domingo, 13 de setembro de 2015
Longo caminho?
Afinal, o percurso foi curto! foram necessários apenas duas semanas de trabalho com meia equipa para definir e estabilizar um futebol empolgante. As causas do fraco arranque da equipa esta época foram, a instabilidade provocada pela saída atribulada do anterior Treinador, a turbulência do mercado de jogadores e a desastrada digressão americana. Teria sido preferível optar pelo trabalho tranquilo no Seixal. De todo o modo, as digressões internacionais do clube são para fazer boa figura; os benfiquistas querem ver o seu clube...mas a ganhar, mesmo que seja a feijões...ou milhões!
A exibição empolgante frente ao Belenenses, mostrou que, afinal, o "longo percurso" que se esperava necessário para Rui Vitória pôr a equipa a jogar bem, foi curto. E foi curto porque a qualidade estava lá, nos jogadores, e o Técnico percebeu-o; bastou-lhe arrumá-los adequadamente e dar-lhes confiança. Lá está, mais uma vez, o trabalho da Direcção a tratar dos casos pendentes, deste vez com sucesso.
Achei divertido e sintomático quando o público, com a Benfica a ganhar 6-0, desatou a assobiar a equipa, como quem diz "não queremos saber do resultado, queremos é bom futebol! percatem-se!"
Fiquei com uma dúvida relativamente a Mitroglou; será que foi engraxador?, se foi, é melhor a equipa de scouting tomar nota, pode estar aí um filão!
Bem, a difícil equipa do Belenenses, com bons desempenhos já nesta época, apesar das habituais cautelas defensivas, não resistiu ao excelente futebol encarnado; a equipa do Benfica esteve muito bem no posicionamento, nas dinâmicas ofensiva e defensiva e na motivação. Depois, é a tal história dos melões; quando há bons jogadores, basta um centro para fazer um golo! Foi o caso. O primeiro foi um hino ao futebol; o cruzamento de Jonas fez-me recordar um lance parecido de Savicevic do Milão, nos tempos de Boban, Baresi e Cª. Mais ou menos do mesmo local e com um ou dois adversários pela frente, Savicevic, parado, arranca um tiro direto à baliza e fez golo! Jonas optou pelo cruzamento; com tal categoria que a bola saíu como um míssil da cabeça do extraordinário Mitroglou. Indefensável. Há muito que não se vê no Benfica um cabeceador deste calibre. Gaitan maravilhou o público com os seus slalons e fintas de corpo, a dar um "cheirinho" a Chalana, culminando com um golo inteligente., e Talisca mostrou o já conhecido potencial do seu pé esquerdo, que requer movimentação apropriada do coletivo para ser materializado com Sucesso. Mais uma vez Júlio César respondeu à altura quando foi necessário naquele remate pleno de força e colocação de Luis Leal. Jardel, por sua vez, vai-se afirmando como o sucessor de Luisão, pela eficácia, entrega, autoridade e serenidade. Enfim, julgo que necessitamos de consolidar o flanco direito, com Guedes ou Andrade, de reforçar o miolo com um armador de créditos firmados e com um defesa-esquerdo de raiz.
Não dei por lapsos graves de arbitragem. No perigoso lance do qual Samaris poderia ter saído gravemente lesionado não fiquei totalmente esclarecido quanto à natureza da falta. É importante não fugir ao choque, mas quando há um potencial sério de lesão grave em zonas não vitais do terreno é preferível optar por estratégia mais favorável. Para quê arriscar partir uma perna se o adversário pode ser intersectado uns metros mais à frente?
O futuro dirá mas parece-me que o desempenho das equipas da formação já reflete os efeitos do novo paradigma do clube. Uma estratégia que deve ter em linha de conta as observações de Carlos Janela quanto à inexistência em Portugal de formação de jogadores de alto nível. Oxalá o Benfica saiba dar esse salto.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Desencontros
As entrevistas de Filipe Vieira e de Jorge Jesus, respectivamente a "A Bola" e a "Record", no que concerne aos motivos da recente divergência, pouco ou nada acrescentou ao que já se sabia. Sou de opinião de que não vale a pena remexer no assunto; como diz o velho aforismo, amigo não empata amigo ou; contas com Jorge, Jorge na rua!, apesar disso, não é de todo descabido alinhavar um ponto de situação à guisa de conclusão. O que me parece é que os Dirigentes do Benfica decidiram virar a página, fosse porque sentiram que o projecto JJ estava esgotado no plano desportivo, seja por haver evidências de deslealdade por parte de JJ. A verdade é que no plano externo JJ não convenceu e os benfiquistas não se contentam só com vitórias internas. Por outro lado, a fraca adesão de JJ ao projecto da formação do clube não só desgostava os adeptos - que não lhe perdoam, pelo menos, o caso Bernardo Silva - como ameaçava arruinar toda a estratégia do clube nas vertentes económica e identitária. Compreendo que os Dirigentes do Benfica não tenham querido abordar o tema da renovação antes do final do campeonato; quanto a mim, foi a pendência da renovação durante quase toda a 2ª volta do antepenúltimo campeonato a principal causa da derrocada. Mas considero que erraram se inverteram a sua intenção face à opção de JJ. Não o deviam ter feito!
