Desporto

sábado, 8 de novembro de 2014

Em "Mitos Climáticos" por Rui G. Moura


A grande seca do Sahel

Nas latitudes médias, o processo que conduz às secas de longo prazo envolve a formação de aglutinações anticiclónicas (AA) produzidas por anticiclones móveis polares (AMP).

Nos trópicos, as condições da pluviogenesis podem sofrer perturbações que dificultam a precipitação. As condições do transporte de vapor de água de longa distância e a ascendência podem ser especialmente perturbadas.

As perturbações advêm, fundamentalmente, de fenómenos de interferência dos alísios, que sopram dos continentes para os oceanos, e do equador meteorológico. Tanto uns como o outro podem dificultar a precipitação.

A definição clássica de equador meteorológico pode ser encontrada na internet, por exemplo, nos seguintes links: (1), (2), (3), (4). Em relação à definição moderna só em livros é possível encontrá-la como no referido no fim deste post.

O equador meteorológico (EM) forma-se na zona de confluência dos AMP boreais e austrais junto ao equador geográfico (EG). Em termos gerais, no Inverno do Hemisfério Norte, o EM é empurrado para Sul.

Nas fases frias, como aconteceu na Pequena Idade do Gelo, o EM situa-se a sul do EG sobre o continente Africano. Em fases quentes, como sucedeu no Óptimo Climático do Holoceno, o EM situa-se a norte do EG por cima do continente Africano.

Consequentemente, a posição do EM sobre o continente Africano é definidora da fase ou do cenário quente ou frio que se vive, pelo menos, em África. E na fase actual situa-se, manifestamente, a sul do EG, desde os anos 1970. Isto é, após o shift de 1975/76.

A trágica e alarmante falta de chuvas de Verão ao sul do Sara que se verifica desde os anos 1970 continua a subsistir nos dias de hoje com pequenas remissões locais. Essa tragédia faz-se sentir em lagos que estão a secar na região de Dakar e na República do Chade.

O caudal do rio Níger reduz-se a zero. As colheitas minguam. Verifica-se um êxodo forçado das populações rurais que sentem falta de alimentos para a sua subsistência. Daqui resultam muitos conflitos sociais.

Têm sido adiantadas hipóteses sem consistência para tentar explicar este fenómeno meteorológico local. Vão desde a interferência do Homem africano – que alteraria o albedo – até ao inevitável «global warming» devido aos malfadados gases antropogénicos do Homem planetário.

Mas a verdade é que grande seca do Sahel resulta da alteração da circulação geral da atmosfera que tem vindo a provocar aglutinações anticiclónicas não só sobre o Atlântico (Açores, Madeira, Canárias, Cabo Verde) mas também sobre o continente Africano (Mauritânia, Senegal, Mali, Níger, Chade, Sudão).

O aumento das pressões atmosféricas que se tem vindo a verificar na Europa também se estendeu para Sul. Especialmente, sobre o norte do continente Africano. A pressão tem subido da Mauritânia ao Djibuti, passando pelo Senegal, Sudão, etc.

A propósito, nenhum modelo informático do clima inclui quer a inversão dos alísios quer o equador meteorológico. Não existem equações matemáticas capazes de reproduzir estes fenómenos reais como muitos outros (representação das nuvens, p.e.).

O fantasista Al Gore, no livro/filme «Uma Verdade Inconveniente», culpa o aquecimento global pelo desaparecimento do Lago Chade o que, por sua vez, contribuiu para a fome e o genocídio. O seu émulo português Filipe Duarte Santos disse o mesmo no programa da RTP2no dia 8 de Junho de 2008.

A falta de rigor das afirmações de ambos tem consequências deploráveis na desinformação da opinião pública. E tais intervenções, por estranho que pareça, são mais graves da parte de Filipe Duarte Santos porque, ao contrário de Al Gore, se apresenta como investigador universitário, mas denota uma grande falta de conhecimentos nesta matéria.

A grande seca do Sahel e demais fenómenos meteorológicos e climáticos do continente Africano são descritos por Marcel Leroux no livro The Meteorological and Climate of Tropical África, Springer & Praxis, 2001, 548 páginas, ISBN 3-540-42636-1.

