Desporto

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Que se Lixe a Troika! OK; e depois?

Confesso que há muitos anos, quase 40, também alinhei nisto: unimo-mos todos contra uma coisa e, depois, logo que vê do que somos a favor. Normalmente, não havia depois, porque as ações, embora sempre grandiosas eram inconsequentes.
 
Hoje, porém, imagino, o que seria o depois: uns quereriam uma coisa, outros o seu contrário e ninguém se entenderia. Nos países onde houve esse 'depois', ganharam sempre os mais organizados, os que tinham um programa bem definido que, no geral, era alinhar pela esfera soviética. A todos os que participavam no 'movimento' sem saber o objetivo chamavam-se 'compagnons de route' (companheiros de jornada) ou, mais comummente, 'idiotas úteis'.
 
A lembrança (embora as situações estarem longe de ser comparáveis) surge-me do slogan "Que se lixe a troika - devolvam-nos as nossas vidas". Na verdade, quem não quer que a troika se lixe? Quem não quer a sua vida de volta. Vida que, por má que fosse, não era tão dura como a atual? Mais de 99% dos portugueses concordam com isto.
 
Daí a pergunta do título: E a seguir? E depois, faz-se o quê? E é aqui - na parte não expressa do programa das manifestações, 'grandoladas', NIFs de ministros e outras formas mais ou menos imaginativas de contestação - que está o busílis.
 
Como pagamos aos credores as nossas dívidas, se os mercados nos cortam o crédito e a troika não dá mais dinheiro? Não pagamos? Sendo assim, como nos financiamos? Acreditam mesmo que as gorduras do Estado, os carros, as reformas milionárias, apesar de escandalosas, equilibram os milhares de milhões que faltam nas contas do Estado?
 
Saímos do Euro? E podemos sofrer uma desvalorização da moeda que corresponde a um imposto escondido muito superior ao atual (recorde-se que as dívidas se manteriam em Euros)?Estabelecemos o comunismo e abolimos as fortunas e a propriedade privada? Isso alguma vez não resultou numa barbárie?
 
Não quero com isto dizer que não há alternativas. Claro que há, mas são piores. Também não quero dizer que a contestação é ilegítima.Claro que é absolutamente legítima e deve ser democraticamente respeitada, só que é inconsequente e esconde a maior parte do problema.
Porque, na verdade, é como se um doente dissesse: que se lixe a doença, quero a minha saúde! Ou um idoso dissesse: que se lixe a velhice, quero a minha juventude! Ou seja, a liberdade não pode levantar barreiras a nenhuma reivindicação; mas o facto de elas serem possíveis não as torna viáveis.
 
Também não quero dizer que está tudo bem. Claro que não! Já várias vezes escrevi que este Governo está esgotado e que o Presidente devia seriamente pensar numa alternativa que envolvesse mais o PS e os sindicatos (da UGT, naturalmente, porque a CGTP está sempre indisponível).
 
É possível fazer melhor. Mas não é possível fazer milagres!
 
Um texto de Henrique Monteiro publicado no Expresso, que subscrevo quase, quase integralmente.

Braga-Benfica (0-0/3-2P)

Foi um jogo equilibrado entre duas boas equipas. A vitória foi para quem mais a quis, por isso assenta bem ao Braga, que fez um bom jogo. As grandes penalidades são uma lotaria mas, tal como diz José Augusto, refletem a confiança e o querer da equipa, atributos que não faltaram ao vencedor.
 
O Benfica apresentou-se com alterações significativas, dada a necessidade de recuperação de alguns jogadores nucleares por um lado - Garay, Maxi, Matic, Lima, Sálvio e Ola John - e a de dar minutos de jogo a outros - André Almeida, Jardel, Roderick, Carlos Martins e Urreta - no entanto, o modelo de jogo manteve-se quase inalterado...quase! Alas bem abertas mas pouco eficazes, dada a excelente marcação contrária - ainda assim Urreta efetuou um cruzamento excecional, já na 2ª parte, que Martins (salvo erro) cabeceou à figura de Quim. Uma pena! 
 
O nosso meio-campo esteve quase sempre em inferioridade numérica - O Braga tinha 5, 6 ou 7 elementos muito ativos na marcação global, com as linhas muito próximas, dificultando a recuperação e, sobretudo, a construção -, Martins, mais preocupado em recuperar e controlar, não conseguiu construir, Roderick apesar de esforçado, não tem rotina da posição; não basta recuperar, é necessário transportar e lançar.
 