Quanto a Jorge Jesus, habituado ao assédio de alguns clubes, em especial dos principais rivais internos, instrumentalizado por estes no sentido de prejudicar a competitividade do seu clube, ficou ressentido ao perceber que as coisas tinham mudado; desta vez já não tinha um contrato à espera de assinatura mas uma promessa de apoio na busca de outros caminhos. Impulsivo, com as "costas quentes" dos Dirigentes sportinguistas, salvo erro, decidiu vingar-se do Benfica...e foi o que se viu; não só infligiu um vexame aos que lhe ganharam afecto, como tentou levar jogadores e altos funcionários consigo. Não soube preservar o que de bom fez no clube que fez dele um Treinador reconhecido e um homem rico, dando razão aos seus detractores, demonstrando-se, mais uma vez, incapaz de retribuir o afecto aos adeptos dos clubes por onde passa, revelando, enfim, um invulgar nível de egocentrismo. Três particularidades da sua entrevista são sintomáticas; a da indiferença relativamente aos adeptos e à origem do financiamento do "seu" clube e a do Dever de Lealdade que qualquer trabalhador deve à sua entidade patronal. De facto, considera-se o vértice dos clubes que treina - "ele tem pedalada para mim" - disse, referindo-se ao Presidente do Sporting. Não tarda, considerar-se-á um semi-deus.
A questão do salário, está onde deve estar, nos Tribunais, mas preferia que o Benfica tivesse feito as continhas e pago tudo até ao último cêntimo, mesmo que não fosse devido. Sem mais conversas.
No plano desportivo, há que levá-lo a sério; apesar das limitações, sabe montar uma equipa, e apoios financeiros parecem não faltar ao seu actual clube, espúrios ou não.
Agradou-me a coerência económica e desportiva de Filipe Vieira, revelando a racionalidade própria de quem gere em função das conjunturas, maximizando os recursos próprios e indo ao encontro do sentimento dos adeptos. No entanto, convém perceber que nada funcionará se a equipa de futebol sénior perder o empolgamento e a capacidade competitiva, o que se verifica actualmente. Sabemos que a turbulência é condição inevitável do progresso mas é necessário estar alerta para avaliar a tempo as opções tomadas, seja quanto à equipa técnica, seja quanto a jogadores. Rui Vitória ainda tem um caminho a percorrer até ganhar a confiança dos adeptos e da equipa e as aquisições devem ser mais contidas e assertivas; menos e melhores jogadores e mais estabilidade no plantel.
Oxalá o próximo embate esteja a ser bem preparado.
(Tela de Abel Manta)
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Um Mundo sem Europeus (Henrique Raposo, Guerra e Paz)
Uma obra na qual Henrique Raposo (HR) caracteriza e fundamenta a sua visão geoestratégica do mundo actual caracterizada pela perda de influência europeia face à emergência das novas potências asiáticas, traduzindo-se na deslocação do eixo do Mundo Ocidental, do Atlântico Norte para o Pacífico.
Depois de mostrar os dois conceitos de Liberalismo fundadores dos EUA - o otimista de Jeferson e o cético de Hamilton -, HR evidencia a importância da Democracia Liberal no relacionamento entre nações em virtude da confiança que resulta da transparência política e salienta o realismo americano que lhes permite relacionar-se com países de regimes autoritários, como é o caso da China.
Com o fim da descolonização a Europa perdeu o domínio militar, tecnológico e normativo que detinha sobre o resto do mundo e parece recusar-se a admiti-lo, assumindo o conceito de governação apolítica e supranacional defendido por Yurgen Habermas, enquanto procura garantir a liderança tecnológica e económica definindo políticas de natureza ambiental arrojadas e não consensuais no concerto das nações.
A Europa já não dita as regras ao mundo; Índia, China, Turquia, Brasil, Chile, Indonésia, Austrália, etc, reclamam o seu lugar nos areópagos normativos internacionais - ONU, FMI, BM, OMC, G20, etc -, constituindo atualmente os parceiros preferenciais dos EUA em detrimento dos países europeus. Um entendimento estratégico entre a França e o Reino Unido poderá constituir a alavanca impulsionadora da Europa num mundo onde o conceito de Ocidente assumiu nova dimensão.