Esta obra resultou do estudo encomendado pela Organização Meteorológica Mundial ao climatologista que mais percebe do clima de África e não só. O livro inclui 225 figuras e um CD com 350 mapas que relatam os vários factores da meteorologia e climatologia e os seus efeitos no continente Africano.

Foi durante a execução deste estudo que Marcel Leroux encontrou inconsistências na teoria clássica relativamente às explicações da estrutura troposférica da África tropical. Pôs em dúvida o esquema tricelular clássico da circulação geral da atmosfera que é o pilar básico da climatologia clássica.

Marcel Leroux procurou então um outro esquema que se ajustasse à realidade observável. Estando em Cabo Verde, imaginou que a circulação tinha origem nos Pólos. As imagens enviadas pelos satélites meteorológicos vieram confirmar esta hipótese. A dinâmica dos anticiclones móveis polares era manifestamente visível.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Benfica-Mónaco (1-0)

      Um grande aplauso para jogadores e Técnicos do Benfica!, mereceram a vitória...mas também uns puxõezinhos de orelha!  Um jogo equilibrado onde foi notório o ascendente físico dos jogadores do Mónaco os quais ostentam considerável acerto tático  e capacidade técnica assinalável. Quarenta minutos fortíssimos dos encarnados; vinte no início onde poderiam ter marcado por umas duas vezes - por isso os referidos puxões de orelhas -, ouros tantos no final onde "carregaram" implacavelmente sobre o adversário e que rendeu o golo da vitória num remate cheio de "soupless" de Talisca. No restante tempo da 1ª parte houve equilíbrio entre as duas equipas, no restante da 2ª parte a superioridade  foi da equipa do Mónaco, que além do bom futebol que pratica, joga com o baralho todo...do antijogo, com destaque para Ricardo Carvalho. Excepto na excelente ponta final, continuou a notar-se défice de criatividade e de dinâmica no meio-campo, com jogadores a agarrarem-se demasiado à bola. mas são bem visíveis os ganhos de entrosamento na equipa, com algumas unidades em notório crescendo de forma. Júlio César dissipou todas as dúvidas com várias defesas de grande categoria, delas delas decisivas. Jardel surpreendeu pelo acerto no posicionamento e nas dobras, sobretudo à esquerda onde André Almeida tinha dificuldade em parar "Carrasco". Apesar do bom jogo de Gaitan ia "jurar" que ainda tem mazelas físicas do "massacre" de Braga. Samaris não engana; é um excelente jogador mas precisa de tempo. A entrada de Lima desassossegou a defesa contrária introduzindo imprevisibilidade nos lances.  Apesar da dificuldade em superar o seu oponente Sálvio, ainda disfrutou de uma excelente oportunidade de golo logo na 1ª parte que não concretizou. Quanto a Talisca, não contemos com ele para criador do meio-campo; segurar a bola, rodar, mudar de direcção, fintar em curto espaço e entregar...tem de ter panorâmica e corredor. Todos os outros estiveram bem, com dificuldades para André, havendo a destacar um corte "in extremis" de Máxi.
      O árbitro portou-se muito mal ao beneficiar o infrator assinalando uma falta sobre Gaitan, quando este corria já isolado para a baliza contrária com um colega pronto a tabelar. Mais um lance que deixa suspeitas sobre a UEFA.     

Movimento contra a mentira climática!

Espectador interessado: Compensa errar redondamente anos a fio (pelo menos...: Assisti, observando uma recatada distância, aos vigorosos protestos das entidades domésticas "produtoras de ciência" que se senti...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

sábado, 1 de novembro de 2014

Mário Figueiredo; derrotado ou vitorioso?

      Saído das "catacumbas" do gabinete de Gil Moreira, dedicado quase exclusivamente à prestação de serviços jurídicos ao FCP, a surpreendente eleição de Mário Figueiredo (MF), apoiado maioritariamente por clubes da 2ª Liga, para a presidência da Liga de Clubes, parecia constituir mais uma "jogada" da "exemplar estrutura" para a retoma do controle desta superestrutura, que tanto se empenhara no afastamento de Hermínio Loureiro - já sob a sua asa protectora - e de Ricardo Costa, que, corajosamente e a despeito de todas as dificuldades, não fora a vergonhosa intervenção da FPF e da UEFA, teria extirpado o "tumor" que há cerca de 40 anos corrói o futebol nacional.
 