O Braga fazia pressão alta com uma marcação de grande proximidade, metendo sempre vários elementos na disputa da bola graças à disposição compacta; bem abertos nas laterais, com excelente dinâmica e profundidade, recuando em bloco até próximo da sua área, sempre que o Benfica atacava organizadamente.
 
Apesar disso, coube ao Benfica a grande oportunidade da primeira parte, num excelente remate de Rodrigo à trave, finalizando uma excelente movimentação coletiva - esteve muito bem Quim a fazer a mancha. Também o Braga teve uma excelente poli-oportunidade desfeiteada sucessivamente pelo Artur, o qual, de resto, esteve muito bem. Bem assinalado o fora de jogo a Cardozo e mal assinalado ao Urreta que ficaria isolado na cara de Quim! Esteve mal Marco Ferreira!
 
O Braga reentrou com grande intensidade procurando o golo que não aconteceu, mais por mérito da defensiva do Benfica. A entrada de Enzo e de Aimar restabeleceu o equilíbrio ao meio-campo induzindo maiores dificuldades aos bracarenses, que iam recorrendo à falta e às simulações miseráveis do, por vezes abjeto, Alan. Os lances ofensivos dos nossos, começaram a fluir e as situações de golo apareceram pelos Rodrigo e Gaitan, travados em falta dentro da área! Marco Ferreira teve medo de assinalar as duas grandes penalidades! Teve medo de descer de categoria? Seja como for, deveria tê-las assinalado!
 
Assim se escoaram os noventa minutos, com as duas equipas a procurarem, debalde, o golo, revelando os avançados do Benfica excessiva parcimónia na zona de finalização. Vieram então as grandes penalidades, que já não vi, dado o enorme stresse resultante da lotaria que representam.
 
 
Parabéns aos vencedores pelo bom jogo que fizeram, quer em termos futebolíticos quer pela relativa correção. A vitória assenta-lhes bem!
 
Censuro a equipa de arbitragem que fez a diferença nos lances que já referi e também "inventando" bastas faltas contra o Benfica à entrada da sua área, bem à medida do excelente pézinho do Viana, patenteando uma dualidade de critérios denunciadora. Se tem medo de apitar, fique em casa e entregue a pasta a outro, mas não pense que passa despercebido.
 
Para quando a profissionalização dos árbitros? Uma atividade de centenas de milhões de euros não pode ser condicionada por uma dúzia da artistas de qualificação e intenções duvidosas. Há que recrutar e qualificar adequadamente os árbitros de futebol, caso se pretenda o progresso do setor. Ainda não perceberam isto, ou não é conveniente aos adeptos da fruta?
 
E pronto; saímos com honra, ficando agora o quase-expulso mostrengo com a via aberta para aquela que, finalmente, virá a ser uma prova "deveras relevante"! Não é verdade? Até porque, a Direção da Liga tem que ser enxovalhada pelo atrevimento que teve em querer fazer cumprir os regulamentos da prova! Não é assim? Agora vão ter que entregar a taça aos homens da fruta.
 
AB

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Os Pescadores de Pérolas (Georges Bizet)

Georges Bizet, nascido Alexandre César Léopold Bizet, (Paris, 25 de outubro de 1838 — Bougival, 3 de junho de 1875) foi um compositor francês, principalmente de óperas. Numa curta carreira devido à sua prematura morte, ele atingiu poucos sucessos antes do seu trabalho final, Carmen, que viria a tornar-se uma das mais populares e frequentemente interpretadas óperas no repertório operático.
Durante uma brilhante carreira como estudante no Conservatório de Paris, Bizet venceu muitas competições, incluindo o prestigiado Prix de Roma em 1857. Ele foi reconhecido como um excelente pianista, embora raramente tocasse em público. Regressando a Paris após quase três anos em Itália, descobriu que os principais teatros de ópera parisiense preferiam repertório clássico das obras recém-compostas. Suas composições orquestrais e para piano foram igualmente ignoradas, como resultado, sua carreira paralisou e ele ganhava a vida organizando e transcrevendo a música de outros compositores. Começou muitos projetos teatrais durante a década de 1860, a maioria dos quais foram abandonados. Duas óperas suas dominaram os palcos - Les pêcheurs de perles e La jolie fille de Perth - foram sucessos imediatos. (Wikipédia) 




Giuseppe Di Stefano

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dmitri Chostakovitch: Waltz Nº 2

