Desporto

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sofrer para crescer

   Pelo que leio e ouço, o jogo Porto-Benfica foi equilibrado, com o resultado a decidir-se nos detalhes. O Porto cumpriu a sua obrigação de ganhar e o Benfica, em processo de alteração do seu modelo de jogo, teve aqui uma excelente oportunidade de testar a sua dinâmica e de identificar com detalhe os desequilíbrios que manifestamente tem. Foi pena, claro, até porque, parece que poderia ter ganho. Nada de pânico; serenidade, persistência, união e ambição. O talento já lá está!

Força Benfica!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Boa entrada do Benfica na Champions

    A equipa do Astana, de que não se esperavam grandes façanhas, apresentou-se na Luz com o famigerado e desgraçado futebol hiperdefensivo; muito compacta e recuada, sem deixar espaços nas entrelinhas nem nas costas da defesa, obrigaram os encarnados a empastelar o jogo. Sem espaços, o Benfica circulava a bola sem velocidade nem intensidade, falhando inúmeros passes, afunilando o jogo e disputando os lances ofensivos quase sempre em inferioridade numérica. Bem posicionados, fisicamente possantes e com boa qualidade de passe, os jogadores do Astana partiam para a ofensiva rapidamente sempre que podiam, logrando enviar uma bola ao poste da baliza de Júlio César no início da 2ª parte.  Felizmente que os "atiradores" amarelos  se revelaram algo desastrados, apesar das exíguas oportunidades.

  Apesar de tudo, na 1ª parte, a equipa do Benfica ainda dispôs de duas boas oportunidades para marcar no entanto foi constrangedor verificar a falta de autonomia que revelou para efectuar a transformação táctica que o jogo requeria. Mais velocidade, mais amplitude, mais profundidade nas alas e centros junto à linha final criando desvantagem posicional para os defensores. Não pode ser!, a equipa deve ser inteligente e, em campo, adaptar-se às circunstâncias do jogo. Não foi capaz de criar roturas em toda a 1ª parte.

   Depois do susto vieram as soluções  para o descongelamento do jogo; velocidade, aceleração da ala esquerda, tabelas, cruzamentos e golos, com Gaitan a desequilibrar e finalizar o 1º com grande categoria, acompanhado por Eliseu, Jonas e Kostas, que faria o 2º - à ponta-de-lança. Enfim, com o jogo controlado procedeu-se à gestão do plantel.

   Luisão "arrefeceu" muito o jogo na 1ª parte e...isso pega-se! Já Talisca, apesar do "seu fabuloso pé esquerdo", está longe de constituir o construtor de que a equipa desesperadamente carece. O flanco direito ainda não flui, a despeito da entrega e capacidade de Guedes e Nelson, que necessitam de melhor orientação e eficácia na gestão do esforço.

   Julgo que pouco haverá a apontar à equipa de arbitragem, que me parece ter-se equivocado nalgumas faltas menores e na amostragem de cartões.

   Talvez no Cazaquistão o jogo seja menos difícil.

   Enfim; dá para animar mas não para embandeirar!

   JOGO A JOGO É QUE É!  

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Johnny Cash & June Carter Cash Farewell Concert NYC 1999

A Ficção Científica de Al Gore

     
A Booknomics publicou o livro de Marlo Lewis Jr traduzido para português por Rui Gonçalo Moura e Jorge Pacheco de Oliveira, ex-professores do IST, com o título "A Ficção Científica de Al Gore", no qual o autor faz uma crítica extensiva e fundamentada ao livro daquele político " Uma verdade inconveniente".

   Marlo Lewis Jr é membro sénior do Competitive Enterprise Institute dedicando-se à análise dos temas do Aquecimento Global, da política energética, da reforma dos processos de regulação, e outros de política fundamental. Publica em jornais e revistas das especialidades e participa em programas de TV e rádio. 

   Neste livro, o autor, defende que as alterações climáticas são de origem natural nas quais o homem não tem capacidade de interferência. Recorre ao conhecimento da história climática da Terra e a numerosos trabalhos científicos para cotejar críticamente, uma por uma, todas as teses catastrofistas de Gore.

   Entre outros, cita o já nosso conhecido Bjorn Lomborg coordenador do "Consenso de Copenhaga" que defende como prioritário o combate à pobreza e outras calamidades planetárias de forma a proporcionar maior capacidade de adaptação das populações às alterações   climáticas. Uma estratégia que assegura maior eficácia na proteção das populações do que a preconizada pelo Protocolo de Quioto. Os custos astronómicos da implementação PQ além de reduzirem drásticamente a capacidade de criação de riqueza planetária, apenas atrasariam em cerca de seis anos o aumento de temperatura "previsto" de 2 º C no final do século.

   Steve McIntyre, o cientista canadiano, também nosso conhecido, que demonstrou os erros de cálculo do famigerado "hoquei Stick", gráfico de temperaturas produzido por Michael Mann et al, que serviu de base ao relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) é também referenciado.