"Em suma, a democracia americana é um objecto político céptico e não idealista. É um regime político que nasceu para controlar o conflito entre homens violentos."
"A sociedade de Estados surge quando os Estados acordam regras comuns para a sua interacção (regras de comportamento para a política externa e não para a política interna). Portanto, a ordem internacional surge quando um sistema de Estados se transforma numa sociedade de Estados; os Estados passam a interagir através de regras mínimas de conduta."
"Ou seja, temos que aceitar que nem todos os povos associam o Bem à democracia liberal."
"Sim, é verdade que a modernidade já não é sinónimo exclusivo de homem branco."
"O mundo ocidental não tem qualquer direito de propriedade sobre as ideias democráticas."
"Os EUA continuam a ser uma potência à parte, isto é, o sistema ainda é unipolar."
"Hoje, os papeis inverteram-se. O Ocidente continua a pregar o comércio livre mas pratica-o cada vez menos."
"A elite europeia não tem a humildade suficiente para se conformar com a realidade. Entre a ilusão da humanidade unificada no estirador eurocêntrico e a realidade pós-atlântica, a elite europeia escolhe sempre a primeira. A elite europeia prefere estar errada com Habermas do que estar certa com Haron. Os antigos tin ham um nome para este fenómeno: decadência. Este livro é uma revolta documentada contra esta decadência."
Digo eu: uma decadência que cada um de nós pode observar no seu dia a dia.
Um livro que vale a pena ler e reler, para quem aspira a compreender o mundo atual na vertente geoestratégica.
AB
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
domingo, 30 de agosto de 2015
Porta 18
Deplorável o caso de tráfico de droga no qual está envolvido um, agora, ex-Director do Benfica, que entrou no clube pela mão do actual Presidente. Um facto que vem reforçar as suspeições dos seus detractores que há muito lançam rumores do seu envolvimento em negócios esquisitos, apesar de nada ter sido apurado que seja do conhecimento público. Seja qual for o resultado das investigações, o Benfica, ainda que nada tenha a ver com o caso, fica despojado de autoridade moral para apontar o dedo aos rivais. Mais uma vez, fica demonstrada a falta de prudência de Filipe Vieira na escolha dos seus colaboradores. Mais grave, a falta de controlo! Então entra e sai das instalações do clube gente desconhecida de origem colombiana e ninguém estranha? Não há controlo? Amadorismo e irresponsabilidade, intoleráveis!
Os benfiquistas e a população em geral necessitam de saber , sem equívocos, que o clube, efectivamente, nada tem a ver com o caso. Esperemos que a PJ investigue a fundo o assunto e torne públicas as suas conclusões, o mais rapidamente possível. E que os envolvidos sejam acusados e julgados.
Francamente!
(Tela de Amadeo Modiglianni: A Dama de Arminho)
Em que ficamos?
Frente ao Moreirense, uma vitória sofrida e já inesperada; a equipa do Benfica apresentou-se, mais uma vez, sem intensidade nem dinâmica. Pratica um futebol estático, previsível e inócuo, vivendo do talento de alguns jogadores, em especial Gaitan, Jonas, Mitroglou e agora Jimenez. Carece gritantemente de criatividade no meio-campo e de ala direita. Aos avançados, exímios no jogo aéreo, faltam os centros e cruzamentos a preceito, que só Gaitan tem mostrado capacidade para produzir.
Guedes e Talisca vieram provocar roturas obrigando os adversários a correr, a cometer faltas, e a defesa a desposicionar-se. Perante um adversário que montou a equipa em trinta metros, os jogadores do Benfica insistiam, sem convicção, em transportar a bola num labirinto que faz lembrar os tetrápodes de proteção marítima. Com este tipo de equipas, o futebol português não tem futuro; entram a proteger o pontinho adquirido por entrar em campo. E não saímos disto!
Felizmente que o mercado fecha em breve permitindo que cada um se concentre no seu trabalho, acabando com a incerteza que paira sobre jogadores e Treinador. Não há coração que aguente!
Está visto que, após tanta e persistente berraria - salvo seja -, contra os árbitros e Vitor Pereira, aqueles acusam o condicionamento nos jogos. Ainda vamos na terceira jornada e os efeitos já se fazem sentir; o Benfica deveria ter, pelo menos, mais um ponto...ou três.
Rui Vitória ainda tem que conquistar a confiança dos jogadores e o coração dos adeptos. Ontem deu mais um pequeno passo...mas não chega!
Há que continuar a trabalhar com ideias e com inteligência.
(Tela: "Nu" de Amadeu Modiglianni)
(Tela: "Nu" de Amadeu Modiglianni)
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