 
Dmitri Shostakovich pronúncia Shostakovich (russo: Дмитрий Дмитриевич Шостакович1), nasceu a 25 de setembro de 1906 (12 de setembro no calendário juliano) em São Petersburgo, Rússia e morreu 09 de agosto de 1975, em Moscovo, URSS, é um compositor russo do período soviético. É o autor de 15 sinfonias, concertos, música de câmara abundante e várias óperas. A sua música, muitas vezes rejeitada pelo formalismo Soviético, com a sua força e drama, muitas vezes exacerbada, fizeram de  Shostakovich uma figura importante na música do século XX.(Wikipédia)
 
 
 
 
 
 
 
Dmitri Chostakovitch

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Benfica-Paços de Ferreira (3-0)

 
Só quem tem andado distraído pode estranhar a boa campanha do Paços esta época. Há muito que o anti-jogo, tão característico do futebol nacional, deixou de fazer parte da da equipa do Paços. Nota-se desde há uns anos que adotou um futebol positivo, assumindo o jogo em todo o terreno, olhos nos olhos, com garra, solidariedade e boa cultura técnico-tática, pondo os adversários em guarda. Há tempos dei comigo a reconhecer no Paços, vestígios da cultura Benfiquista! Tudo num são ambiente de cordialidade e respeito insubserviente, como apraz às gentes civilizadas. Daqui a minha saudação. Assim deverá ser o desporto.
 
Esperava pois uma postura cautelosamente aberta do Paços como veio a verificar-se, restando saber, se em consequência da rápida desvantagem no marcador. O que é certo é que se apresentou muito coeso, pressionando o adversário logo à saída da sua área tentando impedir a construção do seu jogo ofensivo, colocando quase sempre vários atletas na disputa da bola graças a um excelente posicionamento, trocando-a com qualidade e explorando bem as alas, faltando-lhe talento e massa muscular na zona de finalização, que não elementos, sempre muito bem apoiados por uma segunda linha ofensiva. Em situação de aperto defensivo recuava todos os jogadores para o seu meio-campo chegando mesmo a aglomerá-los a todos dentro da grande-área. É um modelo de jogo com uma exigência física muito elevada!
 
O Benfica entrou concentrado no seu, agora cada vez mais, futebol total, segurando o esférico, fazendo-o circular con inteligência e talento, apesar de algumas perdas imaturas, alimentando os extremos que procuravam Cardozo e Lima no eixo do ataque. E foi num desses movimentos que surgiu o primeiro golo, num lance que valeu o jogo, de bonito que foi! Tudo foi soberbo; os passes, a movimentação sincronizada e a concretização, envolvendo Lima, Sálvio e Enzo! Fantástico!
 
Entrou o Benfica em fase  de controle do jogo, que se ia desenrolando em todo o relvado, sempre com o Paços muito ativo. Apesar de o Benfica revelar grandes progressos neste capítulo, tão necessário às grandes equipas, ainda se verificam algumas perdas de bola comprometedoras. É preciso não esquecer que estes ciclos devem terminar em movimento ofensivo com finalização e não com perdas de bola a meio-campo, que serão fatais se contra melhores equipas.
 
Até à entrada de Martins, o nosso jogo aéreo ofensivo esteve muito fraco; só Cardozo ganhou uma bola da esquerda que cabeceou por alto. É uma especialidade decisiva nos jogos difíceis, onde o adversário impõe superioridade numérica na sua área e que só a precisão dos lançamentos ou o acaso, podem resolver. Com Martins, os cantos tornaram-se perigosos; foi dos seus pés que nasceu o 2º golo, com o apoio precioso da careca do Luisão e do sempre oportuno Cardozo. 
 
Durante algum tempo, a equipa do Benfica empastelou o jogo e desarticulou-se, o que poderia ter sido fatal, tendo-se reequilibrado com as entradas de Gaitan e Aimar. Aimar; era o jogo ideal para ele. Apesar de acusar falta de ritmo, ainda fez a assistência para o 3º tento. Quem sabe nunca esquece. Que falta nos faz um excelente Aimar para o resto da época!
 
 Luizinho tem que jogar mais, mas de forma controlada. Percebe-se que ainda não se sente à vontade; perdeu alguns lances que poderiam ter sido fatais. Mas sobe bem no terreno e faz bons cruzamentos.
 
Julgo que João Capela esteve bem; um ou outro lance duvidoso, nomeadamente as cargas de ombro, mas nada me pareceu grave. 
 
Agora é recuperar para o próximo confronto.
 
AB
 
 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ana Oliveira e a Revolução Silenciosa

Passeando pelo site do meu clube, fui parar à secção de atletismo onde me deparei com este quadro! Títulos, títulos e mais títulos!