   Publica uma carta dirigida ao Secretário Geral das Nações Unidas Ban-Ki-Moon por uma centena de cientistas todos identificados na qual estes o alertam para o alarmismo injustificado do livro de Al Gore e dos perigos que representa para a humanidade.

   Publica também um declaração do Presidente Checo Vaclav Klaus no Congresso dos EUA em Março de 2007 na qual este diz ter sido o comunismo substituído pela ameaça do ambientalismo militante, consistindo a invocação da origem antropogénica das alterações climáticas um dos mais perigosos argumentos de subversão do esforço humano e das políticas públicas em todo o mundo.

   Quanto aos Tradutores, referem não constituir o CO2 um poluente nem tão pouco o principal agente do efeito de estufa, cabendo este papel ao "inocente" vapor de água com uma contribuição que pode chegar aos 95 %. Indicam como prioritária a necessidade de investimento no armazenamento da energia solar dada a magnitude da sua disponibilidade.

   Pessoalmente considero que o tema do Aquecimento Global constitui uma nova forma de tentativa de colonização europeu pelo condicionamento do progresso económico dos países menos desenvolvidos através do negócio das licenças de emissão de CO2. Um patético, desastrado e dispendioso esforço de recuperação das lideranças normativa, tecnológica e económica perdidas com o fim do colonialismo. A potências emergentes, China, Índia e Indonésia e Brasil já não necessitam das velhas tutelas. 

   A nível interno, a UE e os Governos têm usado o expediente do Aquecimento Gobal para criar reserva de mercado aos grupos empresariais dominantes, criando regulamentos fortemente restritivos, proporcionando aos governos  a implementação de extorsionários, obsoletos e vexatórios planos de certificação que alimentam novas instituições parasitas, lançando o "terror" nos técnicos e empresas inerentes. Na verdade, este é mais um dos já abundantes tiques totalitários da UE, cada vez mais afastada dos princípios fundadores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e cada vez mais parecida com a extinta União Soviética.

   A dissidência é a chave do progresso. 
   

domingo, 13 de setembro de 2015

alteracoes climaticas 2

alteracoes climaticas

Longo caminho?

   Afinal, o percurso foi curto! foram necessários apenas duas semanas de trabalho com meia equipa para definir e estabilizar um futebol empolgante. As causas do fraco arranque  da equipa esta época foram, a instabilidade provocada pela saída atribulada do anterior Treinador, a turbulência do mercado de jogadores e a desastrada digressão americana. Teria sido preferível optar pelo trabalho tranquilo no Seixal. De todo o modo, as digressões internacionais do clube são para fazer boa figura; os benfiquistas querem ver o seu clube...mas a ganhar, mesmo que seja a feijões...ou milhões!
 
   A exibição empolgante frente ao Belenenses, mostrou que, afinal, o "longo percurso" que se esperava necessário para Rui Vitória pôr a equipa a jogar bem, foi curto. E foi curto porque a qualidade estava lá, nos jogadores, e o Técnico percebeu-o; bastou-lhe arrumá-los adequadamente e dar-lhes confiança. Lá está, mais uma vez, o trabalho da Direcção a tratar dos casos pendentes, deste vez com sucesso.
 
   Achei divertido e sintomático quando o público, com a Benfica a ganhar 6-0, desatou a assobiar a equipa, como quem diz "não queremos saber do resultado, queremos é bom futebol! percatem-se!"
 
   Fiquei com uma dúvida relativamente a Mitroglou; será que foi engraxador?, se foi, é melhor a equipa de scouting tomar nota, pode estar aí um filão!
 
    Bem, a difícil equipa do Belenenses, com bons desempenhos já nesta época, apesar das habituais cautelas defensivas, não resistiu ao excelente futebol encarnado; a equipa do Benfica esteve muito bem no posicionamento, nas dinâmicas ofensiva e defensiva e na motivação. Depois, é a tal história dos melões; quando há bons jogadores, basta um centro para fazer um golo! Foi o caso. O primeiro foi um hino ao futebol; o cruzamento de Jonas fez-me recordar um lance parecido de Savicevic do Milão, nos tempos de Boban, Baresi e Cª. Mais ou menos do mesmo local e com um ou dois adversários pela frente, Savicevic, parado, arranca um tiro direto à baliza e fez golo! Jonas optou pelo cruzamento; com tal categoria que a bola saíu como um míssil da cabeça do extraordinário Mitroglou. Indefensável. Há muito que não se vê no Benfica um cabeceador deste calibre. Gaitan maravilhou o público com os seus slalons e fintas de corpo, a dar um "cheirinho" a Chalana, culminando com um golo inteligente., e Talisca mostrou o já conhecido potencial do seu pé esquerdo, que requer movimentação apropriada do coletivo para ser materializado com Sucesso. Mais uma vez Júlio César respondeu à altura quando foi necessário naquele remate pleno de força e colocação de Luis Leal. Jardel, por sua vez, vai-se afirmando como o sucessor de Luisão, pela eficácia, entrega, autoridade e serenidade. Enfim, julgo que necessitamos de consolidar o flanco direito, com Guedes ou Andrade, de reforçar o miolo com um armador de créditos firmados e com um defesa-esquerdo de raiz.
 
