitórias da vergonha.

Hoje, todos os clubes passaram a ter uma alternativa à comercialização dos seus direitos desportivos donde resultará maior competitividade ao futebol nacional.

Agradeço aos dirigentes do meu clube e em particular, ao seu Presidente!