Graças à determinação da Direção, que não perde de vista os Grandes Desígnios do Benfica e à competência serena de Ana Oliveira, ela própria com pergaminhos enquanto ex- Atleta do clube, foi possível elaborar um projeto de desenvolvimento que desalojou a crónica hegemonia do Sporting na modalidade. Fantástico! Um projeto com largo futuro, dada a orgânica da formação, sólidamente implantada e recheada de jovens talentosos.
 
A fórmula do sucesso é clara; definição de objetivos, formação da superestrutura, elaboração de projeto estável e otimizável (não mete fruta!). É o caminho para todas as modalidades, incluindo o futebol profissional. Nada acontecerá por acaso; talento, trabalho e liderança, constituem a via do sucesso.
 
Parabéns a todos pelo extraordinário trabalho que têm feito pela afirmação do atletismo do Benfica; por todoas essas bonitas vitórias em 2012/2013.

(Transcrito do site do SLB):
 
Título Europeus (1)
Campeões da Europa Juniores Corta Mato / Equipas


Atletismo 2011/2012
Título Nacionais (13)
Campeões Nacionais Juniores Masculinos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Juniores Femininos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Sub 23 Masculinos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Sub 23 Femininos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Séniores Masculinos - Pista Coberta
Campeões Nacionais Juvenis Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juvenis Femininos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juniores Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juniores Femininos - Ar Livre
Campeões Nacionais Sub 23 Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Séniores Masculinos - Ar Livre
Campeões Nacionais Juvenis - Corta Mato
Campeões Nacionais Juniores - Corta Mato


Atletismo 2011/2012
Título Regionais de Pista (9)
Campeões Regionais Infantis Masculinos
Campeões Regionais Infantis Femininos
Campeões Regionais Juvenis Masculinos
Campeões Regionais Juvenis Femininos
Campeões Regionais Juniores Masculinos
Campeões Regionais Juniores Masculinos
Campeões Regionais Sub 23 Masculinos
Campeões Regionais Sub 23 Femininos
Campeões Regionais Seniores Masculinos


Atletismo 2011/2012
Títulos Regionais de Corta Mato (4)
Campeões Regionais Corta Mato Infantis Femininos
Campeões Regionais Corta Mato Iniciados Masculinos
Campeões Regionais Corta Mato Juvenis Masculinos
Campeões Regionais Corta Mato Juniores Masculinos

Muito bem Benfica!

Obrigado!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

FIFPro estuda e denuncia a corrupção no futebol. Por cá, aplaudem-se os corruptos?

O organismo salienta que os jogadores devem manter a sua integridade profissional, apesar do crescente flagelo da manipulação de resultados.

A Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro) informou hoje que 11,9 por cento dos jogadores terão sido abordados para falsear resultados e mais do dobro (23,6) acredita que os seus jogos nacionais são manipulados.

Os dados foram tornados públicos pelo presidente da divisão da FIFPro Ásia, Brendan Schawb, durante o seu discurso de hoje na Conferência Internacional da Interpol, em Kuala Lumpur, sobre a viciação de resultados, no âmbito do acordo celebrado entre a FIFA e a Interpol em 2011.

«Todos os membros da família do futebol, os governos e as autoridades policiais devem trabalhar em conjunto para combater este problema», afirmou Schwab, destacando ainda o papel determinante da FIFPro em todo este processo, uma vez que representa cerca de 65.000 jogadores em todo o mundo.

Segundo o delegado australiano, 41,1 por cento dos jogadores não recebe no período indicado, cerca de 5 por cento espera cerca de seis ou mais meses para receber o salário, enquanto um em cada nove jogadores já foram vítimas de violência, maioria causada por adeptos.

Os dados recolhidos mostram que mais de 10 por cento dos jogadores se diz assediado por dirigentes de clubes e técnicos, mas também vítimas de racismo e alvos de atitudes discriminatórias por parte dos adeptos.

«É essencial que os jogadores trabalhem connosco, de modo a manter a integridade e a dignidade das suas carreiras profissionais», declarou Schawb.

O representante da FIFPro destacou ainda o trabalho que o sindicato tem realizado na Europa Oriental, mas insistiu que os problemas continuam a atingir os jogadores nas mais diversas áreas, contribuindo para a «pobreza do futebol».

O Chauvinismo de Serpa


No seu admirável blogue "Em Defesa do Benfica", Alberto Miguéns, dá conta de uma crónica de Vitor Serpa em o "A Bola" na qual,este, fazia a elegia do Sporting de Braga e acusava de traidores os Bracarenses adeptos de outros clubes!