   Não dei por lapsos graves de arbitragem. No perigoso lance do qual Samaris poderia ter saído gravemente lesionado não fiquei totalmente esclarecido quanto à natureza da falta. É importante não fugir ao choque, mas quando há um potencial sério de lesão grave em zonas não vitais do terreno é preferível optar por estratégia mais favorável. Para quê arriscar partir uma perna se o adversário pode ser intersectado uns metros mais à frente?
 
   O futuro dirá mas parece-me que o desempenho das equipas da formação já reflete os efeitos do novo paradigma do clube. Uma estratégia que deve ter em linha de conta as observações de Carlos Janela quanto à inexistência em Portugal de formação de jogadores de alto nível. Oxalá o Benfica saiba dar esse salto.  

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Desencontros

   As entrevistas de Filipe Vieira e de Jorge Jesus, respectivamente a "A Bola" e a "Record", no que concerne aos motivos da recente divergência, pouco ou nada acrescentou ao que já se sabia. Sou de opinião de que não vale a pena remexer no assunto; como diz o velho aforismo, amigo não empata amigo ou; contas com Jorge, Jorge na rua!, apesar disso, não é de todo descabido alinhavar um ponto de situação à guisa de conclusão. 

   O que me parece é que os Dirigentes do Benfica decidiram virar a página, fosse porque sentiram que o projecto JJ estava esgotado no plano desportivo, seja por haver evidências de deslealdade por parte de JJ. A verdade é que no plano externo JJ não convenceu e os benfiquistas não se contentam só com vitórias internas. Por outro lado, a fraca adesão de JJ ao projecto da formação do clube não só desgostava os adeptos - que não lhe perdoam, pelo menos, o caso Bernardo Silva - como ameaçava arruinar toda a estratégia do clube nas vertentes económica e  identitária. Compreendo que os Dirigentes do Benfica não tenham querido abordar o tema da renovação antes do final do campeonato; quanto a mim, foi a pendência da renovação durante quase toda a 2ª volta do antepenúltimo campeonato a principal causa da derrocada. Mas considero que erraram se inverteram a sua intenção face à opção de JJ. Não o deviam ter feito!

   Quanto a Jorge Jesus, habituado ao assédio de alguns clubes, em especial dos principais rivais internos, instrumentalizado por estes no sentido de prejudicar a competitividade do seu clube, ficou ressentido ao perceber que as coisas tinham mudado; desta vez já não tinha um contrato à espera de assinatura mas uma promessa de apoio na busca de outros caminhos. Impulsivo,  com as "costas quentes" dos Dirigentes sportinguistas, salvo erro, decidiu vingar-se do Benfica...e foi o que se viu; não só infligiu um vexame aos que lhe ganharam afecto, como tentou levar jogadores e altos funcionários consigo. Não soube preservar o que de bom fez no clube que fez dele um Treinador reconhecido e um homem rico, dando razão aos seus detractores, demonstrando-se, mais uma vez, incapaz de retribuir o afecto aos adeptos dos clubes por onde passa, revelando, enfim, um invulgar nível de egocentrismo. Três particularidades da sua entrevista são sintomáticas; a da indiferença relativamente aos adeptos e à origem do financiamento do "seu" clube e a do Dever de Lealdade que qualquer trabalhador deve à sua entidade patronal. De facto, considera-se o vértice dos clubes que treina - "ele tem pedalada para mim" - disse, referindo-se ao Presidente do Sporting. Não tarda, considerar-se-á um semi-deus. 

   A questão do salário, está onde deve estar, nos Tribunais, mas preferia que o Benfica tivesse feito as continhas e pago tudo até ao último cêntimo, mesmo que não fosse devido.  Sem mais conversas. 

   No plano desportivo, há que levá-lo a sério; apesar das limitações, sabe montar uma equipa, e apoios financeiros parecem não faltar ao seu actual clube, espúrios ou não.

   Agradou-me a coerência económica e desportiva de Filipe Vieira, revelando a racionalidade própria de quem gere em função das conjunturas, maximizando os recursos próprios e indo ao encontro do sentimento dos adeptos. No entanto, convém perceber que nada funcionará se a equipa de futebol sénior perder o empolgamento e a capacidade competitiva, o que se verifica actualmente. Sabemos que a turbulência é condição inevitável do progresso mas é necessário estar alerta para avaliar a tempo as opções tomadas, seja quanto à equipa técnica, seja quanto a jogadores. Rui Vitória ainda tem um caminho a percorrer até ganhar a confiança dos adeptos e da equipa e as aquisições devem ser mais contidas e assertivas; menos e melhores jogadores e mais estabilidade no plantel.

   Oxalá o próximo embate esteja a ser bem preparado.

(Tela de Abel Manta)