      Mas MF tinha um projecto que, basicamente, consistia em aumentar a receita de alienação dos Direitos Desportivos dos clubes e contemplar os seus apoiantes com maior fatia do bolo. Para isso propunha centralizar a negociação na Liga e acabar com a exclusividade da Olivedesportos no acesso à concessão. Não foi de modas e apresentou queixa à AdC contra a Olivedesportos por abuso de posição dominante, esperando a inevitabilidade de uma decisão favorável em tempo útil.
 
      Foi a componente da competitividade do seu projecto que tramou MF afastando a sua base de apoio institucional. Ciente de que a optimização das receitas está directamente relacionada com a incerteza dos resultados e que esta é função do equilíbrio das equipas em confronto, bem como da necessidade de reduzir custos, encomendou um estudo a um especialista holandês que propôs a alteração do quadro competitivo para um modelo em que, as então dezasseis equipas seriam divididas em dois grupos de oito jogando em cada grupo todos contra todos constituindo-se de seguida dois outros grupos, um deles pelos quatro melhores classificados de cada grupo anterior e outro pelos quatro piores classificados dos mesmos grupos. Com o modelo que MF apresentou à discussão, em cada época haveria clubes que não jogariam com os "grandes".  E foi aqui que MF "morreu"!, nenhum dos pequenos clubes quer saber do futebol nacional como um todo, todos querem apenas mais receitas, seja como for e, sobretudo, querem a jogar com os "grandes" para se sentirem maiores do que são efectivamente.
 
      Com MF sem base de apoio, a Olivedesportos ganhou novo fôlego e, pacientemente, recorrendo aos aliados de sempre, foi tecendo a sua teia, renegociando a dívida com bancos em graves dificuldades e agregando no mesmo projecto os principais operadores do cabo, com a curiosidade de integrarem gente ligada ao FCP, prevenindo-se contra eventual decisão desfavorável da AdC, obrigando o futuro concessionário dos direitos a cair-lhes nas garras. Felizmente que aquela entidade, num assomo de decoro,  impediu a exclusividade de emissão dos jogos concessionados à STV, como pretendia a Olivedesportos, conseguindo com este estratagema reconstruir o monopólio eventualmente  perdido. Tudo isto nas "barbas" de todos e nem uma vozinha contra se ouviu!
 
      Enquanto isso, perante a impossibilidade de "dobrar" MF, uma estrutura que serviu tantos anos de suporte às vitórias do FCP, deixou de ser adequada quando estas ameaçavam escassear, e começou pacientemente a ser esvaziada, desde logo com a passagem dos Conselhos de Arbitragem e de Justiça para a FPF ainda controladas pela "exemplar estrutura". Desta forma eventuais decisões desfavoráveis no Conselho de Disciplina (CD) da Liga, recentes ou remotas, desfavoráveis ao FCP, seus dirigentes ou atletas, poderiam ser revogadas, como veio a suceder em várias ocasiões, entre as quais a anulação da condenação de Pinto da Costa, essa pérola da indigência jurídica. Por outro lado ficaram os árbitros sob apertado controlo, em favor dos mesmos de sempre, como se tem continuado a verificar, embora de forma menos aguda.
 
      A "martelada" final foi dada por Emídio Guerreiro e o Conselho Nacional do Desporto (CND) com a publicação da nova lei das Federações Desportivas, concedendo à FPF o poder de alocar a organização do futebol profissional em caso de força maior! Foi o fim do projecto de MF que bravamente resistia a todas as ameaças, sem dinheiro, aguentando os clubes e árbitros como podia perante a abundância sumptuária da FPF que "afogada" em recursos exigia à falida Liga o pagamento de avultadas vferbas, em vez de mostrar a sua solidariedade.
 
      Finalmente, com MF definitivamente afastado, desavergonhadamente, a AdC fez-se ouvir, dando razão, pelo menos parcialmente, à queixa daquele, desacreditando uma instituição constituída para, na sua esfera de acção, zelar pelo cumprimento das leis.
 