Vitor Serpa demonstra mais uma vez não estar à altura dos pergaminhos de "A Bola" quando esta era considerada a bíblia do futebol, quando não tinha medo de trafulhas nem de sociopatas, quando não tinha a preocupação da equidistância cúmplice, quando tinha a coragem e o orgulho de ter inimigos por amor à verdade, quando tinha a lucidez de defender a arte do futebol. Abaixo Vitor Serpa!
 
"A Bola" é hoje um jornal castrado, medroso, merdoso, que quer estar bem com deus e com o diabo,  incapaz de defender a causa da transparência, da lealdade, da verdade. Um jornal que vai atamancando o discurso, dando uma no cravo outra na ferradura, cinzento, amarelo, na patética pretensão de pairar acima dos clubes, enquanto, paradoxalmente, rasteja ondulante ao sabor das conveniências. E Vitor Serpa é seu Diretor! Abaixo Vitor Serpa!
 
Ora então, segundo a "lei serpa", cada cidadão deveria ser, exclusivamente, adepto do clube da sua terra sob pena de ser acusado de traição e, quem sabe, condenado ao cadafalso, à forca, ao fusilamento, ao ostracismo ou à expulsão! Vitor Serpa, o Torquemada do luso ludopédico! Haverá algo mais patético? Abaixo Vitor Serpa!
 
Porém, de tal sapiência, rapidamente, a "lei serpa" se transformaria em "doutrina serpa" alargando-se a todos os setores da atividade humana. Assim, acabariam todos os cidadãos notificados da obrigatoriedade de prestação, em regime de exclusividade, de apoio a todos os atletas, artesãos e bachareis da cidade, com exclusão de quaisquer outros, ainda que notáveis e talentosos.
 
E para evitar a perdição da tentação, proibir-se iam os ignaros de assistir a espetáculos ímpios, desligar-se-iam as televisões, proibir-se-ia a circulação além das muralhas da cidade, queimar-se-iam  todos os livros de autores blasfemos e ateus e oferecer-se-iam livros e canções de autores locais como se fossem os melhores da galáxia. Haverá algo mais patético? Abaixo Vitor Serpa! Abaixo! PUM!
 
Ironias à parte; em matéria desportiva, todos os cidadãos são adeptos dos clubes da sua terra e destes, adotam mais um deles. Porém, sendo o futebol um espetáculo desportivo e aspirando o Homem ao êxtase emancipador da Arte, é natural que alguns Homens se identifiquem com aquelas entidades que, efetivamente, praticam a Arte do Futebol, mesmo não sendo da sua cidade. Apreciar a Arte é ainda uma liberdade que nenhum serpa, nenhum pinto, nenhum mesquita, nenhum salvador, nenhum bento, nenhum tavares, nenhum moreira, pode negar a um Homem, seja de Braga, do Porto, de Lisboa, de Guimarães, de Madrid, de Barcelona, de Paris, de Berlim, etc! Abaixo Vitor Serpa!
 
Serpa, defende a tese difundida pela "tropa saloia" pintista por tudo quanto é sítio, com o propósito de desalojar a simpatia de que o Benfica disfruta por toda a parte, tentando substitui-la não pelo clube da terra, mas pelo ressabiado clube da fruta, fomentando subversivamente a intolerância ativa, a discriminação e a perseguição aos Benfiquistas, enquanto se apresentam como beneméritos desinteressados, trocando atletas, técnicos e serviços outros, quiçá, aconselhamento matrimonial e distribuição de fruta, chocolatinhos, rebuçadinhos e quinhentinhos, tão necessários ao êxito desportivo em Portugal.
 
Serpa sabe, mas finge ignorar, que o futebol em Portugal, hoje, é um instrumento político ao serviço da ambição desmesurada e fraturante de alguns caciques sociopatas que, a coberto de cumplicidades várias, não hesitam em manipular o afeto dos seus conterrâneos ao seu clube para atingirem a notoriedade local que lhes permite ascender e permanecer em lugares de relevo na paróquia.
 
Serpa sabe, mas finge ignorar, que o relativo sucesso do Braga da era Salvador tem origem na réplica da miserável estratégia de condicionamento competitivo do seu clube mentor, destruindo um passado nobre porque leal, cordial e competitivo. O Braga já era competitivo muito antes de Salvador. O Braga de Cajuda, por exemplo, foi uma grande equipa!
 
Serpa sabe, mas finge ignorar, a razão das estranhas alterações táticas das equipas protegidas que propiciam ao seu clube mentor fáceis vitórias. Contrapartidas. Contrapartidas, que permitem ao mentor passear nas competições nacionais e concentrar-se nas europeias onde valoriza os seus ativos sem o que teria de reduzir os seus orçamentos a metade, com a correspondente perda de competitividade e quebra do ciclo virtuoso de natureza frutóide.
 
Vitor Serpa, garantiu a irrelevância na história do jornalismo desportivo nacional. Não soube, não sabe potenciar o privilégio de dirigir aquela que foi uma instituição de referência.
 
Vitor Serpa, parece não ter percebido que, também no futebol, há causas pelas quais vale a pena ter inimigos.  
 
AB
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Corrupção no Futebol




 



 
 


Como é lindo o futebol em Portugal!

Benfica-Bayer Leverkusen (2-1)


Ao "jogo de paciência" a que aludiu o jornalista na conferência de imprensa referindo-se à equipa do Benfica, respondeu Jesus com "jogo de conhecimento". Concordo. Efetivamente, a equipa do Benfica, além da qualidade técnica que lhe é própria, exibiu uma coerência tática de grande nível, caracterizada pela excelência do posicionamento, concentração nas marcações e  muito boa dinâmica. É neste particular que se tem revelado esta época grande evolução. Contráriamente ao que se tem verificado nas últimas épocas, a equipa tem efetuado progressos assinaláveis na retenção da bola, fazendo-a circular com segurança entre si, obrigando o adversário a correr, a desgastar-se e a desposicionar-se, criandopara si, oportunidades ofensivas fatais.
 
O Bayer é uma boa equipa; excelente leitura de jogo, excelente posicionamento, boa qualidade técnica, grande envergadura e disponibilidade física e a tradicional força mental do futebol alemão. Fizeram as despesas do jogo, procurando o golo cedo que, por duas vezes, lhes fez o manguito. Como diz o Artur, os postes fazem parte do jogo, tal como a sorte. À primeira "postada" vaticinei a vitória dos nossos; graças ao conhecido adágio futebolístico; quem não marca...
 
A equipa do Benfica posicionou-se defensivamente mas bem aberto nas alas, as quais, apesar de pouco ativas, criaram alguns calafrios aos contrários, com cruzamentos para o solitário Cardozo no eixo de ataque, bem policiado por dois a três seguranças de alto lá com o charuto!
 
Eis senão quando, "o cantinflas", saindo da sua letargia, acelerou pela esquerda alta, livrando-se de dois adversários e, sem perder a leitura do lance, brinda-nos com um gesto técnico próprio dos eleitos, arrancando um chapéu soberbo, cruzado, perante o desespero do excelente GR contrário. É por lances destes que o público vai aos estádios de futebol. Pela arte; a via para a catarse celestial.  A evasão do Vale de Lágrimas. É assim que o Benfica tem de continuar a ser.
 
O golo do empate, surgindo após a substituição inicial, fez acender a luzinha amarela. Não falha; com o jogo equilibrado entre duas boas equipas, geralmente, quem muda perde o equilíbrio, com vantagem para o adversário. Artur nada podia fazer para parar aquela "bomba" desferida à entrada da área, com excelente colocação. Faltou a marcação ao adversário, que lhe permitiu rematar sem oposição. Não deve acontecer.
 
As entradas de Lima e Sálvio colocaram dificuldades assinaláveis ao meio-campo e defensiva do Bayer, tendo rendido o desejado golo da tranquilidade. Retive a serenidade do Lima ao ler o lance enquanto recebia e controlava o esférico a soberbo cruzamento do John. Fantástico! Fantástica execução do cruzamento a que acorreu Matic, ao segundo poste, colocando-o, com intencionalidade, no lado contrário, bem fora do impotente GR.
 
Carregaram os alemães, sempre intencionais, mas já em desespero de causa, ainda assim proporcionando duas ou três defesas de grande categoria do Artur.
 
Foi uma vitória digna dos parabéns do Treinador alemão, algo pouco frequente por cá, mas desejável em todo o lado.
 
Despir a camisola para celebrar um golo com os adeptos não devia ser motivo de punição. Não é agressivo. Será desrespeitoso? Não creio. A haver punição deveria confinar-se em exclusivo ao atleta e não ao clube. É injustificado e discriminatório.
 
Agora me lembro; havia árbitro, não havia? Se havia, porque não o mencionei?
 
AB