      É esta a força de Pinto da Costa e do "Sistema"!
 
      Mário Figueiredo cometeu um erro de avaliação ao pensar que tinha os pequenos consigo incondicionalmente e ao afrontar o "sistema" de frente. O país não está preparado para tal e o sentido crítico das populações continua a ser controlado pela Comunicação Social, amplamente "colonizada" por adeptos azuis ou simplesmente destituída de coragem para contrariar certos "poderes de facto". Todos sabem que MF tem razão mas muito poucos estiveram do seu lado, preferindo os outros a submissão "dourada" à independência!
 
      O grande mérito de MF consistiu em desmascarar todos; dirigentes desportivos, governantes, jornalistas, comentadores e adeptos, que "todos os dias" enchem a boca a favor da necessidade de credibilização do futebol nacional mas quando chega a hora "metem o rabinho entre as pernas e calam-se bem caladinhos que nem ratos".
 
      Tenho lido e ouvido algumas crónicas desabonatórias de MF; porque tinha um alto salário, porque tinha despesas de representação, porque a Liga devia dinheiro aos árbitros e aos clubes - Até o Calado!. Nenhum deles, nenhum, se debruçou sobre o seu projecto e as causas da falência financeira da Liga; nenhum foi capaz de denunciar a política de "engorda do porco do endividamento" até ao aparecimento do grande salvador dos clubes e do futebol nacional que, para gáudio de Pinto da Costa e do seu falido clube há-de ser mais uma vez a Olivedesportos. Para facturar 50 a 100 ME todas as épocas é necessário passear no campeonato nacional  e ter um bom calendário na europa.
 
      Os efeitos do "acordo" clubístico já se fizeram sentir em Braga, com violência excessiva e a permissividade da equipa de arbitragem. Já todos "sabem" quem manda!
 
     Daqui endereço os parabéns a MF pela coragem que teve, não pela tática, e aos que o apoiaram até ao fim, em especial ao SCP e ao seu Presidente, fazendo votos para que aquele encontre maneira de dar o seu contributo na luta pela independência dos clubes de futebol, sem a qual os campeonatos constituirão uma farsa deprimente.
 
      Quanto ao Benfica, como já referi em comentário anterior, julgo que deveria ter-se demarcado de qualquer solução de falso consenso como é a que foi alcançada, em que os intervenientes, à excepção de um, estavam sob "chantagem" implícita; ou chegavam a acordo ou os campeonatos profissionais passavam para a FPF onde "manda" o FCP! Uma vergonha!, dito de outra forma; pode qualquer clube ficar de fora de qualquer consenso, excepto o FCP!, os clubes são todos iguais, excepto o FCP! Porquê?
 
      Relativamente à escolha de Luis Duque para a presidência da Liga, julgo que foi uma decisão infeliz; por ser uma atitude hostil ao SCP com quem tem contencioso, por ser uma figura demasiado controversa no desporto - condenado por fraude fiscal, salvo o erro -, por ser compulsivamente hostil ao Benfica, como no caso Mourinho, e no caso do incêndio do Estádio da Luz do qual nunca se demarcou publicamente.
 
      Esta atitude constitui a primeira vitória de Pinto da Costa, ainda por cima dupla, pois mais uma vez afasta os dois rivais de Lisboa e divide os Benfiquistas, como tão bem sabe fazer.
 
     PS: no decurso do processo, António Fiúza, a respeito da auto-exclusão do SCP do "acordo" alcançado, terá dito mais uma vez, o que de vez em quando é dito a propósito do Benfica; que o Sporting é um clube como outro qualquer!, Não é não Sr Fiúza! Todos os clubes sofrerão consequências financeiras graves se o Sporting faltar no campeonato o que não é o caso de muitos outros cuja falta nunca se fará sentir.  
 
Estarei enganado? A ver vamos! 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Merecido; parabéns Telma.

Telma Monteiro ganha o ouro no Grand Slam de Abu Dhabi.
Poucos como Telma fazem jus ao verso "...sou de um clube lutador..."

Benfica-Rio Ave (1-0)

Uma boa vitória de Talisca com a colaboração do  joelho de Esmael, apesar da excelente réplica de Cássio.